No futebol (e na publicidade) é só não errar
“Vamos jogar no erro do adversário”. Frase clássica hoje em dia nos gramados brasileiros entre quase todos os técnicos. Ou seja, fazer o famoso feijão-com-arroz, sem inventar demais, esperando a hora certa de aparecer para atacar com segurança. Lições futebolísticas que a publicidade parece ainda não saber aproveitar muito bem, o que ficou ainda mais claro no fim de semana de tantas finais estaduais pelo Brasil.
Em São Paulo, o capitão da equipe do Corinthians, campeã paulista, no momento de glória para levantar a taça (e fazer valer os muitos centavos do patrocinador), quase pega fogo! Justamente no ápice de elevar a marca do clube, da federação de futebol, dos patrocínios, e até do esporte em si, ocorre esta pseudo-fatalidade.
Não importa agora de quem é a culpa. Foi um exagero, um excesso, uma ganância de mídia tamanha de todos os envolvidos, que só poderia ter dado errado. Sem falar na organização. É aquela história: quem quer aparecer demais, acaba aparecendo mesmo. Só que mal.
No Rio, parece que foi o contrário: faltou visibilidade. O time do Flamengo, de maior torcida do país, disputava não só mais um título estadual, mas a chance de ser tricampeão pela quinta vez na história e ser recordista de títulos no estado. Momento mais do que perfeito para inserir a logo de sua empresa nas camisas, bonés, e microfones de coletiva de imprensa, certo? Não.
O que vimos foram uniformes ainda com o patrocinador antigo, com faixas pretas para tampar o patrocínio anterior da Petrobrás. Parece que houve cautela demais nas negociações, burocracias e fatores “extra-campo” para não terem aproveitado tal chance de mídia. Nem os famosos anúncios de oportunidade pós-jogo puderam ser desfrutados.
É inegável que a publicidade somada ao futebol é de grande poder. Por isso os excessos na comemoração em São Paulo e a cautela em fechar a parceria no Rio. Todos querem aproveitar da melhor forma essa fatia publicitária.
Porém, são nesses momentos que percebo que o óbvio também é necessário. Antes de qualquer conceito criativo, de qualquer planejamento estratégico, precisamos aproveitar as oportunidades. São elas que também contribuem, e muito, para a visibilidade de uma marca, e principalmente, sua percepção.
Então é preciso aproveitá-las. Não podemos errar no mais básico. No ponto de partida para qualquer projeção maior, seja na publicidade ou no futebol.
Porque o ideal não é jogar só no ataque ou só na retranca.
É jogar com inteligência.
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Renan Corrêa, 24, é redator publicitário, mesmo sua família não entendendo o que isso significa. Já passou por grandes empresas e agências, conquistando prêmios estudantis e profissionais. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às terças-feiras.
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