O comercial tradicional agoniza, mas não morre
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Aquela propaganda romântica feita pelos publicitários sessentistas está na UTI – ou CTI, se preferirem. A velha fórmula acadêmica ensinada aos alunos na universidade também está.
Ocorre que o comercial de 30 segundos e o modelo de comunicação utilizado há décadas não estão mais funcionando. O comercial arroz com feijão veiculado no intervalo da novela está com os dias contados. Isso porque o perfil dos telespectadores mudou.
Nos anos 60, nossos mestres da publicidade comunicavam para uma família bem constituída, com o homem assumindo o papel de chefe da família e a mulher cuidando da casa e dos filhos. À noite, todos se reuniam na sala e assistiam televisão. Era mais que um hábito, era um programa familiar. O curioso é que o comercial, naquela época, ainda não era um alerta para fazer xixi. Para os telespectarores, aqueles minutos de intervalo faziam parte da diversão, a propaganda era atrativa, humana, real! Tente imaginar alguma família com essa rotina atualmente. Impossível? Não, mas bem raro.
Estava fácil comunicar, o modelo havia sido enraizado na cultura de entretenimento do brasileiro e o segredo era segui-lo. É claro que quando fala-se em facilidade, refere-se ao formato e não às idéias dos profissionais que, diga-se de passagem, formaram o grupo divisor de águas da propaganda criativa brasileira.
Mas nessa de comercial criativo vai, comercial original vem, o intervalo perdeu a graça e hoje é o sinal verde pra ver quem entra no banheiro primeiro. Essa mudança de comportamento social está modificando a comunicação tradicional e, com a chegada da tv digital, tende a mudar ainda mais. Já que o intervalo comercial perdeu o poder de magnetizar as pessoas junto à telinha, a solução vem sendo levá-lo para dentro dos programas.
O detergente em cima do balcão, sem rótulo e que era figurante no cenário da novela agora é personagem principal e tem rótulo bem grande. A apresentadora escorrega e cai propositalmente para mostrar que está calçando a sandália do patrocinador. O repórter finge que o seu moderno celular toca durante uma reportagem ao vivo. O TOP de 5 segundos acontece a cada mudança de quadro. E, quem diria, o famoso comercial de 30 segundos roda dentro do próprio programa, sem chamada para o intervalo, nem nada.
Tudo isso porque os consumidores descobriram que intervalos comerciais são uma farsa. E, quando descobrirem que os programas de televisão também são, nós, publicitários, vamos ter que arrumar outro lugar para colocar nossos vts de 30 segundos.
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Matheus Adami Perozzo, 23, é redator do Panda Branding. Adora trabalhar quando chove e odeia ficar trancado na agência em dias ensolarados. Seu melhor amigo é o café preto. Escreve para a Casa do galo às quintas-feiras.
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Este artigo tem as seguintes tags: 30, comercial, consumo, digital, familia, habito, propaganda, publicidade, reclame, segundos, televisão, tv

Matheus Adami Perozzo, 23, é redator do Panda Branding. Adora trabalhar quando chove e odeia ficar trancado na agência em dias ensolarados. Seu melhor amigo é o café preto. Escreve para a Casa do galo às quintas-feiras. 







Parabéns pelo artigo, e seja bem vindo ao time!
Coincidentemente, você tem um xará que é do blog 30″:
http://www.30segundos.com.br/
Abraço!
Olá, Matheus. Bom artigo de estréia, parabéns!
Eu, particularmente, não acho que a fórmula da propaganda em intervalos comerciais não funcione mais, como você diz. Acho que ainda funciona, só que de forma diferenciada. Ela pode não funcionar mais 100% sozinha, como outrora ocorria, mas funciona e dá resultado quando está associada a outros meios.
Bem vindo ao poleiro!
O comercial tradicional agoniza por causa justamente da falta de inovação e diferencial que fazem com que as pessoas possam dizer: “Cara, que legal essa propaganda!”.
Existe um processo engessado dentro das agências de publicidade que têm medo de perder suas contas milionárias e começam depois de um tempo a fazer o chamado feijão com arroz. Isso é brutal para o negócio, para os consumidores, para o cliente e claro, para a agência.
Esse mesmo processo reflete justamente nos filmes publicitários, que não chamam atenção, não só legais e em sua grande maioria, são feitos para ver se ganham algum prêmio nos festivais no Brasil e no Mundo. Complicado…
Os 30 segundo ainda é uma chance de cativar o público, mas com tantas coisas que vemos por aí, uma coisa é certa: agoniza, mas não morre.
Abraços!
Parabéns Matheus!
Concordo plenamente. Acho que o modelo ainda não morreu, mas está cada vez mais defasado.
Para determinados targets ainda vai funcionar algum tempo, mas agora com a inclusão digital e a facilidade de crédito as famílias estão tomando rumos diferentes no quesito entretenimento.
a galera “multitasking” vem com tudo, mesmo
- inclusive bom senso e desapego as regras.
se o cenário é outro, os personagens precisam mudar.
super estréia!
Sempre gostei dos teus textos!!!
Obrigado a todos pela recepção.
Acho que o comercial tradicional não será extinguido por completo. Porém, perderá espaço para formatos de mídia diferenciados, como os relatados no artigo.
Abraços
Grande Matheus…
O tema abordado abre espaço pra discutirmos essa onde de “no-midias” que está fazendo parte permanente dos planejamentos de comunicação.
Outdoors com cheiro, displays com formigas, a sandália que a Gisele usa na praia enquanto desfila para os paparazzi…
curti…
agora dá licença q eu tenho que ir no banheiro
Continuo gostando do que vc escreve!!
parabéns pelo artigo!!
MAs como uma leiga do assunto, prefiro ainda
que tenha ” os reclames do plim plim”, para fazer xixi.
hehehehhe
Esse é o Matheus. Eu como LEIGO no assunto PUBLICIDADE não posso opinar tecnicamente, mas concordo com o que tu disseste. Abraço!
Grande Matheus!
Parabéns pelo texto, show de bola!
Grazi
Parabéns Matheus!
Como sempre,adoro ler o que tu escreve!!!
Faço parte da tchurma que aproveita o intervalo para fazer muita coisa…inclusive ir ao banheiro
Sou contra os comerciais feitos nos programas tipo ‘Pânico na TV’…eles cortam o clima, é chado de ver.
Gosto da maneira como o CQC incluiu comerciais durante a troca de quadros do programa.
Bom, era isso…
Boa sorte!
Abç
Greice,
também acho sensacional a maneira com que o cqc insere os merchans. muito bom mesmo!
obrigado pela visita e pelo comentário. e volte sempre!
abraços
O grande lance é a economia da atenção. Na internet, na TV e em qualquer outra mídia, nós estamos todos só procurando aquilo que realmente nos interessa.
Antes da era da internet aceitávamos sermos interrompidos para o ‘reclame’. Agora não queremos isso. Quem gosta de popup, por exemplo?
Talvez a lei de mercado (Darwin?) ajude a selecionar quem não ficou pra trás, hehehe!
O comercial tradicional agoniza, mas não morre : http://tinyurl.com/6gp4th
Mas é por esta razão que eu me preocupo em ser comunicadora digital! Aí está a internet pra assombrar nossos dias de glória na televisão e no quase decadente rádio!
Bjinhusss
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