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Metáforas e modelos mentais – você tem sede de quê?

15 setembro 2008 1 comentário escrito por lenise

raio_x1 ˝A cerveja que desce redondo˝, ˝a cerveja que refresca até pensamento˝, ˝o banco da sua vida˝, ˝escute seu corpo˝ ˝Red Bull te dá asas˝, enfim eu poderia listar aqui de uma série de slogans que caíram na boca do povo.

Nossa simpatia pela metáfora não escolhe posição geográfica, social ou religião. O senhorzinho da padaria da esquina faz metáfora, o empresário do carrão bacana também e a modelete boazuda idem, enfim o que emerge a nossa mente e se expressa em palavras o faz por meio de metáforas.

E por que os mesmos recursos de linguagem são utilizados para acessar cérebros de pessoas de universos tão diferentes? O professor Gerald Zaltaman, estudioso da mente do consumidor, da Universidade de Harvard, concluiu que criamos os mesmos modelos mentais porque necessitamos das mesmas coisas, assim se a modelete, o empresário e o doninho da esquina estiverem com sede, provavelmente vão se lembrar da cerveja que refresca até pensamento, se quiserem uma energia extra, talvez se lembrem de que o produto lá pode lhes dar asas e por aí vai.

Estima-se que usamos 6 metáforas a cada minuto em nosso discurso oral e que é por meio dela que afloram nossos pensamento mais inconcientes.

As associações de bundas e mulheres gostosas com cerveja sempre me irritaram, mas é esse o modelo mental que é formado na cabeça do brasileiro bebedor de cerveja ou pelo menos se pressupõe. Na verdade, não há 100% de certeza desta preferência, visto que uma parte desses bebedores de cerveja são mulheres. O que as pesquisas cognitivas buscam são aproximações, por isso a publicidade sempre ataca as emoções, que continuam sendo o carro chefe, pois afloram juntamente com um zilhão de informações que não há como serem decodificadas, sendo assim apostar na emoção é o mínimo que a publicidade pode fazer, já que 95% do pensamento é inconciente e o que escapa é apenas um mísero fragmento que é preciso tentar interpretar. Na verdade, enquanto criamos pensando num consumidor, estamos tentando não errar nos 5% que nos cabe.

Celso Figueiredo diz que uma mensagem publicitaria satisfatória deve focar nos valores do consumidor e depois tentar acochambrar esses aos valores reais do produto. O consumidor acredita que é o que o produto faz com que ele pareça. Mesmo se tratando do mesmo produto, cada qual cria um para si, numa relação de ex-clu-si-vi-da-de.

Modelete sente sede, empresário sente e o senhorzinho também, mas o modo como a sede se materializa para cada um, nem eles mesmos saberão ao certo, pois se escondem naquele lugar inacessível do cérebro, portanto temos poucas chances de acertar um palpite. Então continuaremos tentando, seja com popozudas, sirizinhos com bunda de fora, mantras, afinal de contas, somos criativos não é mesmo?

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Lenise Lenise Regina, 30, está redatora publicitária até o próximo anúncio, quando então seu chefe descobrirá que "Lenise" é um pseudônimo e que "Regina" é apenas um desejo antigo de nobreza; sendo assim, ele não hesitará em lhe dar um pé na bunda e revelar-lhe-á que a monarquia no Brasil foi extinta desde 1889. Escreve para a Casa do Galo quinzenalmente às segundas-feiras.

leregina@gmail.com | http://www.nimboblog.wordpress.com


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1 comentário »

  • Nauro Rezende Jr disse:

    Oi Lenise, bem interessante teu post.

    A metáfora é mesmo uma parte importante dos nossos recursos de fala, alguns estudiosos inclusive consideram a metáfora o instrumento mais poderoso que temos pois e ela que nos permite criar novos contextos para o uso de palavras e expressões que já existem.

    A metáfora é uma mudança de “rotulagem” e quando ela acontece carrega consigo toda uma familia de rótulos que nos permitem entendê-la e extender a nossa visão do mundo.

    A metáfora ainda é uma ponte entre o mundo ficcional e o mundo real por isto ela é tão usada para a publicidade, pois ela liga a fantasia da mulher bunduda e cerveja ao mundo dos homens barrigudos e sem noção. :)

    [Responder]

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