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Ghost. Do outro lado da lida

13 julho 2007 10 comentários escrito por Mauro Sérgio

Cannes foi assunto em todo o mundoblog há poucas semanas. Vanessa e Marquito trataram legal do assunto por aqui e, conseqüentemente, a resposta automática da Casa encheu meu Mail com considerações sobre a premiação, pontos de vista diferentes e questões relacionadas a portfolios recheados de ghosts.

Pensei bem sobre tudo e resolvi fechar a trilogia com o que vi e ouvi a respeito nesses meus meros anos de estrada.

Constatação número 1: Existem fantasmas do mal, tipo aqueles que os caça-fantasmas enviavam para o receptáculo ectoplasmático e fantasmas camaradas, tipo o Gasparzinho mesmo.

Os fantasminhas camaradas são a solução para todos aqueles que pleiteam uma vaga na criação. A maioria dos tópicos nas comunidades de redatores e de diretores de arte no orkut está cheio deles.

Os gasparzinhos também são muito importantes para os mais experientes na hora de uma recolocação profissional. Afinal, são o que de melhor o criativo conseguiu criar livre da tormenta: “aumenta a logo”; “aumenta o packshot”; “acrescenta mais isso no texto”; (e o fatídico) “mas nós não temos verba para toda essa seqüência de anúncios”.

Para citar um exemplo de assombração do mal, é só voltar ao ano passado, quando a Giovanni FCB devolveu seu Leão de Bronze, conquistado pela série de anúncios “Ovo”, “Chupeta”, “Feto” e “Ursinho” para a ONG Ipas, sob a alegação de que se tratavam de peças criadas para um cliente não integrante do seu portfolio e inscrita na competição de Press à revelia da direção-geral.

Buuuuuuuh!

Constatação número 2: Títulos sacados, formatos doidões, artes impecáveis e peças dignas de prêmios acontecem até que freqüentemente nas agências. Mas aí vem o departamento de marketing e poda as asinhas das duplas.

Criativos pensam com o coração, o pessoal de marketing, com a cabeça.

A chamada big idea, quando acontece, só fortalece o lobby que reza que ela, a big, toca ao mesmo tempo a cabeça e o coração. E isso quer dizer: sobreviveu à tesoura do cliente.

Constatação número 3: Às vezes acontece a tão sonhada harmonia no grande divisor de águas entre o que o cliente quer e o que a agência quer.

De vez em quando, muito de vez em quando, chega um brief na mesa da dupla de criação dizendo: “queremos uma, duas peças para o cliente e outras duas para prêmio”. Tá, exagerei. Talvez não venha escrito exatamente prêmio, pode ser: “para inscrever no Prêmio Abril”, ou ainda “no Festival de Londres”.

Aí é só aguardar para ver os nomes dos responsáveis no próximo Anuário.

As peças serão veiculadas? Sim. E nem precisa ser no jornal de Roraima quando se tem negócios com os principais veículos do país.

Constatação número 4: Quem é que criou esses termos, hein?

O que denominamos como fantasma, em qualquer outra área é chamado de projeto.

Na arquitetura, moda e na gastronomia, justifica-se como releitura o que a gente sacramenta como idéia chupada.

Eis as perguntas que não estão a fim de calar: será que só nós somos tão criteriosos na busca de originalidade autenticada? Será que só nós tentamos passar a perna em premiações com projetos que nunca saíram do papel?

Vou buscar mais seriedade na próxima coluna.

Abraços a todos.

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Mauro Mauro Sérgio de Morais está redator e tem alguma experiência. Também tem alguns prêmios e uma dificuldade tremenda em escrever currículos na terceira pessoa. Escreve de vez em quando para a Casa do galo, às sextas-feiras.

maurosergiomsm@yahoo.com.br | http://www.psvsite.com


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10 comentários »

  • Mari disse:

    Adorei o texto….principalmente a frase que diz: “Criativos pensam com o coração…”
    Isso não acontece somente na montagem de um texto, uma logo…mas na vida por inteiro…
    E você criativo como é…só pode pensar com o coração…As linhas de seus textos nos mostram isso…
    Bjoss e sucesso sempre!!!

    [Responder]

  • ricardo brito disse:

    Pois é meu caro Mauro Sérgio.
    Os fantasmas se divertem nesta dança das agências e os criativos que tem a felicidade de
    produzí-los quando não abocanham um prêmio, controem um port de peso.

    Parabéns pelo texto e continue com esta linha animada…
    Abraço

    [Responder]

  • Sasquatch! disse:

    Boa pergunta. Quem criou esses termos?

    [Responder]

  • Mauro disse:

    Mari e Britão

    Acho que eu vou colocar seus nomes no texto Par Perfeito, pode?
    Calma, não precisam formar dupla, mas poderiam virar casalzinho com:
    alma nobre e camaradagem supimpa, respectivamente.

    Agradeço suas palavras. Vi Think Big nelas ;-)

    [Responder]

  • Galo disse:

    O Mauro já tem quase um fã-clube!

    [Responder]

  • Mayra disse:

    Gostei muito do texto. Bem escrito, claro e lúdico.. uma das melhores características de quem escreve bem: ser divertido sem ser pastelão ou, quem sabe inconveniente. parabéns e toda sexta estarei aqui pra ler.

    [Responder]

  • Matt disse:

    Muito bom artigo!

    É isso mesmo: para algumas pessoas a busca pela real originalidade passa por cima até da ética.

    Matt
    http://www.30segundos.com.br

    [Responder]

  • Gutos disse:

    Tb adorei a frase que todo mundo adorou…

    MAs essa questão dos fantasmas é mt intrigante…

    [Responder]

  • Sabrina disse:

    Mauro, adoro seus textos.. criativos pensam com o coração mesmo. Às vezes sofro em busca da originalidade, e tenho receio das releituras. Enfim, criativos deveriam pensar com o coração e ter mais liberdade.

    Bjos e parabéns

    [Responder]

  • Mauro disse:

    Nossa… quanta honra :)
    Obrigadão, Mayra, Matt, Gutos, Sabrina.

    Sabrina por aqui?
    Dos perfis criativos mais diferenciados que eu já vi. Vc cabe perfeitamente em qualquer boa agência.
    Nos vemos na Portfolio Sem Vergonha

    Valeu gente!

    [Responder]

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