Home » alimentos e bebidas, dia-a-dia

McDonald’s – da família feliz ao atendimento solitário

4 setembro 2008 6 comentários escrito por Bruna

super_size_me

Quarta-feira, 20 de agosto de 2008.

Dia de resolver assuntos pessoais, logo, dia de não ter tempo para o almoço. Poucos minutos antes das duas da tarde titubeio entre entrar no McDonald’s ou comer correndo comida fria em algum ‘quilo’. Escolho a primeira opção pela pressa, e pela facilidade de poder comer em minha mesa. Com o pedido em mãos, vou me sentar sem perceber que esse não era o plano, e assim nasceu esta coluna.

Para mim, ir ao McDonald’s era sinônimo de dia feliz. Aquele dia que minha família combinava de ir ao shopping para almoçar e fazer compras. Desde a TV nova que minha tia comprava para o quarto, até a blusa que minha mãe comprava e depois não conseguia usar. No final daquele dia cansativo, batendo pernas, a família faminta parava no mais famoso fast food para se alimentar.

O mini-estômago das crianças da família Rocha era incapaz de suportar o tal do Big Mac, mas o prazer em nos ver cantar em uníssono ‘Dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e picles, em um pão com gergelim’ fazia com que os adultos permitissem nosso pecado da gula. Enquanto criança, nem eu, tampouco meu irmão ou meus primos, sabíamos o que era picles, e só começamos a tirar esse treco verde do meio do pão quando descobrimos que ele pertencia à família dos legumes, afinal, este tipo de alimentação é uma afronta ao código infantil.

O meu dia feliz seria igual ao do filme da TV, não fosse o fato do formato da minha família ser um pouquinho diferente: troca todos os cabelos louros por castanhos, tira o pai e inclui uma tia e avó, mantém um irmão e troca os outros por dois primos. Sempre me lembro de um garotinho que fechava estes filmes dos anos 80 e/ou 90, mastigando uma batata frita enquanto sorria com seus pequenos dentes de leite para a câmera, ele era a personificação da felicidade do almoço no McDonald’s, e eu no esplendor da minha infância sequer sabia que essa palavra existia, muito menos que se tratava de marketing, mas, captei a mensagem tão bem que ela permaneceu até hoje.

Adorei por muito tempo o aroma que aquele restaurante emanava, quase que como uma aura mágica colorida de amarelo e vermelho, mas em algum momento na história a magia se desfez e o meu olfato mudou de opinião a ponto de só reconhecer o odor químico das comidas industrializadas.

windowslivewritermcdonaldsdafamliafelizaoatendimentosolit 77fbwinehousefries thumb 1 McDonalds   da família feliz ao atendimento solitário O frescor das cenas dos almoços felizes deu lugar a um grupo de jovens que ‘Amavam muito tudo isso’, mas, o que é esse tal de ‘isso’? O fast food que de tão fast virou sinônimo de trash food atrai apenas homens engravatados e mulheres de negócio no horário de almoço dos dias comerciais. Eu fazia parte daquela dicotomia, o festivo Salão do Ronald repleto de pessoas almoçando sozinhas, sem conversas, sem risadas, apenas a pressa em devorar o lanche e o cuidado de não encarar o cidadão à frente. Pobres crianças grandes, que de tão sozinhas seguravam com uma das mãos o hambúrguer e com a outra, o seu melhor amigo e brinquedo, o celular.

Neste dia, queria ter tido a coragem de oferecer Free Hugs, para ver se os fazia pelo menos sorrir, mas as pessoas não estão prontas para este tipo de afeto, tampouco eu. Parei de olhar para o meu celular e o enxerguei de fato, e me dei conta que havia demorado demais com o almoço. Saí de lá correndo com uma sensação de vazio e com a certeza da azia que sinto todas as tardes quando almoço no Mc.

Sábado, 30 de agosto de 2008.

McDia Feliz. Eu, meu namorado e sua família fomos jantar no McDonald’s para ajudar as crianças com câncer. Como há muito não acontecia comigo, o Big Mac estava saboroso e todos a minha volta pareciam felizes, inclusive eu.

As ideias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.

Se você gostou deste artigo, assine o RSS feed da Casa do galo. Você também pode receber os artigos por e-mail.

Bruna Bruna Rocha, 24, é atendimento da LongPlay360°. Tem um passado meio obscuro na área comercial, onde aprendeu as maravilhas do excel. Seu sonho reprimido é ser redatora, mas nunca tentou fazer um portfólio. Escreve para a Casa do Galo às quintas-feiras.

brunarocha84@gmail.com | http://www.longplay360.com.br


Últimos artigos escritos por Bruna

Blog Widget by LinkWithin

Bruna já escreveu 37 artigo(s) para a Casa do galo.
Leia as colunas anteriores do(a) Bruna.

Este artigo tem as seguintes tags: , , , , ,


6 comentários »

  • Alessandro Ribeiro disse:

    Artigo sensacional, mais uma vez!

    Pena que o Mc Dia Feliz é uma farsa pra vender números 1, e nao apenas Big Mc.

    [Responder]

  • Tiago Moralles disse:

    Apesar de eu não gostar do McDonalds, eu adorei o post. Bela reflexão.

    [Responder]

  • Galo disse:

    Sensacional mesmo!

    [Responder]

  • Galo disse:

    Você escreveu o 700o artigo da Casa. :)

    [Responder]

  • Bruna (author) disse:

    Pelo menos agora eles escrevem que parte da venda dos lanches, e não os números serão comvertidos para as instituições, e ainda colocam entre parênteses “com exceção de alguns impostos”.
    hehe

    bjOs.

    [Responder]

  • Léo disse:

    Mesmo adorando esse fast food, limito minhas ídas ao memso devido ao número de gorduras emanadas pelos lanches. Mas realemnte é isso o que acontece hoje em dia, a pressa toma conta do horário e as pessoas limitam seu tempo a um lanchinho rápido e mudo.

    [Responder]

Deixe seu comentário!

Adicione seu comentário abaixo ou faça um trackback diretamente de seu site. Você pode também pode acompanhar os comentários deste artigo via RSS.

Esse blog utiliza o sistema Gravatar. Caso sua foto não esteja aparecendo em seu comentário, registre-se.

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.