Marketing religioso, pela ótica de um ateu
Este artigo não reflete completamente minha opinião. Fiz um exercício para assumir o papel de um ateu, questionador e sem falsos moralismos. Acredito que desta forma conseguirei preservar minhas crenças e não fazer ofensa direta aos crentes em geral.
Não é segredo para ninguém que algumas igrejas utilizam o marketing religioso para seu próprio benefício. Por mais que este marketing religioso seja voltado para o bem da instituição, não há como negar que os programas religiosos da TV e do o rádio existem para coletar mais dinheiro.
Como disse há duas semanas, a retórica sempre foi fonte de poder, e foi através desta eloqüência que a igreja pôde arrecadar milhões para a construção de impérios. O dízimo, que significa a décima parte de algo, na antiguidade representava o imposto que era cobrado pelos reis em parceria com a igreja para subsídio do reino, logo, não há como se isentar da culpa de ter ganhado à custa da crença dos pobres.
E imagine o cenário com nossas igrejas protestantes, onde ninguém dá um dízimo menor do que R$5,00, porque isso seria passar vergonha na frente dos outros, e também porque o pastor diz que ser mesquinho não ajudará o fiel a se curar ou a encontrar um emprego. Este é o cenário mais rentável do mundo da fé. Sem dúvida, um marketing religioso danoso, que faz uso da retórica para usurpar da boa vontade das pessoas, com promessas de vida eterna, salvação, demonização, etc, em troca de dinheiro.
A Igreja Católica Apostólica Romana é a Rede Globo das religiões. É a que mais possui ‘burocracias’ para se tornar um fiel, batismo, catecismo, crisma, casamento, mas é a de maior credibilidade e comprometimento com a comunidade. Já as outras igrejas, principalmente as evangélicas, são os canais secundários da TV aberta, desesperadas atrás de share, uma espécie de varejo da religião, que investe em compra de mídia pesada. Grande parte possui influência junto aos políticos brasileiros, e faz uso desse poder para obter licença de canais de rádio e TV para divulgação diária de conteúdos religiosos.
Cada vez mais visto como negócio, as igrejas evangélicas chegam a investir em treinamento de seus pastores para que se tornem exímios retóricos, e está aí o diferencial que esta fazendo a igreja católica cair em desuso. E neste momento a relação de 80% de conteúdo e 20% de retórica, apresentada por mim na última semana, se torna completamente questionável, afinal, a retórica é sim um fator determinante na hora de um fiel ‘trocar’ de igreja.
Deveria existir um órgão que regulamentasse estas ações e programas, o único modo de evitar a veiculação de propaganda enganosa. Aliás, se não é propaganda enganosa oferecer a salvação em troca de alguns dízimos, só deve ser charlatanismo. Antes de você querer chamar o Papa para me excomungar, aqui é o momento de você ler o primeiro parágrafo novamente.
A expansão de religiões e templos é um dos motivos do marketing religioso ter se expandido, afinal, estão enfrentando concorrência. Assim, as possibilidades de aplicarmos as ferramentas do marketing para recrutar novos fiéis, seguindo a ordem que rege o mercado da oferta e procura.
Então é justo saber que a comunicação está sendo empregada para ludibriar pessoas, ou para arrecadação de dinheiro através da fé, sabendo que o que mais é pregado dentro de seus templos é a moral e os bons costumes? Depois, a fama de marketeiro dos infernos fica para gente. Graças a Deus, Deus está morto.
Leia aqui o trabalho completo de Eduardo Refkalefsky sobre Marketing Religioso.
[Leia o artigo: Marketing religioso, pela ótica da Igreja]
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Bruna Rocha, 24, é atendimento da LongPlay360°. Tem um passado meio obscuro na área comercial, onde aprendeu as maravilhas do excel. Seu sonho reprimido é ser redatora, mas nunca tentou fazer um portfólio. Escreve para a Casa do Galo às quintas-feiras.
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Novamente muito boa análise.
Tudo bem que mesmo com aquelas desculpas do primeiro parágrafo você sabe que já está condenada, né minha filha? Mas, podemos resolver isso, reze 3 pai nosssos, 3 ave marias e se puder e estiver ao seu alcance para que não sofra maiores penitências a conta para dízimos é esta… haha.
Abraços.
Tiago Fidelis Moralles’s last blog post..Tarô, búzios e cartomagia
Ótimo artigo.
Mas eu sou suspeito para falar, que que sou um ateu convicto.
É que deus me deu pouca fé.
Sou ateu graças à Deus.
Alessandro Ribeiro’s last blog post..Um dia continua (a continuação)
O pior foi o cagão do Ale me “agradecendo” por ter divulgado publicamente que ele é ateu.
Por que o senhor me obriga a responder seus comentários, hein? Lá vai:
Ao contrário de poucos, eu tenho família. E família evangélica, que vai desde minha mãe ao primo de décimo oitavo grau. E alguns desses parentes acessam este humilde blog. Apenas não quero confusão familiar pro meu lado.
bjo
Alessandro Ribeiro’s last blog post..Um dia continua (a continuação)
MUITO bom o trabalho do cara!
Muito livro que não conhecia na bibliografia.
Deus não está morto e dízimo é bíblico (´Malaquias 3.10).
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