Garganta na publicidade
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Vou arriscar dizer que esse é o maior tesouro do publicitário médio.
Lembro-me dos colegas do ensino fundamental e médio que eram tímidos. Aquele garoto que não tinha coragem de puxar papo com a garota, o rapaz que ficava pálido quando o professor lhe perguntava algo na frente da sala toda. Foi assim até a faculdade. Um punhado de gente que, apesar de ter mais de duas décadas vividas, ainda tinha vergonha ou se sentia desconfortável em ir à frente para apresentar um trabalho ou dar algum recado da coordenadoria.
Eu mesmo fui vítima da danada. Tive um apelido, mais um que não colou: Mudinho. E a questão nem era timidez. Era garganta, eu falava baixo demais. Principalmente nos primeiros semestres. Com o tempo e prática, a coisa vai evoluindo. Mas ainda assim, na apresentação do TCC, foi melhor não arriscar:
- Me traz o microfone?
Acontece. Nunca fui fã de gritaria. Devia ter nascido italiano ou algo assim.
Para publicidade, é preciso garganta.
A gente precisa ter atitude, tomar decisões, resolver no papo. Da criação, que tem que ter garganta pra fazer a idéia acontecer, até o atendimento, que coloca a própria frente ao cliente.
Com garganta, não é preciso publicidade.
No domingo assisti a um documentário da GNT, o nome era Vaidade. Mostrava a vida de vendedoras de Avon e Boticário do interior do Pará. Onde ainda há muita gente que paga em ouro, acredita?
Tudo era na base da conversa. Uma palavra aqui, outra ali, e vendia-se um batom. Um pouco mais de prosa e a moça comprava um desodorante.
Teve até um caso, que pra nós é absurdo, em que uma mulher que havia comprado um certo produto foi até a vendedora no dia seguinte perguntar:
- Pra que que é aquele produto que você me vendeu mesmo?
- Ah, não sei, acho que para as axilas.
- Hum, é que eu passei no cabelo e ficou tudo duro.
Garganta. Precisa falar mais?
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Rafael Amaral, 21, é planner na Super Produções e blogueiro do Estagiaridade. Escreve para a Casa do galo às terças-feiras.
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