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O branco nosso de cada dia

9 setembro 2008 5 comentários escrito por Gui

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“O branco sempre será seu contato com o trabalho. E é preciso respeito para não sufocar o espaço em branco que você tem. É como a vida: quanto maior o número de coisas que você coloca, maior a possibilidade de não conseguir administrá-las.”

É assim que Newton César começa seu livro “Direção de Arte em Propaganda”.

Exatamente por começar assim, foi a primeira coisa da área que li. E é um conselho que levo comigo, desde então, mesmo que minha empreitada por vir não tenha nada a ver com propaganda.

O livro depois da uma série de dicas sobre o que e como colocar nesse branco. Óbvio que não dá receitas, simplesmente pq elas não existem. E por não existirem, a ‘culpa’ é sempre toda de quem se atreveu a acabar com esse branco.

Na condição de um desses atrevidos, acabei aprendendo uma lição que não me lembro de ter lido no livro do Newton: profundo respeito também com tudo aquilo que você criar!

Não é porque seu cliente não gostou que não á bom.

Não é porque você não gostou que não tá bom!

Com os prazos ridículos que nos dão e com os brifings-piadas que recebemos, muitas vezes ficaria mais fácil cruzar o mar vermelho do que fazer algo que agradaria a nós mesmos, certamente os maiores críticos de nosso próprio trabalho.

Não gostou?

Alguma coisa aconteceu! Não deve ser sua incompetência adormecida que resolveu dar as caras… Você não chegou a ter uma responsabilidade dessas à toa!

Seja por causa do prazo exíguo, pelas condições nefastas que te deram, pelo gosto duvidoso do cliente ou mesmo porque você não acordou lá muito bem, se não gostou, respeite. É sua cria.

É, pra mim, um dos ingredientes pra deixar essa nossa vida um pouco menos ingrata.

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Gui O branco nosso de cada dia Gui Pignata, 27 anos, é músico, quase físico e bacharel em Música Popular pela Unicamp. Estuda Publicidade e Propaganda na PUC Campinas e é designer gráfico da ONG Teatro de Tábuas. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às terças-feiras.

guipignata@gmail.com | http://www.antinomia.blogspot.com


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5 comentários »

  • Caio Blumer disse:

    Belo texto Gui!

    Sempre nos ocorre um branco, seja um papel, seja uma tela do Word, seja um esquecimento. É como a Iasnara falou, nunca vai passar em branco.

    E nunca vai passar exatametne porque publicitários, diretores de arte, redatores, blogueiros, whaterver…tem que ser ATREVIDOS como você mesmo falou.

    Nossa criação é nossa, seja ela como for. O que vale é não ficar no branco.

    Abraço!

  • Iasnara disse:

    Gui, com ou sem arte, bom ou não,
    o dia não passará em branco.
    Pouco mais de 9h e uma cliente
    já me deixou roxa de raiva. :D

  • Paulinha Rocha disse:

    Adorei o texto, Gui!
    Eu espero ser uma publicitária atrevida e com ótimas crias!

    =D

  • Gui Pignata (author) disse:

    I…
    Fiquei branco com o trampo do Natal (lembra? Das internas da Casa?)…
    Branco pq, como bem lembrou o Rafa Amaral, é a soma de todas as cores que me deixaram aqui…

    Caião…
    Esforços concentrados, sempre, pra não passar em branco! A nao ser que ele seja intencional.

    Paulimha…
    Vc se não espera muito e comece a ser atrevida desde já! Publicitário atrevido chega a ser pleonasmo, não há como ser um sem ser o outro!

    Valeu, pessoal!

  • Aos mestres, com carinho | CASA DO GALO - O animal da publicidade. disse:

    [...] Marcos Brod era um educador metódico e exigente. Relembrei de suas aulas quando li o artigo do Gui Pignata. No texto, nosso companheiro da Casa, cita a frase que Newton César usa para apresentar o livro [...]

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