Ghost. Do outro lado da lida
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Cannes foi assunto em todo o mundoblog há poucas semanas. Vanessa e Marquito trataram legal do assunto por aqui e, conseqüentemente, a resposta automática da Casa encheu meu Mail com considerações sobre a premiação, pontos de vista diferentes e questões relacionadas a portfolios recheados de ghosts.
Pensei bem sobre tudo e resolvi fechar a trilogia com o que vi e ouvi a respeito nesses meus meros anos de estrada.
Constatação número 1: Existem fantasmas do mal, tipo aqueles que os caça-fantasmas enviavam para o receptáculo ectoplasmático e fantasmas camaradas, tipo o Gasparzinho mesmo.
Os fantasminhas camaradas são a solução para todos aqueles que pleiteam uma vaga na criação. A maioria dos tópicos nas comunidades de redatores e de diretores de arte no orkut está cheio deles.
Os gasparzinhos também são muito importantes para os mais experientes na hora de uma recolocação profissional. Afinal, são o que de melhor o criativo conseguiu criar livre da tormenta: “aumenta a logo”; “aumenta o packshot”; “acrescenta mais isso no texto”; (e o fatídico) “mas nós não temos verba para toda essa seqüência de anúncios”.
Para citar um exemplo de assombração do mal, é só voltar ao ano passado, quando a Giovanni FCB devolveu seu Leão de Bronze, conquistado pela série de anúncios “Ovo”, “Chupeta”, “Feto” e “Ursinho” para a ONG Ipas, sob a alegação de que se tratavam de peças criadas para um cliente não integrante do seu portfolio e inscrita na competição de Press à revelia da direção-geral.
Buuuuuuuh!
Constatação número 2: Títulos sacados, formatos doidões, artes impecáveis e peças dignas de prêmios acontecem até que freqüentemente nas agências. Mas aí vem o departamento de marketing e poda as asinhas das duplas.
Criativos pensam com o coração, o pessoal de marketing, com a cabeça.
A chamada big idea, quando acontece, só fortalece o lobby que reza que ela, a big, toca ao mesmo tempo a cabeça e o coração. E isso quer dizer: sobreviveu à tesoura do cliente.
Constatação número 3: Às vezes acontece a tão sonhada harmonia no grande divisor de águas entre o que o cliente quer e o que a agência quer.
De vez em quando, muito de vez em quando, chega um brief na mesa da dupla de criação dizendo: “queremos uma, duas peças para o cliente e outras duas para prêmio”. Tá, exagerei. Talvez não venha escrito exatamente prêmio, pode ser: “para inscrever no Prêmio Abril”, ou ainda “no Festival de Londres”.
Aí é só aguardar para ver os nomes dos responsáveis no próximo Anuário.
As peças serão veiculadas? Sim. E nem precisa ser no jornal de Roraima quando se tem negócios com os principais veículos do país.
Constatação número 4: Quem é que criou esses termos, hein?
O que denominamos como fantasma, em qualquer outra área é chamado de projeto.
Na arquitetura, moda e na gastronomia, justifica-se como releitura o que a gente sacramenta como idéia chupada.
Eis as perguntas que não estão a fim de calar: será que só nós somos tão criteriosos na busca de originalidade autenticada? Será que só nós tentamos passar a perna em premiações com projetos que nunca saíram do papel?
Vou buscar mais seriedade na próxima coluna.
Abraços a todos.
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Mauro Sérgio de Morais está redator e tem alguma experiência. Também tem alguns prêmios e uma dificuldade tremenda em escrever currículos na terceira pessoa. Escreve de vez em quando para a Casa do galo, às sextas-feiras.
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Mauro Sérgio de Morais está redator e tem alguma experiência. Também tem alguns prêmios e uma dificuldade tremenda em escrever currículos na terceira pessoa.
Escreve de vez em quando para a Casa do galo, às sextas-feiras. 







Adorei o texto….principalmente a frase que diz: “Criativos pensam com o coração…”
Isso não acontece somente na montagem de um texto, uma logo…mas na vida por inteiro…
E você criativo como é…só pode pensar com o coração…As linhas de seus textos nos mostram isso…
Bjoss e sucesso sempre!!!
Pois é meu caro Mauro Sérgio.
Os fantasmas se divertem nesta dança das agências e os criativos que tem a felicidade de
produzí-los quando não abocanham um prêmio, controem um port de peso.
Parabéns pelo texto e continue com esta linha animada…
Abraço
Boa pergunta. Quem criou esses termos?
Mari e Britão
Acho que eu vou colocar seus nomes no texto Par Perfeito, pode?
Calma, não precisam formar dupla, mas poderiam virar casalzinho com:
alma nobre e camaradagem supimpa, respectivamente.
Agradeço suas palavras. Vi Think Big nelas
O Mauro já tem quase um fã-clube!
Gostei muito do texto. Bem escrito, claro e lúdico.. uma das melhores características de quem escreve bem: ser divertido sem ser pastelão ou, quem sabe inconveniente. parabéns e toda sexta estarei aqui pra ler.
Muito bom artigo!
É isso mesmo: para algumas pessoas a busca pela real originalidade passa por cima até da ética.
Matt
http://www.30segundos.com.br
Tb adorei a frase que todo mundo adorou…
MAs essa questão dos fantasmas é mt intrigante…
Mauro, adoro seus textos.. criativos pensam com o coração mesmo. Às vezes sofro em busca da originalidade, e tenho receio das releituras. Enfim, criativos deveriam pensar com o coração e ter mais liberdade.
Bjos e parabéns
Nossa… quanta honra
Obrigadão, Mayra, Matt, Gutos, Sabrina.
Sabrina por aqui?
Dos perfis criativos mais diferenciados que eu já vi. Vc cabe perfeitamente em qualquer boa agência.
Nos vemos na Portfolio Sem Vergonha
Valeu gente!
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