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Houston, we have a problem!

9 janeiro 2009 3 comentários escrito por veronica

cagada thumb Houston, we have a problem!

Liberaram o site do BBB9 antes da hora. Que atire a primeira pedra quem nunca fez uma cagada homérica, daquelas que a gente sente vergonha de ter vindo ao mundo.

Disseram que foi culpa dos estagiários. Se bem que a distância entre perceber a cagada e decidir em quem colocar a culpa é percorrida em alta velocidade. Conclusão: é sempre muito mais prático tirar o seu da reta e jogar a culpa no estag. Mas, convenhamos, liberar um site da Globo antes da hora, tem cara de cagada de estagiário. Sem ofender nossos leitores universitários.

Já fui estagiária e sei o quanto a empolgação corre nas veias desses jovens funcionários do mercado. Daí, tem novato meio Mr. Magoo, nó cego, sem-noção. Dica: se você está no seu primeiro estágio, nunca abra a boca para falar merda. Se for falar, teste antes o nível da merda. Pergunte para um amigo mais próximo (que provavelmente não irá te zoar, tanto) o que ele acha da idéia. Ah, e se for partir para fazer merda, avise antes. Eu sei que é um pouco difícil identificar a merda, sem uma certa experiência no mercado, mas, pode ter certeza, você vai começar a sentir o cheiro.

Só para ilustrar… Um garoto trabalhava como redator numa agência X e pediram para que ele fizesse o texto de um anúncio All Type. Sem saber exatamente o significado daquele termo, fez a redação. Era algo como: “All type? Só na gráfica Y”. O cara pensou que All type fosse algum produto revolucionário da gráfica. Nada disso teria acontecido se ele tivesse feito uma rápida pesquisa no google.

Bom, voltando ao BBB9. Fiquei lá no site procurando se tinha alguma frase bizarra dentro do layout. Algo como: “Aqui entra a foto da gostosona”, ou “Aqui entra a foto da véia” (nesse ano, o BBB terá participantes mais velhos). Não, não encontrei nada. Mas digo, isso não é impossível de acontecer. Já ouvi uma história cabeluda de diretor de arte que nomeou arquivo com palavras “engraçadinhas” e, não bastasse, foi enviado ao cliente. Bem, nem preciso contar o que aconteceu depois.

Eu já participei indiretamente de uma cagada homérica. Era uma mala-direta de um dos clientes mais importantes da agência. Fui lá, fiz a redação. Li, reli, li, reli. Minha parte, ok. Diretor fez o layout. Ok, para o layout. Eis que tínhamos contratado uma revisora altamente capacitada. Tão capacitada, que passou pela minha cabeça a possibilidade dela ter sido alfabetizada há pouco mais de uma semana. Ela não viu que o nome do presidente da empresa estava errado, no rodapé da mala-direta. Conclusão: (usarei nomes fictícios aqui) se era pra ser Manoel, foi com o nome de Mané. A culpa foi pra quem? Para a redatora aqui, claro. Na boa, não sou responsável por rodapés. Fodam-se os rodapés. Meu negócio é título, assinatura. Para isso que existem revisoras. A história acabou com o cliente nervoso ao telefone, dizendo que provavelmente tiraria a conta dele da agência.

Erro de photoshop é coisa séria. Vocês já devem ter visto o caso da garota mutante que perdeu o umbigo. Ou das mãos perdidas em layout. E cagada em texto também é de dar medo. Não só erro de ortografia ou gramática, mas a falta de noção para entender que aquela idéia pode ser usada contra você. Caso das Casas Bahia – “quer pagar quanto?”. Nós, criativos, sempre temos que pensar na má fé das pessoas. É difícil praticar o desapego à idéia, mas às vezes é preciso. Sempre existirá um ser humano querendo te ferrar. Como advogados que sempre acham uma brecha na lei, o target sempre pode achar uma brecha no seu texto. Cuidado.

Fiquei lembrando também de outras falhas, não tão ligadas a propaganda. A Band divulgou o nome errado do vencedor da categoria de melhor álbum de samba/pagode do Grammy Latino. Anunciou Beth Carvalho e era Paulinho da Viola e Maria Rita. Entregaram o envelope por engano. Típico erro ridículo que gera uma puta cagada.

Não dá pra deixar de lado a história do padre voador (tá, eu sei que isso não tem nada a ver com comunicação, mas é divertido vai). Até hoje não entendo por que raios esse padre nó cego foi ter essa idéia imbecil.

Estava assistindo esses dias o TV Fama especial sobre as gafes que eles haviam cometido no ano (além de fazerem as cagadas, os caras gostam de relembrar, vai entender. Um caso raro de auto-desprezo). Uma repórter que entrevistava o Caetano Veloso fez a seguinte pergunta: “como foi esse show que você fez com o Caetano?”.

Termino esse artigo com um vídeo para todos os que acreditam na Teoria da Conspiração. Falhar na gravação do vídeo do homem na Lua, isso realmente seria uma cagada homérica.

Comunicar não é fácil. Se errar, bata no peito e assuma. É única coisa digna que você tem a fazer depois da merda feita.

PS: o vídeo é da The Viral Factory. Infelizmente.

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Verônica Verônica Porsani, 24, é redatora publicitária e acha muito estranho ser chamada de redatora. Já passou por cliente, veículo e agência. Defende a propaganda bom senso - engraçadinha, eficaz, porém ética. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.

veronicaporsani@gmail.com | http://porsani.blogspot.com


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