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O dia em que matei Papai Noel (Um conto publicitário de natal)

23 dezembro 2009 5 comentários escrito por marcos

publicidade natal O dia em que matei Papai Noel (Um conto publicitário de natal)

Vou te contar o que fiz: eu matei Papai Noel. Isso mesmo. E não foi fácil. Existem muitos clones por aí e seria péssimo confundir um pai de família ou um pobre assalariado fazendo bico de fim de ano no shopping. Afinal, é Natal. Eu precisava ir na fonte, mais precisamente em Atlanta, Geórgia nos Estados Unidos da América. Isso mesmo, a sede da Coca-Cola. Ou você achou que seria no Pólo Norte?

Sigo o rastro do Papai Noel desde o começo da ano. Em fevereiro, cheguei a perder a pista em Trancoso (BA) porque ele tinha feito a barba para curtir o Carnaval. Por sorte, seu nariz e bochechas sempre ficam vermelhos quando bebe. Depois ele foi pro Mardi Gras em Nova Orleans para a terça-feira gorda. Com a barba já crescida em outubro, pude fotografá-lo saindo da boate “Happy Ending” em Las Vegas. As fotos estão guardadas em um cofre especial na Disney.

Foi em 1930 que o diretor de arte Haddon Sundblom encontrou esse irlandes gordo e bêbado jogado numa sarjeta da Túrquia. Sujo de barro, suas roupas estavam tão marrons quanto a de um frade. Seu nome era Nicolau (por contrato, ninguém mais o chama assim). Haddon olhou para aquele sujeito, tapou o nariz por causa do cheiro e teve uma grande ideia: recentemente tinha sido contratado por uma companhia de refrigerantes para produzir uma campanha de Natal e, por algum motivo, aquela figura caiu como uma luva. Nicolau tinha narcolepsia e costumava gritar “presente!” quando acordava. Ou seja, gritava presente quase o tempo todo. E não se engane com toda aquela alegria: depois de três goles, Nicolau sorri e gargalha até para poste.

O resto é história: Haddon escondeu Nicolau e contou para todos que tinha se inspirado em sua própria imagem no espelho para criar os desenhos do maior garoto(?) propaganda de todos os tempos. Trocou a roupa marrom pelas cores do produto e voilà: um sucesso. Mas é tudo mentira, eu sei. Jeremy Seal sabe.

A Ferrari vermelho-natal estacionada em local privativo confirmou que ele estava no escritório. Disfarçado de entregador de Panetones, passei desapercebido por todos os outros funcionários e subi as escadas. Chutei a porta com força. Lá estava ele. O maldito velho barbudo de 78 anos, já vestido com sua tradicional roupa branca e vermelha para uma sessão de fotos. Para variar, estava dormindo. Acordou assustado e gritou: Presente! Avancei para cima dele e…

Eu menti. Não consegui matar o Papai Noel. Não se mata um ícone assim. Sem ele, este e tantos outros momentos de inspiração que usamos para criar textos vendedores, emocionais, criativos ou imagens de união, prosperidade e esperança não existiriam.

Faça um teste: quanto tiver um bloqueio criativo, coloque uma imagem do Papai Noel de Haddon Sundblom na sua mesa e olhe para ela. E deixe o espírito da criação fazer a parte dele. Garanto: todo dia será Natal.

Eu e Nicolau desejamos um Feliz Natal para todos os leitores da Casa do Galo! Feliz Natal Santa Jock!

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Marcos Marcos Oliveira, 40, é redator publicitário e casado com a Arte (porque amante já tem muito). Não acredita em corretor ortográfico e detesta acordar cedo para descobrir depois que a reunião de briefing foi cancelada. Seu blog de variedades possui apenas um seguidor: ele mesmo e suas duplas personalidades. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras.

marcosredator@hotmail.com | http://twitter.com/marcosredator


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