O não-artigo: sem opinião definida
Que dádiva e que cruz é a chamada opinião. Este será o meu não-artigo, isso mesmo, assim como a Revista TPM tem na seção Badulaque a não-entrevista, eu resolvi escrever um não-artigo, pois ele vai contra a proposta das colunas da Casa ao não defender uma opinião.
As pessoas do nosso meio chegam a adotar um tipo de opinião para fazerem parte de um grupo. E mesmo que não o façam, os pré-conceitos estão tão enraizados em cada grupo que costumamos generalizar a opinião predominante, como se fizesse parte de um perfil, por exemplo, que cliente é sempre do contra, que criação acha que tem sempre razão, logo, não deixa ninguém dar opinião, e que atendimento é um povo sem opinião, que se deixa levar pelo cliente.
Fico me perguntando porque direcionamos nossos anúncios e enviamos os convites das festas interessantes apenas para os formadores de opinião? Será por que queremos ser bem vistos, como profissionais inteligentes e criativos, ou porque queremos fazer da opinião sobre nossa criação exclusividade da ‘nata’?
Que ironia pensar que esta opinião ‘formada’ pelos formadores de opinião não chega a todo tipo de gente, e que por ficar restrita ao grupinho em que foi gerada, priva as massas de conhecer novos pontos de vista, daí vem a opinião popular, que em parte é nossa responsabilidade já que somos um dos responsáveis por ditar tendências no mercado. Basicamente produzimos duas fontes de opiniões: as de qualidade, vindas dos formadores, e as comuns, vindas do povo.
Em um mundo em que opinar através das roupas, cortes de cabelo, atitude real e virtual, etc, virou quase que uma obrigação, cada vez menos encontramos profundidade e verdade nas opiniões. Cada vez mais chegam até nós já pasteurizadas, e por tudo isso, mais e mais elas são valorizadas, a ponto de as empresas de pesquisa pagarem por elas.
Todas as semanas eu desfruto da dádiva de poder expor minha opinião, de saber que posso compartilhá-la com alguém. Hoje quis mostrar o outro lado, o da amargura de quem não pode dizer o que pensa, ou pior, que não tem nada a dizer.
Por essas e outras que o não-artigo é uma homenagem aos criativos que vivem tentando ensinar aos atendimentos ‘como serem verdadeiros atendimentos’. Isso porque nem todos entendem que muitas vezes o melhor a fazer é se abster de opiniões conflitantes, para o próprio bem da agência e da conta. Um atendimento tem de saber falar, mas, sobretudo, saber a hora de calar.
Além disso, mudar de opinião é saudável, faz as pessoas renovarem suas ‘cascas’ a ponto de alçarem marcas do anonimato para a fama de uma hora para outra. É como Raul dizia (e que não poderia faltar), ‘Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo’.
As idéias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.
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Bruna Rocha, 24, é atendimento da LongPlay360°. Tem um passado meio obscuro na área comercial, onde aprendeu as maravilhas do excel. Seu sonho reprimido é ser redatora, mas nunca tentou fazer um portfólio. Escreve para a Casa do Galo às quintas-feiras.
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Depois do último fiquei até com medo de comentar de novo, mas vamos lá hehe.
Boa opinião a sua, concordo com você que a criação tem realmente esse problema, mas não sei por quê, não consigo reconhece-lo ;).
Abraços.
Tiago Fidelis Moralles’s last blog post..RH
Tiago,
Muito cuidado com a Bruna…
É por isso que eu estou com medo de comentar hehe.
Abraços pra vocês, Casa do Galo, sempre muito bem recomendado.
Tiago Fidelis Moralles’s last blog post..RH
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