Identidade: o que realmente falta para nós?

Lá se vai o maior festival de publicidade do mundo, com todo o seu charme e glamour. Este ano pudemos observar grandes mudanças, como a criação de novas categorias, a divisão dos GP’s e Titanium em dois e a pulverização de prêmios entre agências menores e de países antes sem destaque na propaganda.
O desempenho brasileiro foi o melhor dos últimos três anos, conquistando 41 leões, mas apenas um foi de ouro. Nosso Young Cyber foi penta, mas saímos da elite nessa mesma categoria do festival, bem no “ano da internet”. Direct Lions também decepcionou, ou seja, dava pra sair de lá com muito mais prêmios na bagagem.
Lendo os artigos do publicitário Luiz Alberto Marinho no Blue Bus, encontrei uma entrevista com a brasileira Fernanda Romano, diretora de criação da JWT Londres, sobre o momento da publicidade nos lugares onde ela já trabalhou. Como resposta, Fernanda disse que o grande problema do Brasil é a mania de copiar tudo o que é feito nos EUA e Europa, até então o principal eixo no mundo da comunicação, ocasionando uma falta de identidade na nossa propaganda. A sugestão dada por ela foi a de buscarmos inspiração nas artes.
A sugestão é interessante, mas como extrair dali um pouco de inspiração? Questiono porque tenho a impressão de que isso já é feito. Boa parte da nossa comunicação tem, no meu ponto de vista, base na cultura brasileira. Um exemplo disso é a campanha vencedora de um leão de prata da AlmapBBDO para a Volkswagen, onde embalagens pintadas de caminhões demonstram a eficiência dos veículos da marca. Adorei aquela campanha e achei a nossa cara, tudo a ver com nossa cultura.
De um lado, temos a busca pela identidade, pelo nosso. Já do outro, procuramos a universalidade da idéia, quesito que deu o GP de press para a campanha das pilhas Energizer, da DDB sul-africana.
Outra coisa. Vou deixar algumas perguntas sobre este assunto que, sinceramente, ainda não tenho uma resposta clara na cabeça, e gostaria de pedir a colaboração de todos os leitores possíveis, na tentativa de chegarmos a um consenso sobre o assunto.
Você também acha que falta uma identidade a publicidade brasileira? Qual a melhor maneira de alcançarmos esse objetivo? Comente algo que você acredita que falte na nossa publicidade.
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André Rafanhin, 21, ficou em dúvida entre os cursos de História e Publicidade, tomando a decisão correta na última hora. Já pensou em ser atendimento, mas quer mesmo é redação. Divide seu tempo entre estágio, TCC e estudos. Com isso, nunca dorme antes da meia-noite. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente às quartas-feiras.
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Fala André,
Esses dias eu vi um artigo na Revista da Criação e uma coisa nele me chamou a atenção.
Na entrada da Wieden + Kennedy de Londres, tem um boneco chamado “Blender Man”, e ele está segurando uma pasta escrito: “Walk in stupid every morning”. Esse é o lema e a filosofia da agência: porte-se como alguém que não sabe nada todas as manhãs. Lá no artigo, o sócio diz que quando você não sabe algo, você tenta desesperadamente encontrar a resposta.
Eu acho que falta um pouco mais disso atualmente aqui no Brasil. Falta as pessoas acordarem como se não soubessem nada e procurarem desesperadamente uma solução criativa.
Quem sabe assim, criaremos coisas mais originais e relevantes.
Abs
Também li a entrevista da Fernanda Romano e concordo com ela. Acho que podemos recorrer a nossa cultura e gerar, assim, uma identificação melhor com os brasileiros.
Música, por exemplo, quantos são os comerciais que optam por canções estrangeiras ao invés de nacionais? Acho muito complicado esse negócio de universalidade da idéia. Esses dias mesmo, assisti uma propaganda gringa e fiquei pensando: como eles querem que os brasileiros se identifiquem com isso? Até entendo que, ás vezes, o próprio cliente opta por apenas uma produção de vídeo, por causa da verba. Mas pode apostar : o efeito nunca será o mesmo se fosse produzido com a linguagem certa.
Falar inglês em terra de índio? Estranho.
Não acho que as músicas em inlglês sejam problema. O que vejo é em parte complexo de vira-lata, em parte culpa dos clientes e ainda em uma outra parte, culpa de um planejamento mal feito.
Quando trabalhava como redator em agência, teve uma coisa que aconteceu várias vezes comigo: não houve um planejamento que previsse coisas óbvias, e por várias vezes tivemos que fazer as coisas as pressas. Exemplo: O Internacional de Porto Alegre estava na final da Libertadores, e com grandes chances de ganhar (e ganhou). É óbvio que um cliente como a concecionária que atendíamos, que anunciava 4 vezes por semana, em jornal, deveria fazer um anúncio dando os parabéns aos colorados. Mas sabe quem pediu isso? O próprio cliente, que se surpreendeu ao saber que não tínhamos o anúncio pronto. Tivemos 5 horas para criar tudo do zero.
“Compre conosco o seu carro novo. Porque essa história de ‘ir a pé” não é coisa de campeão. Parabéns colorados!” - Eu, gremista, tive que fazer isso! : (
Bem, parece que o planejamento tem se preocupado só em “em que lugar devemos colocar a marca”, e não dá muita bola para a época, o contexto. Isso acaba dando pouco tempo e pouca “munição” para que a criação faça um bom trabalho.
E aqui no Brasil, os clientes têm “mais voz” do que em outras partes do mundo. Em várias vezes, não interessa se eles não entendem nada de comunicação… Eles perguntam pra mãe se está aprovado (fontes confiáveis me contaram essa história). E, por várias vezes eles aparecem dizendo que “Vi um comercial muito legal… A gente podia fazer mais ou menos assim!” E não tem como escapar.
Se a música é em inglês ou português, acho que tanto faz. O comercial da Bienal do Mercusul era uma cópia descarada do Bouncing Balls do Bravia (que agora gerou o descarado comercial da Vale), e nem tinha letra. O que falta é ter mais tempo, e mais “espaço” e menos complexo de achar “nossa, é genial… vamos fazer uma homenagem!”
[...] busca pela identidade brasileira é tema frequente, inclusive aqui na Casa em artigo recente do André, mas, não custa (re)forçar [...]
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