O consumo consciente x Propaganda sustentável – Dois lados da mesma moeda
Semana passada a super Sam Shiraishi | @Samegui, me convidou para a blogagem coletiva Consumo Consciente. Convite aceito, to aqui tentando abordar o tema mais publicitariamente possível, e contando com sua opinião para que a discussão surta efeito.
Na hora me questionei por que muitos ainda não consomem conscientemente a propaganda – diga-se isso de marcas que compram certificados, mascaram produtos e vendem falsos conceitos, denegrindo o nosso mercado. E em conseqüência disso, veio à mente se Propaganda Sustentável seria aquela que nunca ouve do leitor o degradante “isso é só propaganda”.
O consumo consciente não está unicamente relacionado às questões verdes, mas à conquista de um novo comportamento e novas leituras da nossa responsabilidade com o mundo em todos os sentidos. E sustentabilidade é, antes de tudo, promover mudança, absorver, incorporar, conscientizar e dar continuidade a novas atitudes – responsáveis e interdependentes da concepção ao fim. Vejo nesse emaranhado de palavras um único agente: o Consumidor – seja da marca ou da propaganda (no caso o anunciante).
Afinal, temos de um lado a Propaganda, que de uma forma ou de outra precisa se sustentar. Ela abre alas para a marca que deseja share, sendo quase sempre a principal culpada se o target se empolgar com a aparência e se frustrar com o conteúdo – como se não fosse previamente encomendada, e nosso trabalho apenas dar ao produto uma razão de consumo. E nesse ponto o desafio da comunicação é, antes de atingir seus objetivos, de alguma maneira “educar” o público, sendo às vezes forçosamente didática ou mesmo literal. Tendo em vista que alguns temas – mesmo gastos para a maioria (consumidora inconsciente) – são apenas novos selos.
E do outro lado as marcas com seus objetivos de marketing fazendo de tudo pela preferência. Pensa comigo, na real é sabido que muitas são focadas exclusivamente nos lucros, outras tantas ainda tocam o foda-se e deixam pra lá o que é problema do mundo, vivendo agora sem pesar o depois.
Sei que não é certo generalizar, mas há abusos reais, entre eles da palavra já surrada “sustentabilidade”, amplamente divulgada nos quadros de missões e valores – nem sempre vivenciada na prática, que ainda é um diferencial quando se pensa em conceitos, mas que logo vai pro bolo de termos fáceis junto como as desgastadíssimas “responsabilidade social,” “satisfação” e “qualidade”.
Na boa, diante dessa verdade nua e crua, nesse momento a propaganda é insustentável. E não por culpa dela.
Se há no cenário profissionais cientes do seu envolvimento com o futuro, são os publicitários. Assim como é certo afirmar que precisam atender diretrizes pré-determinadas por seus consumidores primários. Há um briefing e nele as expectativas, que são alcançadas conforme a mensagem do agora. E essa capacidade de “aculturar” é o maior trunfo, e cruz da propaganda.
Na mesma cena há o consumidor – especialmente o brasileiro – em parte culpado pelo vício (que não é regra, mas é vigente) de incorporar e ostentar verbos que são jogados no mercado, sem nunca cobrar honestidade ou fiscalizar processos de produção dos rótulos que consome. Aqui repito, mesmo que a experiência de marca prove o contrário, a grande “sacana” da historia será quem convenceu a levar “aquilo” pra casa.
Para abreviar o papo e fugir dos objetivos de marketing, até para que a minha própria mensagem consiga sustentação, vou dizer a que veio o artigo. O que muitas marcas precisam entender é que hoje cada passo gera uma reação imediata, não estamos mais na ansiedade do porvir, o aqui tá rolando, e agora.
No que dependesse exclusivamente da maioria dos publicitários, cada idéia fantasiosa que se tem seria realidade para o consumidor. Porém, existem estratégias mercadológicas que freiam ou empurram a essência da mensagem e determinam um caminho a trilhar. A propaganda é autônoma, entretanto não é solta no espaço das possibilidades. E quando se prega que ela altera visões do mundo e estimula atitudes, transferem-se as conseqüências positivas (ou não) à sua atuação.
Queremos fazer e fazemos nossa parte, nos resta torcer para que os anunciantes descubram a importância de consumir conscientemente a propaganda. E sejam responsáveis com seus consumidores.
Tudo bem que comparados com movimento de placas ou asteróides somos inofensivos demais para destruir o planeta. Mas, somos altamente nocivos a nós mesmos, especialmente por ignorarmos nosso próprio mal.
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Iasnara Amorim, 29, Pré-publicitária e pseudo-contista. Abandonou a Veterinária por amor aos animais. Trocou Administração por Propaganda, numa passagem pelo Marketing quando foi esporada pela Publicidade. Atua na Promoção e Produção de Eventos, transformando figurinhas em metragens e cifrões. Vislumbra um futuro de Planner, por faltar insanidade criativa para a redação. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.
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Iasnara Amorim, 29, Pré-publicitária e pseudo-contista. Abandonou a Veterinária por amor aos animais. Trocou Administração por Propaganda, numa passagem pelo Marketing quando foi esporada pela Publicidade. Atua na Promoção e Produção de Eventos, transformando figurinhas em metragens e cifrões. Vislumbra um futuro de Planner, por faltar insanidade criativa para a redação. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras. 







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