Marketing Viral – Já chegou aí?
Muito se fala sobre esse assunto hoje em dia, principalmente, nos blogs desse mundo de meu deus. Aqui na Casa acho que ainda não falamos abertamente sobre, por isso resolvi abrir a discussão.
Costumo acompanhar muitas ações de guerrilha e campanhas na internet bem legais (talvez por trabalhar com isso), mas sempre me pergunto: será mesmo que o que eu vejo são virais? Ou melhor, será que estão virais? Virais são, pois é a intenção das ações. Mas será que o público-alvo dessas ações está, realmente, sendo atingido? Ou apenas os blogueiros e gente do meio publicitário é que fica por dentro?
Vamos do início. O princípio do viral é o famoso e “antigo” boca a boca, ou seja, eu recebo uma informação e posso fazer, pelo menos, três coisas:
1- Receber e não fazer nada;
2- Receber, gostar e repassar para um número x de pessoas com intenção positiva;
3- Receber, não gostar e repassar para o dobro (ou o triplo ou o que a Progressão Geométrica me permitir) do número x de pessoas com intenção negativa.
O Marketing Viral, obviamente, também parte desse princípio. Hoje, com essa tal de “internéti” e esse tal de “computadô que faz tudo”, ficou mais fácil para as marcas descobrirem onde está o seu target. Afinal, o que não falta na rede são sites de relacionamento, comunidades, grupos de discussão e pessoas querendo mostrar para outras pessoas os seus gostos, suas manias e, claro, “suas” marcas. Por exemplo, se eu sou fã da Coca-Cola, vou entrar na(s) comunidade(s) desse refrigereco no Orkut (aliás, se você é publicitário/marketeiro e acha que o Orkut ou qualquer outro site de relacionamento são tudo uma alienação da sociedade, já pode ir procurando outra profissão. Encare-os como uma ferramenta de trabalho. Um canal rápido e fácil para se conhecer o perfil do seu público atual). Se o Ronaldinho Gaúcho é o meu ídolo, vou buscar vídeos com grandes jogadas dele no Youtube.
Para quem não sabe, o que as empresas e as agências especializadas fazem atualmente quando querem criar virais e gerar o famoso buzz nas redes sociais da internet é, basicamente: criar alguma ação – de guerrilha ou não - e plantar o assunto nas comunidades, nos blogs (que muitas vezes possuem posts pagos sobre o assunto), nos fóruns, nos sites de broadcasting e em todo lugar da web em que se encontre o target. Além de muitas outras coisas. Na grande maioria das vezes, são criados perfis fakes para dar a sensação de veracidade à informação. Pois, teoricamente, um usuário comum não tem nada a ganhar falando bem ou mal de determinada marca. E isso torna a informação verdadeira. Afinal, você prefere acreditar num comercial que vende as features de Nokia ou no seu amigo que fala muito mal dela devido à péssima experiência que ele teve com a marca? Seu amigo não mentiria para você.
Aí você me fala: é, Alessandro, acho que a grande maioria dos autores e leitores desses blogs é composta por profissionais, estudantes e simpatizantes da Publicidade mesmo. Acho que os virais só rodam nesse “meinho”.
E eu te falo: bom, alguém tem que iniciar esses virais, certo? E nada melhor do que começar com os neoformadores de opinião. As campanhas são plantadas e alimentadas até que se propague por livre e espontânea vontade dos usuários.
Como já disse, essa explicação é bem superficial. Há muitas outras ações envolvidas.
Essas ações malucas que você vê nas principais avenidas da sua cidade, por exemplo, e que são chamadas de intervenções urbanas, não acontecem por acaso. São só o início. Elas são registradas e jogadas na rede – em forma de vídeos, fotos ou podcasts – e recebem um enorme esforço para se multiplicar, fazendo com que aqueles que não presenciaram tal maluquice momentânea, possam tomar conhecimento do que aconteceu. Visto que tais ações atingem apenas um pequeno número de pessoas.
Esses são só alguns exemplos do que o Marketing Viral é capaz. A verdade é que ele está aí, faz tempo, e tem tudo que é preciso para atingir e agradar os consumidores. Mas, repito: será que eles estão, realmente, sendo atingidos? Muitos, sim. Outros, não sei.
PS: a única coisa que eu detesto nesse assunto são aqueles metidos a espertalhões que quando descobrem um viral já lançam “Ah, isso aí é viral, certeza!”. Sim, é viral mesmo, e daí? Ta aí pra isso, oras.
Viralzinho da semana: o Blog de Blindness é nada mais que um diário de Fernando Meirelles sobre as filmagens de Blindness, o Ensaio Sobre a Cegueira. Talvez muitos de vocês ainda não conheçam, mas quem, realmente, curte cinema já está acompanhando e aguardando ansiosamente pela estréia do filme. Não sei até onde foram as segundas intenções desse blog para divulgar o filme, mas que está atingindo e agradando os apaixonados por cinema, isso está. Então, concluo que seja viral, mesmo sem marketing.
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Alessandro Ribeiro, 25, publicitário por formação e redator por profissão e falta de opção. Já passou por Submarino, Ideal Interactive e agora cola na Gruda em Mim (Que o Boi Não Te lambe). Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.
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Acredito que o texto trata o viral como algo que só vai rolar na internet, mas a finalidade é atingir os grandes públicos através da tv como no caso do vídeo do Ronaldinho fazendo aquelas embaixadinhas na trave… algo que foi hit nas tv’s brasileiras e tals…
Acho que é isso…
Com o viral também existe a questão que já abordaram aqui sobre a legalidade dos “merchans” em novelas. Muitas vezes o viral não é percebido como publicidade, então viral é ilegal?
Mas o viral pode ser uma publicidade escancarada…
Penso que a essência de um viral é uma ótima idéia. O problema é quem tem muita gente hoje que quer fazer um e-mail de mkt viral e acha que ele tem de ser simplesmente “engraçadinho” pra dar certo.
É o que o Alê disse, de repente a intenção nem é de que seja um viral, mas a idéia é tão boa/interessante que as pessoas sentem direito em dividi-la com os amigos.
Não adianta, a gente depende das pessoas para viralizar qq coisa, e de uma boa dose de sorte para estar na mídia certa e na hora certa.
O pior é que agora alguns pensam que tudo é “viralizável”.
“Ah, filmei meu pai cagando atrás da moita, vou viralizar”.
Viralizar, grande maioria, pequena maioria! Socorre, um vírus atacou!
Hehe.
Já peguei um biefing pra fazer viral. E fiquei com a impressão de que um viral pode surgir do brainstorm da Criação, mas nunca de uma solicitação de briefing. Porque pedir para fazer sucesso é tipo… “Faça uma campanha premiada.” “Faça uma novela que atinja 50 de audiência.” “Faça uma piada.”
Acho que pode surgir de uma solicitação de briefing sim. A questão é que não é simplesmente porque foi criado um videozinho com potencial viral, que ele vai necessariamente ser um sucesso de views.
O pai cagando atrás da moita pode muito bem ser viralizável. Depende apenas da forma escolhida para a propagação. Ah, e do jeito que o cara caga.
Sem contar que, nesse caso específico, seria uma cagada que só.
Aquiles, o objetivo do texto, na verdade, foi gerar uma discussão sobre o assunto mesmo. Tanto que preferi nem citar exemplos de virais que deram muito certo (como esse do Ronaldinho), deixando pra que vocês fizessem isso nos comentários. MAs que muitas ações dão a impressão que não saem dos blogs, isso dá, não acha?
Lucas, achei que você não acompanhasse mais a Casa hehe, mas não acho que o viral seja ilegal, não. Aliás, o bom viral é aquele que, realmente, não é percebido como tal. E isso está cada vez mais difícil.
Acho complicado afirmar que não sai dos blogs, não concorda? Por estarmos todos, de alguma maneira, inseridos neste meio e é dificil imaginar como as pessoas fora dele interagem, recebem e assimilam estas ações. Eu acredito sim que os virais chegam no seu público final e que são as pessoas do “meinho”que começam com sua epidemia. Afinal, nossas listas de email não contam somente com pessoas do meio, contam?
(Caso alguém clique no meu site não verá nada pois ainda não comecei o blog… hehehehehe… em breve estará no ar)
Concordo, Fino, por isso não afirmei. Disse apenas que, às vezes, dá essa impressão.
Falando em viral, aproveito para divulgar o viralzinho da Universal Pictures para a série Heroes. Entram e confiram: http://www.maratonaheroes.com.br/
Ótima dica, Ge. Ainda mais pra mim, que sou viciado nesta porcaria.
Engraçado, antes de estudar publicidade eu achava que viral, era somente como a antiga que a CocaCola fez nos cinemas há tempos, colocando flashs no meio do filme. O nome derivado de vírus refratava algo de ruim, nada seria bom vindo disso.
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