O espaço entre dois tempos

Tá difícil desacelerar. Nunca vivenciamos tanto a frase “Tempo é dinheiro” como nos dias atuais. A publicidade segue o fluxo e cria cada vez mais peças rápidas de gosto duvidoso que “fingem” um relaxamento forçado, uma tranquilidade mentirosa de paz e conforto consumista e que servem apenas ao tempo permitido para retomar a novela. E a briga por este tempo faz com que as mídias fiquem empobrecidas e fulgazes, principalmente na televisão. Tá muito trash. Aliás, passou disso. Tá speedy-metal.
Na música, a pausa é tão importante quanto o Ataque, o impacto da música em crescimento. É o tcham-tcham-tcham-tcham mudo antes do tcham-tcham-tcham-tcham sonoro. Parece que este espaço vazio e cheio de sentido anda faltando no mercado publicitário. E não precisa ser na mídia TV. Ao folhear uma revista qualquer, o espaço vazio torna-se cada vez mais raro com lay-outs pesados, cheios de cor e efeitos de photoshop. Talvez eu esteja mal informado, mas me parece que o “clean style” sumiu.
Sem radicalismos. Graças aos deuses temos o Olivetto para garantir com criatividade a devida pausa necessária e ausente nos tempos atuais para garantir o lúdico na propaganda como no recente filme da Wizard. Mas ele “não vale”. Nem o Alexandre Gama, nem esse monte de publicitários premiados e na casa dos 50/60. Chega de “dinossauros” para manter a publicidade “jovem”.
Para que a propaganda pare de chupar as idéias de outras áreas como o cinema e a moda (tô cansado de ver anúncio de carro transformer), precisamos de “sangue novo”. Mas de uma galera sem vícios de “Geração MTV” que também já era em termos de criatividade e inovação. Cadê o diretor de arte entre 21/28 anos que usa uma página em branco, usando o branco? Qual o foi o último texto publicitário que te emocionou com apenas duas frases?
Okay, este artigo tá parecendo “crise da meia-criação”, rs. Mesmo assim, espero (e muito) estar errado. Mas neste espaço entre “a propaganda que é” e “a propaganda que vai ser” eu prefiro ficar na minha pausa criativa. E você?
N. do E.: Ontem foi o Dia da Criatividade, e o @tiodino deu um tapa na cara de todos nós. (via @inagaki)
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Marcos Oliveira, 40, é redator publicitário e casado com a Arte (porque amante já tem muito). Não acredita em corretor ortográfico e detesta acordar cedo para descobrir depois que a reunião de briefing foi cancelada. Seu blog de variedades possui apenas um seguidor: ele mesmo e suas duplas personalidades. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras.
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Marcos Oliveira, 40, é redator publicitário e casado com a Arte (porque amante já tem muito). Não acredita em corretor ortográfico e detesta acordar cedo para descobrir depois que a reunião de briefing foi cancelada. Seu blog de variedades possui apenas um seguidor: ele mesmo e suas duplas personalidades. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras. 







Abraços a todos.
eu me amarro em seus artigos…
As publicidades de varejo desenvolvidas aqui em Goiânia estão dessa mesma forma em que você disse, sem criatividade. Todos falam a mesma mensagem e a mesma língua.
Dizem que a crise financeira está passando, tomará também a crise de criatividade também passe.
O ano de 2010 está chegando…
Que publicitários possam inventar e reiventar….
nesse novo ano…
Abraços..
Mais uma vez.. parabéns pelo artigo!!
Definitivamente o público mudou e a criação publicitária perdeu um pouco da conceitualização básica. A identidade por trás da comunicação integrada é baseada em artifícios volúveis, muitas vezes influenciada pelo dinamismo da internet.
Abçs a todos.
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