Nesse momento de serenidade, escolha pelo melhor
Outro dia chegou à minha casa um folder diferente. Ele mostrava um gramado verde e calmo. Com um fim de tarde muito inspirador, que você poderia ficar a vida toda olhando para ele. E na imagem, vinham os seguintes dizeres: “Nesse momento de serenidade, escolha pelo melhor”. Era um folder de um cemitério.
Todo mundo fala das propagandas em televisão, nas redes sociais, no rádio e até aquelas que vemos na praia que cruzam os céus em aviões teco-teco. Mas o que essas propagandas têm em comum? Um produto “fácil” de vender.
Sempre vemos um novo sabor de refrigerante, um novo modelo de carro, uma repaginada no conceito de uma loja, ou uma bolsa que está na última moda. Todos são produtos e serviços de consumo, que criam aquela vontade de comprá-los ou contratá-los.
Mas e os produtos que ninguém quer comprar? Isso mesmo, existem produtos que ninguém quer comprar. E, vejam só, existe um planejamento de marketing por trás deles, que resulta em alguma forma de comunicação com o mercado. E esses produtos vendem mesmo sem ninguém procurá-los.
Estou falando de produtos como caixões, seguros de vida, planos funerários, entre outros. Coincidência ou não – mais provável que não –, os produtos menos desejados estão relacionados à morte.
Esses produtos possuem características pouco comuns como, por exemplo, o preço totalmente variável (dependendo do desespero do familiar), o local onde você pode encontrar esses produtos (sempre muito restrito) e o fato de ninguém conhecer esses mercados, e suas marcas, com profundidade.
Imaginem vocês em um estudo do planejamento de marketing dessa empresa. Imaginem ter que estruturar o briefing. Vão usar o Twitter com as novidades que rolam no cemitério? Ou uma chamada de 30 segundos falando como seu caixão dura mais que da concorrência. Quem sabe uma página inteira em um periódico, falando que devemos ter um seguro de vida, pois quem morre deve mostrar que ama os que ficam (!?).
Parece estranho, mas essas empresas têm que se vender. Na hora H qual empresa você vai escolher? Posso este indo longe em um assunto sem muito futuro. Mas vale lembrar que eu recebi um folder de um cemitério. Certamente alguém, em alguma hora, construiu esse folder. Houve um planejamento, um processo de redação e design.
Se vocês acham que o mercado onde seu produto ou serviço está posicionado é complicado, vale lembrar que sempre existem os que ninguém quer conhecer. E eles também merecem um planejamento de marketing.
Ainda assim, prefiro não vou escolher o meu cemitério tão cedo. Deixo isso para os outros!
Abraços, Patrick.
*Imagem: “The Death of Marat” – Jacques-Louis David (1793)
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Patrick Estrabom, 24, é engenheiro de formação, pós-graduando em marketing e quer um dia que peçam um autógrafo dele na rua. Vive além do mundo das baias das empresas multinacionais, co-criando o site Que Tal Isso?, dedicado à criatividade e inovação. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quintas-feiras.
patrick@quetalisso.com.br | http://quetalisso.com.br
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Bom por essa perspectiva não tem desculpa pra falta de criatividade e inovação.
Quando achares difícil posicionar um refrigerante ou uma rede de lojas, pense que difícil é posionar plano funerário.
http://www.youtube.com/watch?v=RkoRDFjBh44
http://www.youtube.com/watch?v=LR5mZqeDNtg
http://www.youtube.com/watch?v=BOuHaTt2XUw
http://www.youtube.com/watch?v=FSL0gAbLcQ4
Comerciais da Thai Life Insurance.
Se não me engano, chegaram a ganhar prêmios por esta série…
[...] · Auto-Ajuda e Desenvolvimento Humano · Ciências Biológicas e Naturais … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
Foi bom alguém ter abordado o assunto,pois esta semanda mesmo constatei que em minha cidade(200 mil hab)só existe 2 empresas de serviços funerários,mas que são do mesmo dono,sem diferença no preço.Ou seja,simplesmente não existe concorrência,e,como depois de usar os serviços ninguém reclama(ou volta pra reclamar), subtende-se que não exista a mínima possibilidade nem espaço para uma outra empresa concorrer com os “clientes”.
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