Monólogo e outros reclames
Ok! Descobri que nem sempre aquilo que você diz corresponde ao que pensa de verdade. Deduziu que assim se livraria de mim? Que eu o abandonaria? Enquanto você se esconde atrás dessa postura inocente, pobre vítima, saquei que além de não dizer o que pensa, você anda distorcendo minha imagem por aí e resolvi ficar de olho.
Não é justo que qualquer um que fale com você, em qualquer lugar, de alguma maneira acabe com uma opinião ruim a meu respeito. Eu nunca desconfiaria de você, sabia?
Jurei que nossa relação era uma coisa de pele. Ainda sou jovem demais para entender os riscos do nosso caso, principalmente quando você se ausenta por algum tempo. Essa sua mania de falar de mim parece grudar mais nas pessoas do quê o que eu digo de bom. E olha que você nem é pago para isso.
Se grito a todo mundo e chamo sua atenção, é pra nunca deixar você sozinho, onde quer que vá. Mesmo que você não pense em mim eu sempre vou estar. Então, chega de se queixar do meu exibicionismo. Tudo que eu faço é por você, até quando exagero.
Quer saber? Se não fosse eu, você nem existiria lindo assim. Eu alimento você, levo você para viajar. Por você exalo odores. Subo paredes. Viro música de rádio ou capa de revista. Visto você com as melhores roupas. Ajudo na escolha do carro e até do seu massagista. Por você enfrento os piores desafios e parto para o boca a boca se necessário.
Lembra daquele meu amigo alemão, o Reclame? Sabe por que ele de repente desapareceu de circulação? Pergunte o que significa uma pessoa como você com um Tivo na mão.
Demorei a ver sua face ingrata. Cheio de ironias, bancando justiça com antigas amarguras, me culpando dos seus vícios. Outros amigos já haviam passado por problemas parecidos, tendo que cercar você de outras maneiras. E eu aqui, tentando diversificar meus argumentos, alinhar nosso diálogo até por que sei que tenho um compromisso com você.
Não por acaso adivinho suas vontades. Quer ver? Repete comigo: bocejo, isso mesmo: bo-ce-jo. Você está bocejando agora? Ainda não, mas esta sentindo os primeiros indícios de um bocejo? Eu estou. Não porque estou entediada, cansada de pedir sua atenção. Estou bocejando como você por que acabei de escrever a palavra bocejo. Ela até é uma ordem. Mas antes disso é minha missão – antecipar suas reações. Eu sei o que você quer e como você gosta.
Apesar de tudo só me importa saber que você reage a minha presença como a de um santo, que meu sutil ataque sensorial que atiça suas narinas, ouvidos e pontas dos dedos da mesma forma, leva você aos céus. E quando mostro alguém sorrindo você é capaz de fazer o dobro do que peço.
Fique tranqüilo não vou apelar pro sexo, agora sei que se algo é memorável por causa do choque que lhe causou, o que faz você acreditar em mim, é o amor.
Esse monólogo da propaganda foi inspirado no livro A lógica do consumo – Verdades e Mentiras sobre por que compramos de Martin Lindstrom. Mas poderia ser sobre qualquer outra relação, subliminar ou não.
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Iasnara Amorim, 29, Pré-publicitária e pseudo-contista. Abandonou a Veterinária por amor aos animais. Trocou Administração por Propaganda, numa passagem pelo Marketing quando foi esporada pela Publicidade. Atua na Promoção e Produção de Eventos, transformando figurinhas em metragens e cifrões. Vislumbra um futuro de Planner, por faltar insanidade criativa para a redação. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.
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Iasnara Amorim, 29, Pré-publicitária e pseudo-contista. Abandonou a Veterinária por amor aos animais. Trocou Administração por Propaganda, numa passagem pelo Marketing quando foi esporada pela Publicidade. Atua na Promoção e Produção de Eventos, transformando figurinhas em metragens e cifrões. Vislumbra um futuro de Planner, por faltar insanidade criativa para a redação. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras. 







Hahaha! Adorei!
Vida longa à propaganda!
[Responder]
Olha, eu não percebi, a culpa é minha!
Voce andou lendo a Super deste mês?
Agora tudo faz sentido!
Se você fosse Deus, eu seria um médium agora, precisando de uns sussurros! Que seria do meu entendimento sem o seu intermédio!
Agora sim, achei genial!
[Responder]
A propaganda morreu!
E não foi eu, nem a Iasnara e nem o Lindstrom que matamos!
(Risos)
Ótimo Post!
[Responder]
Das maneiras mais cultas de se falar algo tão coloquial quanto a propaganda.
Dá-lhe, Ias.
Vai pra Paraty?
[Responder]
Jock; tava ouvindo Ângela Ro Ro.
Zimiani; nem vem que já te expliquei tudo.
Geraldo; é verdade – somos inocentes.
Maurão; ai… Paraty, bem merecia.
[Responder]
Subliminar.
Subjetiva.
Apaixonante.
Intrinseca.
Profunda.
Poética.
E, acima de tudo,
Mulher.
Nada de propaganda hoje.
Hoje, você foi Iasnara.
[Responder]
Êta porra, dá até vontade de ir para Araguaína tomar uma pinga e dançar um forro.
Ótimo.
[Responder]
Ia, é aquilo que eu lhe disse hoje pela manhã: adoro a forma poética como você fala da propaganda (e sim, eu entendo direitinho o que você fala
)
Bê & Jôs
[Responder]
ai Tiago; ai ai. vc me dá inspiração para ganhar dinheiro.
Leonardo; seu mauzão. Faz isso, lagar tudo e vai morar com os índios.
André; sou do tempo da publicidade romântica.
[Responder]
[...] e Produção de Eventos, transformando figurinhas em metragens e … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
Não caio mais nessa. Você vem assim, sabendo que adoro, conscientemente inconsciente, todo esse discurso, mas fez questão de se livrar de mim logo na chamada. Meu amor não se mantém com seu monólogo, e é por essas e outras que estou te deixando. Não me ligue, não me mande email, não invada meu espaço, queridinha… até que aprenda que só nos daremos bem quando houver diálogo. Mas, confesso, fico aqui te admirando silente e considero seus esforços. Às vezes até faço o que você pede, que é pra você continuar assim, perto e tentando. É meu jeito e, mesmo eu aqui e tu aí, vamos experimentando, devagar, e vislumbrando um futuro melhor; juntos.
[Responder]
ai que delícia Ju.
[Responder]
Quando digo que sou fã da Iasnara não minto.
Eis aí o motivo: ela escreve maravilhosamente bem.
Ótimo artigo. Parabéns.
[Responder]
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