O triste desabafo de uma pasta astuta
Ontem fiz uma recauchutagem: pintei-me de pó, bati a poeira. Depois do Botox e horas de hidromassagem, depilei as virilhas sem deixar um pentelho só.
Nos cabelos dei um nó, amarrando com a piranha. Fiz mini-curso de etiqueta, aprendi como se comportar: pus um livro na cabeça, mas demorou pra eu conseguir andar.
Depois de tantos ajustes básicos e outros mais profundos, pus o salto e fui para o mundo trabalhar. Esse mundo não é brincadeira. Só ficar bonita não basta. Tenho que rodar a bolsinha, para ser uma verdadeira pasta.
Porém eu ando me perguntando se vale a pena rodar. Se vale a pena o esforço do ofício. Se vale tanto procurar. Sinto que, rodando, eu deixo a alma em casa. Pois quando levo comigo, ninguém quer ao menos me olhar.
Ah, mas eu sou uma pasta astuta e preciso seguir o meu caminho. Rodar, rodar e tentar um lugar bom para trabalhar. Quanto menos alma e mais beleza, disso pode ter certeza, mais trabalho eu vou encontrar.
Sinto falta do tempo que eu era apenas artista. Minha arte era até bonita de se mostrar. Eu não me pintava, não me plastificava. Mas o mundo não soube me aproveitar.
Por que virei pasta? Para sobreviver neste mundo. Pasta é reconhecida, mas nem sempre respeitada, viu? Muita gente por aí ainda me manda pra pasta que o pariu!
A maioria dos meus artigos nasce na discussão com algum amigo. Este desabafo foi inspirado no discurso de um ex colega de faculdade, ao contar sua história de início de carreira. Com humor, rima e uma certa ironia, tento passar com algumas palavras como funciona um dos lados dessa clássica luta por uma vaga no mercado. A personagem é inocente.
Livrem-na de qualquer crítica, por favor.
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Tenório Cavalcanti, 22, é redator e planner. Sua vida é dividia entre seu blog, sua família e sair pelo mundo fotografando o que tem de melhor e pior para postar no Flickr. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às terças-feiras.
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Este artigo tem as seguintes tags: agencia, emprego, pasta, portfolio, portifolio, publicidade, trampo, vaga









Nossa Senhora das Pastas Inocentes, Rogai por nós…rsrs!!!
Texto muito bom!
=)
No começo pensei que fosse um post ”mulher”, mas não,
‘’se” enganei,
Tenório, mandou bem, explicou a missão entre o sim e o não.
Empregos, oportunidades, quão bons precisamos ser?
Fazer o que todos fazem, eu faço, voce faz, mas o que você tem de diferente para falar, para expressar?
http://www.youtube.com/watch?v=NTLRsSwJi1k
O artigo tá show, com certeza mostrar a pasta é a primeira tensão que um criativo iniciante tem na carreira.
Mas já ouvi dizer: criativo que corre atrás antes de se formar tem sempre uma agência correndo atrás dele quando se forma. É preciso empenho e perseverança, criar, criar e criar a todo momento. É foda ver a quantidade de gente que se forma e acha que vai entrar numa agência de cara, com uma pastinha humilde ou até mesmo sem ela. Nunca foi assim e nunca vai ser.
Parabéns, tenório. Tomara que a galera pegue o espírito. Abrás!
\o/ #tesão
Me lembrou a Velha Guarda da Portela – ops, da Casa do galo…
Tadinha da pasta prostituída…
Mas não é só ela que se prostitui ultimamente. Tá tudo uma verdadeira zona mesmo.
Não fica triste pasta. Tá?
Parabéns pelo texto Tenório, muito bacana.
Atire a primeira pedra quem gosta da pasta que tem.
[...] cabelos dei um nó, amarrando com a piranha. Fiz mini-curso de etiqueta, … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
homem primata
capitalismo selvagem
Belo texto, parabéns!
Esta pasta nao sei naooooooooooooooooooo
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