Homo.mídia ou homi.cida
É possível que as ações de rua usando mídia humana nunca saiam da lista de estratégias. Até pelo custo relativamente baixo e caráter de urgência neste tipo de veiculação. Mesmo com a perturbação causada pelos “panfleteiros” (nas praças permitidas) ou a inconveniente abordagem, quando não mau humor dos “decepcionistas” de quiosques promocionais, que ora agridem, ora exalam tédio, fechando a cara e cruzando os braços, é surpreendente constatar que a tática exaustivamente utilizada ainda funcione nos mais distintos segmentos.
A verdade é que o produto pode perder muito quando se planeja a campanha e na ponta de contato com o consumidor o seu representante não dê devida importância.
Diante do recurso adotado pelas revendedoras de explorar gente despreparada e muitas vezes faminta, o que nem sempre é de conhecimento da marca, quem fiscalizará a atuação amadora dessas promoções, se as próprias não zelam a bandeira, oferecendo treinamento e remuneração, no mínimo justos?
Longe de se comparar com as intervenções criativas e geradoras de buzz, onde há um investimento proporcional à preocupação em surpreender, em fazer o inusitado. Essas ações largamente adotadas e cegamente elaboradas, não só, não conseguem romper a dispersão nem chamar a atenção de quem passa, como, provocam neste literalmente o desejo do desvio de rota para se livrar do aborrecimento. Noutras situações é comum que quem se candidate a perguntar, precise implorar atenção.
É nítido o descaso e o desgosto de quem pega esse tipo de serviço, como freelas ou última oportunidade de garantir o pão. Muitas vezes as condições de trabalho, dão impressão de que é realmente subemprego, não sendo possível manter um ânimo ou uma postura persuasiva. E à custa de uma quase exploração, as revendas vestem os colaboradores com camisetas, bonés e não orientam a necessidade de algo mais do que simplesmente esboçar um sorriso ou atirar folhetos a quem passe. Se observarmos agora, época de campanha eleitoral, a utilização de mão-de-obra barata é ainda mais desesperada, assim são recrutadas donas de casa, idosos e até mesmo crianças, que na verdade deveriam ser assistidos pelo Estado (mas isso é outra novela, né?).
A proposta de fazer interação do “meio” com o público, forçando o target a reagir, leva a apontar que às vezes a mídia humana pode ser a menos indicada. Se ela for imprescindível, que façam ofertas decentes ou invistam em treinamento, pois a postura do promotor acaba contagiando a marca e tende a ser letal a associação à uma figura ignorante, mesmo que só ali, naquele momento.
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Iasnara Amorim, 29, Pré-publicitária e pseudo-contista. Abandonou a Veterinária por amor aos animais. Trocou Administração por Propaganda, numa passagem pelo Marketing quando foi esporada pela Publicidade. Atua na Promoção e Produção de Eventos, transformando figurinhas em metragens e cifrões. Vislumbra um futuro de Planner, por faltar insanidade criativa para a redação. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.
iasnara@gmail.com | http://www.ossentidos.blogspot.com
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Essa imagem me lembrou um e-mail que recebi há algumas semanas, de um cara se oferecendo pra tatuar a marca “Casa do galo” em seu corpo.
Fiquei curioso e mandei um e-mail para ele, perguntando quanto ele cobraria. A resposta? “Escreva para minha agente, no email tal, e peça um orçamento.”.
Orra.
Hahaha, a criatura deve ser “ô meio”.
Faria a cotação, só pra ver qual é.
Boa reflexão, qualquer ação ou algo agregado em determinados anunciantes podem acarretar em pontos negativos, os próprios exemplos que você citou, como também a má disposição de produto por parte do revendedores, são detalhes que prejudicam o anunciante.
Falando em criança e “outra novela” (http://tfmoralles.blogspot.com/2008/08/mazelas-sociais-televisionadas.html), tenho a mesma opinião.
Abraços.
Em S. Paulo trabalhei numa agência de publicidade agregada a uma agência de promoção, sendo que nesta última a mairoia dos trabalhos eram para merchandising em pontos de venda ou rua que necessitavam de pessoas como promotores. Iasnara, devo dizer que a realidade ali é muito mais preocupante do que o que você vê na rua. Há culpa por todos os lados: anunciante (parcela maior porque dá mais importância ao dinheiro que vai gastar), agência que planeja, agência que recruta, treina e coordena e, por que não, dos próprios candidatos.
Belo artigo.
Beijo
Tiago,
na ação cega, no fazer por fazer, o tiro pode ser no pé.
Abraço.
é Jr,
ainda há muito despreparo por parte dos que querem promover esse encontro (pelo visto, não só por aqui).
bjo
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