O lucro das marcas nas olimpíadas
Aproveitando o clima olímpico e o festival de investimentos de algumas marcas em comerciais, ações, materiais promocionais, patrocínios, etc, uma constatação surgiu nesta minha cabeça inquieta e é ela que quero dividir com os leitores da Casa.
A idéia é a seguinte: os patrocinadores de times devem agradecer ao Comitê Olímpico Internacional, que impede que os uniformes dos atletas e dos times contenham logomarcas de patrocinadores oficiais.
Ah, tá, você não tinha percebido esse detalhe até então? Puxa vida, e pensar que naquela reunião de 6 horas com o seu maior cliente e depois de uma apresentação memorável, você conseguiu convencê-lo de que apostar no marketing esportivo através do patrocínio de uma seleção forte ou de um atleta de ponta era o melhor que ele podia fazer para posicionar a marca, estar em contato freqüente com o público-alvo e todos aqueles argumentos-clichês que só um publicitário profissional é capaz de tirar da cartola! Espero não estar causando arrependimento e mal-estar a você.
Até porque vou te dar um novíssimo argumento para se defender dos ataques dos clientes insatisfeitos com o investimento em patrocínios. E também vou mostrar porque eu defendo que o COI é amigão das marcas patrocinadoras de atletas e times olímpicos. Pelo menos para o Brasil.
Se você considerar que a imprensa esportiva, antes do início das competições, anunciou efusivamente que “esta é a maior delegação brasileira na história dos Jogos Olímpicos modernos” e comparar com os resultados muito aquém do esperado por esta mesma imprensa, a decisão do COI sobre os patrocínios é extremamente lucrativa para as empresas.
Imagine só a Nike tendo que pedir desculpas aos milhões de brasileiros que choramingam a derrota “vergonhosa” para os hermanos. E, um dia depois, pedir mais desculpas pela seleção feminina ter repetido a derrota de 2004 para as americanas.
A Caixa Econômica Federal, coitada, teria que desfazer a idéia de que os investidores parceiros podem cair de bunda na hora H como fez o Hypólito-macho.
O Bradesco teria que abandonar seu slogan completo, pois o nadador que ele patrocina não é tão completo assim. Seria até bom trocar mesmo de nadador; ao patrocinar o vencedor do ouro nos 50 metros livre, o banco estaria garantindo a imagem de uma instituição espalhada pelo mundo, já que o Cielo treina em águas americanas.
Até agora quem ainda está no “chove-não-molha” é o Banco do Brasil, patrocinador do vôlei. Na praia feminina, morreu de forma inédita. Na praia masculina, garantiu pelo menos uma das duas medalhas mais importantes, o que equilibra a situação. E está a ponto de sair como o grande patrocinador de times com as equipes de quadra. Veremos.
Portanto, esta é a verdadeira situação do marketing esportivo: uma atividade que deve ajoelhar-se e agradecer ao COI por defender as marcas parceiras dos atletas brasileiros. Tudo bem que, repito, ninguém nem tinha percebido a falta das marquinhas nos uniformes. Mas isso nunca foi problema nesse tipo de negócio, não é mesmo?
Agora dá licença que tenho uma reunião decisiva. Finalmente vou conseguir fechar aquele contrato de patrocínio para o badminton brasileiro.
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Claudinei Junior, 24, é publicitário para viver e não vive para publicidade. Curiosíssimo, trabalha com planejamento e mídia na Marca X, agência de propaganda do interior de SP. Faz de tudo, menos arte e café. Inclusive, escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.
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Parabéns Claudinei, muito bom seu artigo, gostei e respeito seu ponto de vista.
(IGNORE ESTES COMENTÁRIOS ABAIXO) É apenas um complemento pessoal.
É, confesso, eu esperava mais do Brasil nas Olimpíadas, mas fazer o que? Todos atletas são humanos, e estão levando suas emoções. Comparado à outros países, o Brasil engatinha no esporte.
Sei o como é dificil ser atleta aqui, e o que eles representam fora, é muito mais uma luta pessoal do que uma comquista para a nação.
Quanto as marcas!, elas investem, e querem retorno, claro. Mas este investimento em muitos casos é apenas no mês do evento.
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