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Imperialismo, lobbismo ou espiritismo de porco - Qual dos ismos move a Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa?

26 Maio 2008 7 comentáriosescrito por lenise

Após 37 anos, eis que um Novo Acordo Ortográfico firmado entre os maiores países falantes da Língua Portuguesa (Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Timor Leste) está aprovado.

O Acordo que deveria ter sido ratificado em 1994, não foi adiante pois apenas Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe foram os Estados membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa a assiná-lo.

E Portugal nesta história? Como deixar de fora de um Acordo em torno de uma Língua da qual este país é o berço? Sendo assim, por uma questão, digamos, política, os três apressadinhos tiveram de esperar. E não é que a espera rendeu bons resultados? Pelo menos para o Brasil, sim. O fato é que 14 anos depois; dos 230 parlamentares trás-os-montes, apenas 3 votaram contra a Unificação Ortográfica dos Países de Lingua Portuguesa, à revelia de todo o rebuliço de uma grande parte da sociedade lusitana que reuniu intelectuais, linguístas, escritores, historiadores numa cruzada contra o Acordo, numa petição online que já angariou cerca de 50 mil assinaturas.

Para nós as mudanças atingirão um percentual de cerca de 0,63%, no caso, são elas:

k, y, z passam a fazer parte do alfabeto oficialmente, sendo, portanto, agora, 26 letras. O bom e velho trema subiu de vez no telhado e desaparece das palavras grafadas em português, passando a ser usado apenas em palavras estrangeiras. O acento agudo desaparece dos ditongos abertos, ex. ideia, prosopopeia. O acento circunflexo desaparece em palavras com o duplo o e o duplo e, ex. voo, creem, leem. Desaparece o acento diferencial (agudo ou circunflexo) usado para diferenciar palavras de mesma grafia, ex. para, pelo, polo. O Hífen desaparece quando a segunda palavra começar com s ou com r, quando então as consoantes deverão ser dobradas, ex. antissemita, antirreligioso. Exceção: quando os prefixos terminarem com r o hífen deverá ser mantido.

Para os patrícios as mudanças atingem um percentual de 1,6% em sua ortografia. Para eles o que muda:

Úmido invés de húmido. Somem também as consoantes mudas, como, c e p, ex. acto, baptismo. Exceto facto, que em Portugal significa terno.

Aplaudida por alguns e execrada por outros, a Reforma Ortográfica também não é nenhuma unanimidade por aqui, em terras brazucas. Alguns apoiam a tentativa brasileira de alavancar o idioma mundo afora, na tentativa de fortalecer a Língua Portuguesa. No entanto, os que se posicionam contra, argumentam que a Reforma apenas visa o lucro, visto que as editoras brasileiras cairão de boca nos mercados africanos, que anteriormente eram público cativo dos livros portugueses. Muito mais que marchar sobre o mundo cavalgando a Língua Portuguesa em prol de fortalecê-la, este acordo adormecido há tanto nas gavetas do Congresso ressuscita com força total e inflige a outros países a unificação do idioma com base no Português brasileiro.

E quem será pego de calças curtas? Nós, os milhões de escreventes da Língua, pois pensa-se um prazo de, no máximo, seis anos para a assimilação completa das mudanças, o que para os grandes editores não será necessariamente um problema.

O que me incomoda em toda história, é o fato de os articuladores de tal Reforma mascararem os interesses inteiramente econômicos e políticos e alegarem que a Unificação é uma forma de o idioma do Brasil se fazer entender em Angola, por exemplo. Muitos de nós sabemos que entendimento não tem nada que ver com a ortografia e sim com o léxico, com a forma com que cada falante, esteja ele em Portugal ou no Timor, fale o idioma. Como bem escreveu Hélio Schwartsman num excelente artigo para a Folha, o modo de grafar super-homem, ou superrhomem não é necessariamente uma mudança, pois a ortografia é o menor bastião para se mover uma língua, o que a move de fato é o uso que fazemos dela.

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Lenise Lenise Regina, 30, está redatora publicitária até o próximo anúncio, quando então seu chefe descobrirá que "Lenise" é um pseudônimo e que "Regina" é apenas um desejo antigo de nobreza; sendo assim, ele não hesitará em lhe dar um pé na bunda e revelar-lhe-á que a monarquia no Brasil foi extinta desde 1889. Escreve para a Casa do Galo quinzenalmente às segundas-feiras.

leregina@gmail.com | http://www.nimboblog.wordpress.com


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7 comentários »

  • Mauro disse:

    êta língua complicada.
    queria ter nascido na Inglaterra.

  • Galo disse:

    a gente fala é brasileiro!

  • rodrigo disse:

    e cada vez mais dificil!

  • Mauro disse:

    Lenise,

    :o) adorei sua descrição

    me tirou um sorriso daqueles.

    boa sorte e redação ee isso mesmo: sofrimento disfarçado de diversão

  • I disse:

    Para para pensar:
    Ideias heroicas, num voo sem acento?

    Alavancar o idioma, sem léxico?
    É…
    agora só resta desaprender.

  • Alessandro Ribeiro disse:

    Mais uma vez, algo é feito para satisfazer o interesse de uma minoria. Estava realmente muito difícil para diplomatas, embaixadores e escrivãos de documentos internacionais entre pátrias-irmãs (pátriasirmãs?) ter que ficar adaptando seus textos para a escrita do país destinatário.

    Grandessísimos filhos da puta!

  • Rafael Amaral disse:

    Ai gentchixx, é taum faxil screverr em portuguexx!

    Em breve escreveremos todos como “miguxos”.

    E é uma pena, sempre gostei dos acentos em duplo O e E.

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