McDonald’s – da família feliz ao atendimento solitário
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Quarta-feira, 20 de agosto de 2008.
Dia de resolver assuntos pessoais, logo, dia de não ter tempo para o almoço. Poucos minutos antes das duas da tarde titubeio entre entrar no McDonald’s ou comer correndo comida fria em algum ‘quilo’. Escolho a primeira opção pela pressa, e pela facilidade de poder comer em minha mesa. Com o pedido em mãos, vou me sentar sem perceber que esse não era o plano, e assim nasceu esta coluna.
Para mim, ir ao McDonald’s era sinônimo de dia feliz. Aquele dia que minha família combinava de ir ao shopping para almoçar e fazer compras. Desde a TV nova que minha tia comprava para o quarto, até a blusa que minha mãe comprava e depois não conseguia usar. No final daquele dia cansativo, batendo pernas, a família faminta parava no mais famoso fast food para se alimentar.
O mini-estômago das crianças da família Rocha era incapaz de suportar o tal do Big Mac, mas o prazer em nos ver cantar em uníssono ‘Dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e picles, em um pão com gergelim’ fazia com que os adultos permitissem nosso pecado da gula. Enquanto criança, nem eu, tampouco meu irmão ou meus primos, sabíamos o que era picles, e só começamos a tirar esse treco verde do meio do pão quando descobrimos que ele pertencia à família dos legumes, afinal, este tipo de alimentação é uma afronta ao código infantil.
O meu dia feliz seria igual ao do filme da TV, não fosse o fato do formato da minha família ser um pouquinho diferente: troca todos os cabelos louros por castanhos, tira o pai e inclui uma tia e avó, mantém um irmão e troca os outros por dois primos. Sempre me lembro de um garotinho que fechava estes filmes dos anos 80 e/ou 90, mastigando uma batata frita enquanto sorria com seus pequenos dentes de leite para a câmera, ele era a personificação da felicidade do almoço no McDonald’s, e eu no esplendor da minha infância sequer sabia que essa palavra existia, muito menos que se tratava de marketing, mas, captei a mensagem tão bem que ela permaneceu até hoje.
Adorei por muito tempo o aroma que aquele restaurante emanava, quase que como uma aura mágica colorida de amarelo e vermelho, mas em algum momento na história a magia se desfez e o meu olfato mudou de opinião a ponto de só reconhecer o odor químico das comidas industrializadas.
O frescor das cenas dos almoços felizes deu lugar a um grupo de jovens que ‘Amavam muito tudo isso’, mas, o que é esse tal de ‘isso’? O fast food que de tão fast virou sinônimo de trash food atrai apenas homens engravatados e mulheres de negócio no horário de almoço dos dias comerciais. Eu fazia parte daquela dicotomia, o festivo Salão do Ronald repleto de pessoas almoçando sozinhas, sem conversas, sem risadas, apenas a pressa em devorar o lanche e o cuidado de não encarar o cidadão à frente. Pobres crianças grandes, que de tão sozinhas seguravam com uma das mãos o hambúrguer e com a outra, o seu melhor amigo e brinquedo, o celular.
Neste dia, queria ter tido a coragem de oferecer Free Hugs, para ver se os fazia pelo menos sorrir, mas as pessoas não estão prontas para este tipo de afeto, tampouco eu. Parei de olhar para o meu celular e o enxerguei de fato, e me dei conta que havia demorado demais com o almoço. Saí de lá correndo com uma sensação de vazio e com a certeza da azia que sinto todas as tardes quando almoço no Mc.
Sábado, 30 de agosto de 2008.
McDia Feliz. Eu, meu namorado e sua família fomos jantar no McDonald’s para ajudar as crianças com câncer. Como há muito não acontecia comigo, o Big Mac estava saboroso e todos a minha volta pareciam felizes, inclusive eu.
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Bruna Rocha, 24, é atendimento da LongPlay360°. Tem um passado meio obscuro na área comercial, onde aprendeu as maravilhas do excel. Seu sonho reprimido é ser redatora, mas nunca tentou fazer um portfólio. Escreve para a Casa do Galo às quintas-feiras.
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Este artigo tem as seguintes tags: fast, food, hamburger, McDonalds, pressa, saúde

Bruna Rocha, 24, é atendimento da LongPlay360°. Tem um passado meio obscuro na área comercial, onde aprendeu as maravilhas do excel. Seu sonho reprimido é ser redatora, mas nunca tentou fazer um portfólio. Escreve para a Casa do Galo às quintas-feiras. 







Artigo sensacional, mais uma vez!
Pena que o Mc Dia Feliz é uma farsa pra vender números 1, e nao apenas Big Mc.
Apesar de eu não gostar do McDonalds, eu adorei o post. Bela reflexão.
Sensacional mesmo!
Você escreveu o 700o artigo da Casa.
Pelo menos agora eles escrevem que parte da venda dos lanches, e não os números serão comvertidos para as instituições, e ainda colocam entre parênteses “com exceção de alguns impostos”.
hehe
bjOs.
Mesmo adorando esse fast food, limito minhas ídas ao memso devido ao número de gorduras emanadas pelos lanches. Mas realemnte é isso o que acontece hoje em dia, a pressa toma conta do horário e as pessoas limitam seu tempo a um lanchinho rápido e mudo.
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