Idéias bizarras
Para falar de propaganda tema é o que não falta. Todavia sempre que possível, tentei me ater a um único assunto por artigo. Porém, nesse farei uma exceção para tratar de três assuntos que, embora diversos em sua origem e pertinência, têm uma ligação clara com o título.
Quem desdenha…
Quem já teve a oportunidade de ver a nova campanha da Globo.com, que dá título a este artigo, deve ter observado a enorme semelhança do visual do VT com os vídeos caseiros do YouTube. Porém, diferente de outras tantas campanhas que têm o YouTube como referência essa diverge no argumento.
Me, chamou a atenção o fato de que a Globo está querendo vender acesso à internet criticando a própria internet. Afinal de contas, os vídeos do YouTube e congêneres são um dos principais ícones do entretenimento online nos dias de hoje. Ou a Globo acha que seu conteúdo online é tão superior em qualidade criativa, vide Zorra Total e a Turma do Didi, ou tem visto seu ibope se esvair dia após dia. Aposto na segunda opção.
Essa não é a primeira campanha de veículos de comunicação que tentam desmerecer a internet como fonte de informação ou nesse caso, lazer. Para quem lembra, o Estadão e sua campanha que rotulava os blogueiros teve uma péssima repercussão.
La Fontaine, em sua fábula a Raposa e as Uvas, foi taxativo quando escreveu: “quem desdenha quer comprar”. No caso da Globo acho que ela gostaria muito de ter a popularidade que o YouTube tem. Se for isso, uma coisa é certa, alguém deveria avisar a Globo que já estamos na era do conteúdo gerado por usuários, sem filtros sim, mas com liberdade de escolha.
Tapar o sol com a peneira
Na última quarta-feira (16/07) terminou em São Paulo o IV Congresso Brasileiro de Publicidade, no encerramento, Dalton Pastore proferiu discurso, formalizado na Carta dos Publicitários à Sociedade Brasileira.
Nela, o Congresso, na figura de Pastore, habilmente compõe um cenário onde a publicidade é a massa que dá liga à indústria brasileira e que essa tão importante função está sendo ameaçada pelas inúmeras tentativas de normatizar a atividade publicitária.
A carta exime toda responsabilidade da propaganda em relação aos atuais problemas da sociedade como alcoolismo, obesidade infantil, mortes no trânsito e qualquer outra que a ela é atribuída.
Quem tiver a oportunidade de ler a carta, que o faça, pois é com certeza um exemplo de como grandes cabeças da publicidade tentam vender sua profissão. Numa primeira leitura a realidade apresentada parece crível, mas basta uma leitura mais crítica para perceber o quão distorcida a realidade ali está.
Talvez esta visão mercantilista, que a Carta tão bem representa, seja um dos grandes motivadores do enorme número de tentativas de normatizar a profissão.
Em conversa com amigos que estiveram no Congresso, fico feliz em saber que algumas discussões tiveram fim mais frutífero que o que apresentado por Pastore, pois se as conclusões fossem resumidas ao que foi ali exposto, diria que no frigir dos ovos o tão aguardado IV Congresso tentou tapar o sol com a peneira.
Por mais fiscalização e menos leis
O Meio & Mensagem desta semana, página 12, apresenta um resumo da proposta, que tramita no Congresso sobre a proibição de publicidade para e com crianças. A proposta é tremendamente rígida e, caso seja aprovada, vai simplesmente extinguir toda e qualquer propaganda, spot, banner web ou qualquer tipo de comunicação mercadológica voltada para às crianças. Elas não poderão nem mais fazer parte do elenco de comerciais.
Há alguns dias tramitava na mesma Casa, um projeto de lei que obrigava os canais de TV a cabo a exibir programação nacional independente em pelo menos 25% da programação.
Pergunto: quem vai produzir conteúdo infantil quando não houver mais patrocinadores nem anunciantes nos intervalos comerciais? Já sei, todo mundo vai pedir dinheiro para as empresas públicas baseados na lei de incentivo à cultura.
Parece até piada, mas será provavelmente o único caminho para quem quiser produzir algo voltado ao público infantil, mas, com certeza, não terá onde veicular, pois, se a lei de proibição da propaganda para o público infantil for aprovada, não teremos nem canais pagos e muito menos canais abertos dispostos a ter uma programação infantil.
Estamos vendo um renascimento do autoritarismo e da censura, mascarada em proteção ao interesse público. Parece uma idéia bizarra, mas infelizmente é a realidade.
Projetos para a educação, esses sim, não vão para frente.
Aproveito este último bloco para lembrar a todos que em breve teremos mais uma vez que escolher aqueles que “nos representam”, é bom pensar bem antes de apertar a tecla verde.
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Nauro Rezende Jr, 31, é publicitário e Diretor de Criação e Planejamento da ID Comunicação. Apaixonado pela profissão e suas ciências. Um idealista.
Escreve quinzenalmente para a Casa do galo, às quintas-feiras.
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Este artigo tem as seguintes tags: bebida, congresso, criança, infantil, mortes. eleicao, obesidade, proibicao, propaganda, publicidade, transito









É Nauro, uma censura mascarada que ao mesmo tempo tenta agradar a todos para passar despercebida.
E falando da escolha de momentos antes do botão verde, está cada vez mais difícil essas decisões.
Abraços.
É, mas há também o outro lado.
Me lembro que na faculdade um professor relatou um caso de uma apresentadora infantil que, durante o merchan, soltou a seguinte frase: “Pede para a mamãe, se ela te ama ela vai comprar”.
Foda isso.
Po, não achei mesmo que a campanhha da globo desmerece a internet. Eles apenas reforçam q só pode ter ideia estranha na cabeça, quem nao assina a globo.com.
pelo menos foi o q eu entendi… tanto q eles ate colocaram uma promo no ar pra incentivar as pessoas a enviarem videos de outras ideias bizarras q as pessoas tem por ai… abraços!
Veja tbm por esse lado!
Por lei vc so pode trabalhar apos os 16 anos correto?
Mas c uma crinça for aparecer na novela das 8 ou participar da propaganda de tv do governo pode?
Nesse ponto concordo com a proposta, ou a lei é aplicada a tds ou a ninguem!
O projeto prevê que criança pode aparecer em propagandas do governo sim, desde que sejam em campanhas de “interesse público”.
[...] Clique aqui para ler o artigo completo. [...]
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