O clube da luta e da felicidade
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Vou ser sincero com vocês: eu ia escrever sobre aquele programinha de faz-de-conta que pega um bando de estudantes e brinca de gangorra com o ego deles para depois chutar a boca de cada um. Porém, resolvi deixar o Jr. de lado e conversar com vocês que possuem uma dedicação autêntica sobre o caminho profissional e não são aprendizes para o cargo de Tatu na Ilha da Fantasia. Mas antes, um filminho:
Uau! Adoro este filme. E o livro. Mas não vamos nos dispersar. A pergunta aqui é simples: Qual é a sua luta? Tá batalhando pelo que? Pela sua felicidade? Sério? Então por que está tão cansado e com essa cara zangada?
Recebo e-mails e mais e-mails sobre as dificuldades da profissão de publicitário, seja qual for o departamento onde você deseja atuar. Sim, atuar, como um ator-lutador que coloca uma máscara e sobe no ringue para tomar socos de chefes, clientes, fornecedores e algumas vezes da própria família que não entende nada de propaganda além do que passa entre os intervalos da novela. E a sua frustação cresce. E você se irrita. E sufoca a raiva. E briga com a namorada/esposa. Parabéns. Você está prestes a entrar no Clube da Luta e da Felicidade. Só que existem algumas regras para garantir a sua permanência. Vamos a elas:
Soco na cara – Defina-se: Se você já entrou no ringue, encontre seu território. Seja honesto com o espelho e diga: estou nesta pela grana ou estou nesta pela arte ou estou nesta pelo sucesso ou estou nesta porque não estou nem aí ou estou nesta porque todo mundo está, etc. Mate o grilo falante moralista na sua cabeça e descubra o quanto você pode ser verdadeiramente ético diante de uma campanha para um cliente de armas, cigarros, remédios ou política. Lembre-se: a moral é coletiva e histórica. Ela passa. A ética é só sua. Ela permanece. O mesmo pensamento vale para quem ainda não foi chamado para luta.
Joelhada na virilha – Amadureça: Infelizmente ainda se propaga a idéia do publicitário de filme. Descolado, boca-livre de festas, criativo de última hora, gênio incompreendido, sempre jovem. Tudo mentira. Você é convidado para festas do cliente para trabalhar, pode ser mandado embora a qualquer momento (lembra do caso da DM9DDB para WWF?), um bom título demora para acontecer e o tempo sempre é curto. Se não se cuidar, pode desenvolver uma insônia ou um vício. O mercado quer a sua produtividade, seu tempo e sua dedicação. A propaganda é a alma do negócio, sim. A sua.Sangue nos olhos – Enxergue: Existem modelos para criar e vender quase tudo na propaganda. Existem modelos para campanhas de cerveja, langerie, chocolate, ongs, camisinha, doenças, etc. Algumas vezes você vai precisar usar um destes modelos e vai pensar que não tem talento ou nunca teve. Abra os olhos para não fazer o papel de vítima ou ficar zangado consigo mesmo ou com seus parceiros criativos. Criatividade é parte do negócio. A outra parte…é o próprio negócio.
Na lona – Levante-se: Se o seu queixo é de vidro, você dançou. Ser criticado na facudade é uma coisa, no trabalho é outro emprego. Aqui vale muito exercício para aceitar outros pontos de vista para sua “idéia genial”. Sua idéia pode ser realmente boa, mas ela pertence ao cliente, ao seu contratante e, principalmente, ao sucesso comercial (ou seja vendas) da marca ou produto. Não fique acuado no canto do ringue tomando porrada pelo que não é seu. Trabalhe sempre em grupo para não ser expulso do clube.
Bom, e onde fica a felicidade depois de tanta bordoada? Fácil. Na vida, meu caro. O seu ringue profissional está dentro de um ringue muito maior chamado vida. Jogue fora os livros de auto-ajuda, manuais de “como ser” e programinhas de tv que iludem, glamourizam e esteriotipam a profissão. Sorria comigo e meu amigo da foto ai em cima e comemore a perda ou a derrota em cima do ringue e não fora dele. Você não é um cargo nem um produto, mas pode deixar sua marca na existência de pessoas que gostam de você assim mesmo. Você é a grande idéia que ninguém pode comprar. Basta você não querer vender.
E não culpe o eterno modelo de atuação das agências (sem hora prá sair, prazos curtos, diretores com mentalidade de Nascido para Matar) pela sua insatisfação. Ele não vai mudar. Mas você pode mudar sempre.
Agora vou assistir Fight Club. Continuem com a boa luta e até o próximo artigo.
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Marcos Oliveira, 40, é redator publicitário e casado com a Arte (porque amante já tem muito). Não acredita em corretor ortográfico e detesta acordar cedo para descobrir depois que a reunião de briefing foi cancelada. Seu blog de variedades possui apenas um seguidor: ele mesmo e suas duplas personalidades. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras.
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Marcos Oliveira, 40, é redator publicitário e casado com a Arte (porque amante já tem muito). Não acredita em corretor ortográfico e detesta acordar cedo para descobrir depois que a reunião de briefing foi cancelada. Seu blog de variedades possui apenas um seguidor: ele mesmo e suas duplas personalidades. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras. 







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Sempre mandando bem,
e de quebra uma dica de filme/livro.
Cuidem com os chutes na bunda, aprendam a lidar com eles também ; )
heuehuehueh
Abraço Marco
Legal, é isso aí. Continue escrevendo e vai conhecer ohttp://www.psvsite.com/cronicas/ Aguardamos seus textos! Grande abraço.
Marcos H.
Parabéns, Marco, sempre escrevendo textos maravilhos, muito bom mesmo.
O que houve com a casa?
Quase 20 dias sem nenhuma atualização.
Gosto tanto daqui pelo alto indice de atualizações e ótimas colunas.
Estou ansioso pela próxima…
Pô, é só eu começar a acompanhar que vocês começam a escrever menos.
Bora voltar!
Adorei o post.
Muito bom, sou novo aqui e já me sinto um lutador. Parabéns!!!
Concordo com o que foi dito, tanto que estou desistindo de ser Diretor de Arte em agência de publicidade, justamente por causa do modelo de atuação das agências e também porque não me sinto feliz ficar mais de 8h diárias na frente de um computador tendo ser criativo e rapido ao mesmo tempo e ainda ser engraçado..definitivamente não dá…tentei… mas chega…. é hora tentar algo q realmente me faça feliz e boa sorte a todos que continuam…
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