O branco nosso de cada dia
“O branco sempre será seu contato com o trabalho. E é preciso respeito para não sufocar o espaço em branco que você tem. É como a vida: quanto maior o número de coisas que você coloca, maior a possibilidade de não conseguir administrá-las.”
É assim que Newton César começa seu livro “Direção de Arte em Propaganda”.
Exatamente por começar assim, foi a primeira coisa da área que li. E é um conselho que levo comigo, desde então, mesmo que minha empreitada por vir não tenha nada a ver com propaganda.
O livro depois da uma série de dicas sobre o que e como colocar nesse branco. Óbvio que não dá receitas, simplesmente pq elas não existem. E por não existirem, a ‘culpa’ é sempre toda de quem se atreveu a acabar com esse branco.
Na condição de um desses atrevidos, acabei aprendendo uma lição que não me lembro de ter lido no livro do Newton: profundo respeito também com tudo aquilo que você criar!
Não é porque seu cliente não gostou que não á bom.
Não é porque você não gostou que não tá bom!
Com os prazos ridículos que nos dão e com os brifings-piadas que recebemos, muitas vezes ficaria mais fácil cruzar o mar vermelho do que fazer algo que agradaria a nós mesmos, certamente os maiores críticos de nosso próprio trabalho.
Não gostou?
Alguma coisa aconteceu! Não deve ser sua incompetência adormecida que resolveu dar as caras… Você não chegou a ter uma responsabilidade dessas à toa!
Seja por causa do prazo exíguo, pelas condições nefastas que te deram, pelo gosto duvidoso do cliente ou mesmo porque você não acordou lá muito bem, se não gostou, respeite. É sua cria.
É, pra mim, um dos ingredientes pra deixar essa nossa vida um pouco menos ingrata.
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Gui Pignata, 27 anos, é músico, quase físico e bacharel em Música Popular pela Unicamp. Estuda Publicidade e Propaganda na PUC Campinas e é designer gráfico da ONG Teatro de Tábuas. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às terças-feiras.
guipignata@gmail.com | http://www.antinomia.blogspot.com
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Gui Pignata, 27 anos, é músico, quase físico e bacharel em Música Popular pela Unicamp. Estuda Publicidade e Propaganda na PUC Campinas e é designer gráfico da ONG Teatro de Tábuas. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às terças-feiras. 







Gui, com ou sem arte, bom ou não,
o dia não passará em branco.
Pouco mais de 9h e uma cliente
já me deixou roxa de raiva.
[Responder]
Belo texto Gui!
Sempre nos ocorre um branco, seja um papel, seja uma tela do Word, seja um esquecimento. É como a Iasnara falou, nunca vai passar em branco.
E nunca vai passar exatametne porque publicitários, diretores de arte, redatores, blogueiros, whaterver…tem que ser ATREVIDOS como você mesmo falou.
Nossa criação é nossa, seja ela como for. O que vale é não ficar no branco.
Abraço!
[Responder]
Adorei o texto, Gui!
Eu espero ser uma publicitária atrevida e com ótimas crias!
=D
[Responder]
I…
Fiquei branco com o trampo do Natal (lembra? Das internas da Casa?)…
Branco pq, como bem lembrou o Rafa Amaral, é a soma de todas as cores que me deixaram aqui…
Caião…
Esforços concentrados, sempre, pra não passar em branco! A nao ser que ele seja intencional.
Paulimha…
Vc se não espera muito e comece a ser atrevida desde já! Publicitário atrevido chega a ser pleonasmo, não há como ser um sem ser o outro!
Valeu, pessoal!
[Responder]
[...] Marcos Brod era um educador metódico e exigente. Relembrei de suas aulas quando li o artigo do Gui Pignata. No texto, nosso companheiro da Casa, cita a frase que Newton César usa para apresentar o livro [...]
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