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Nosso direito legítimo ao cansaço

20 outubro 2008 1 comentário escrito por lenise

cansaco01 thumb Nosso direito legítimo ao cansaço

Comecemos esta coluna com uma mãozinha do bom e velho Houaiss:

CANSAÇO

Acepções

■ substantivo masculino

1 efeito de cansar(-se); estado de fadiga provocado por esforço físico ou mental ou por doença

2 Derivação: sentido figurado, estado de aborrecimento; tédio

Visto que para um processo criativo satisfatório temos de suar a camisa, o que nos sobra então depois dos 99% de transpiração e 1% de inspiração? Quem respondeu “uma idéia do caralho” acertou, mas quem disse “cansaço”, também. Isso mesmo, meu caro criativo: cansaço, muito cansaço.

Como o bom Houaiss disse aí em cima, o cansaço é a fadiga provocada pelo esforço, no nosso caso, mental. Descobrir a pólvora e a receita da Coca–cola todos os dias cansa muito. E ainda tinha uma secretária na agência onde eu trabalho que dizia: “Você é da criação, né, então não faz nada!”. Claro que a desavisada durou pouco no cargo, então para desavisados como – a famigerada secretária – eu digo que as longas horas navegando a esmo na internet a procura de um insight, ou coisa que o valha, nos custa o cansaço de mil toneladas no fim do dia.

Mas aí eu te pergunto: apesar do sofrimento, não seria o cansaço uma das nossas ferramentas de trabalho?

Atirem-me pedras, mas não sem antes me dizerem a uma só voz: de onde vem o novo, de onde nascem os trabalhos mais bacanas que a gente vê no CCSP e morre de inveja?

Do can-sa-ço! Pronto, falei!

O trabalho criativo exige que estejamos cansados. Roland Barthes já dizia que as coisas novas nascem da canseira, da encheção. Pois ele considerava o cansaço algo criador, algo que nos impulsiona a fazer melhor do que estamos acostumados, e que por mais cansados que às vezes pareçamos estar não deixamos de executar nosso trabalho. Acima de tudo, é nescessario estar cansado ao extremo – e quando digo cansaço, não me refiro ao corpo tão somente, me refiro ao enfado das idéias requentadas, ao enfado da falta de tempo, da “semnoçãozice” e da mesmice. Pois é nesse momento que a fadiga se converte em vida e em fôlego para o novo!

Então, criativos do mundo, cansai-vos!

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Lenise Lenise Regina, 30, está redatora publicitária até o próximo anúncio, quando então seu chefe descobrirá que "Lenise" é um pseudônimo e que "Regina" é apenas um desejo antigo de nobreza; sendo assim, ele não hesitará em lhe dar um pé na bunda e revelar-lhe-á que a monarquia no Brasil foi extinta desde 1889. Escreve para a Casa do Galo quinzenalmente às segundas-feiras.

leregina@gmail.com | http://www.nimboblog.wordpress.com


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