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Não há comportamento à prova de balas

31 março 2009 12 comentários escrito por Rafael Amaral

comportamento thumb Não há comportamento à prova de balas

Todo o papo de humanização das marcas me fez pensar em uma coisa um tanto óbvia. Em um mesmo dia, duas pessoas representando marcas de editoras diferentes tentaram me vender revistas na rua.

A primeira me parou e perguntou: moço, você tem cartão de crédito? Ahn, tenho. Então vem cá que você vai ganhar uma revista. Ahn, tá.

Abordagem estranhíssima, bem similar a essas que a gente percebe nos semáforos, mas tudo bem, não fosse a enganação. A editora não ia me dar uma revista e sim um desconto na assinatura. Quando recusei, me deram um exemplar e, olha que chique, eu pude escolher entre 3 publicações. Todas semanais, de 14 meses atrás.

A segunda me abriu um sorriso e pediu por favor para me mostrar uma revista. Parei e ouvi, claro. Toda atenciosa, me contou sobre a revista e o projeto social que estava por trás com toda a educação. Comprei e ainda ganhei um ‘Muito obrigado, Rafael. Tenha um bom dia’.

A questão é: pessoas são pessoas.

Você pode impôr ao caixa do McDonald’s que seja simpático, atencioso e educado com todos os clientes. Se ele estiver de mau humor, magoado ou simplesmente for um chato, basta o gerente virar a cara para ele fechar a própria.

E todo o planejamento, aquela estruturação que parece infalível e que tinha tudo para bombar pode morrer com um simples gesto de má vontade da pessoa que está lá na ponta do processo. A pessoa que vende, comunica e interage com outras pessoas.

Tudo pelo simples fato de pessoas não serem previsíveis e toda e qualquer ação de comunicação ser uma espécie de tiro de escuro com as arestas aparadas, otimizado, para dar certo. E é aí que está a graça da nossa profissão.

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Rafael Rafael Amaral, 21, é planner na Super Produções e blogueiro do Estagiaridade. Escreve para a Casa do galo às terças-feiras.

omaioremaildorafa@gmail.com | http://www.estagiaridade.com/


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12 comentários »

  • Cyntia Bravo disse:

    Rafael,
    Isso me faz lembrar as vezes em que passo pelos corredores da faculdade e me abordam dizendo que “vou ganhar uma revista”. Nunca aceitei o convite porque tenho medo desse tipo de abordagem. E se eu chego lá e me obrigam a ficar com todos os exemplares de todos os anos possíveis? Rs*
    Na verdade, como você comentou, se a “ponta da espada” não estiver afiada, de nada vai adiantar o esforço do cavaleiro. Por isso vemos nossos serviços públicos tão mal assistidos. Fico tensa quando preciso usar algum deles, pois sei que serei tratada como um grão de poeira no meio da areia a praia.Rs*
    A cara do produto com certeza é quem tem maior acesso ao cliente. Se todos entendessem isso, o mundo seria mais colorido! Rs*
    Bjus,
    Cyn

    [Responder]

  • Felipe Carriço disse:

    Bacana seu post. Algumas empresas se esquecem da reta final dos processos, deixando que a qualidade caia absurdamente.
    O elemento humano é um dos, senão o mais importante dentro de uma organização, e a motivação destes é fator decisivo na intenção e realização do consumo.
    Dá-lhe endomarketing e incentivos.

    [Responder]

  • Geraldo Franca disse:

    Essa questão levantanda é bem pertinente. Outro dia na faculdade discutiamos porque muitos empresarios acham que a publicidade vai salvar o negócio deles. A publicidade faz o cliente ir até a loja, se lá esse cliente é mal tratado, não volta mais.

    O que leva a fidelidade, dentre outras coisas, está a experiência, e uma série de experiências ruins não tem publicidade que resolva.

    Abraços e Parabens pelo sucesso no blog.

    [Responder]

  • Patrick Aguera disse:

    Percebo isso diariamente, estudando marketing e trabalhando, vejo cada ato mal pensado dos funcionários da empresa.
    Creio que a única solução é aliar ao endomarketing uma política de dialogo aberta, e com isso a compreensão de momentos ruins da vida dos “parceiros”, aquela velha troca em que todos ganham e que geram compromentimento com os pequenos atos diários.

    [Responder]

  • Tiago Moralles disse:

    Bota graça nisso.

    Boa observação Rafa.

    [Responder]

  • Veronica disse:

    Seus artigos são ótimos.
    Esses dias estávamos num restaurante, eu + 2 amigos, e um rapaz nos abordou. Entregou umas 30 bolachas de chopp (material de divulgação), pediu para tirar foto e foi embora.
    Comentei com meus amigos: “nossa, todo esse material desperdiçado! olha o custo disso pro cliente!”
    eles responderam: “ah, deixa o cara. hj é sexta-feira. coitado.”

    Como vc disse, de nada adianta, se lá na outra ponta do processo, tudo for por água abaixo.

    [Responder]

  • Manuela Matias disse:

    Concordo, Rafael. A parte ‘humana’ do projeto conta muito, principalmente quando se trata da fidelização do cliente. Endomarketing é mais que necessário…!

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  • Luiza Prado disse:

    Olá Rafael. =)
    Comigo são os cursos de inglês e informática, já chegaram a estranhisse de no meio aquele pequeno questionário que fazem, perguntar se eu preferiria coxinha de frango ou de carne (?),não sei se era alguma pergunta de lógica, ou eu ia ganhar uma coxinha,além do descontaço de 5%.Depois dessa me transformei em Clerenice e meu número detelefone tem 8 dígitos.rs

    “Tudo pelo simples fato de pessoas não serem previsíveis e toda e qualquer ação de comunicação ser uma espécie de tiro de escuro com as arestas aparadas, otimizado, para dar certo. E é aí que está a graça da nossa profissão” (Gostei)

    É,tem diversas formas de vender seu produto,já tratando-se de comunicação, é contexto, tudo faz parte de um corpo, se falta algo é como se fosse um membro, vai fazer falta, não vejo saída para fugir disso.

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  • Kenzo Kimura disse:

    Levanta a mão quem aqui já foi persuadido por alguma ligação de telemarketing.

    Caso encerrado.

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