Nada do que você já não saiba
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“Sei que às vezes uso palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas?”. É, odeio essa sensação de dizer sempre a mesma coisa, ouvir a mesma coisa e ver a mesma coisa. As informações se repetem. A diferença é que algumas vezes você presta atenção, outras não. A razão disso? Simples. Só passa a ser interessante aquilo que te toca. O dedo precisa ir lá dentro, dar um cutucão na alma e voltar. Caso contrário, a surdez seletiva tem grandes chances de virar crônica. O fato é que não depende só da gente, os outros precisam falar de forma tocante. Fiquei pensando nisso na terça-feira, ao participar do segundo dia do New Brand Communication.
O objetivo maior do evento era compartilhar idéias. “Good people share”, by Russell Davies. Falou-se muito também em conhecimento cultural. Promover identificação através da cultura. A utilização dos nossos pixels, ou seja, o que jogamos na Internet é trash ou é útil? Enfim. Essa nova, ou não tão nova, forma de pensar a respeito da comunicação não é nada do que a gente já não saiba. É a mistura criativa. O boteco onde todo mundo se encontra. Quantas vezes sua mãe dizia para você dividir seu brinquedo com o irmão mais novo? Cara, é isso. Dividir. De novo: nada do que você já não saiba. Agora, raios, por que isso não faz logo sentido pra gente?
Achei interessantíssimo o conceito do The Future Department. E, sim, acho que fui tocada na alma (que bonito isso). O futuro da comunicação é do irmão mais velho que sabe dividir. Grandes trabalhando com pequenos. Pequenos trabalhando com freelas. Freelas trabalhando com outros freelas. Moléculas trabalhando com átomos. Mistura de etnias. Mistura de talentos. Cinema, arquitetura, sociologia, psicologia, publicidade, fotografia, artes…
Será que estamos preparados para isso? Sei não. Tenho minhas dúvidas. Ainda tem muita gente com medo de gastar o cartão de visita com o “concorrente”. E que venha o brainstorm global e a geração publicitária gente boa. Pois é. Sua mãe tinha razão quando falava para você dividir.
Nada do que você já não saiba.
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Verônica Porsani, 24, é redatora publicitária e acha muito estranho ser chamada de redatora. Já passou por cliente, veículo e agência. Defende a propaganda bom senso - engraçadinha, eficaz, porém ética. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.
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