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Eu não gosto de bancos de imagem

27 fevereiro 2009 27 comentários escrito por armando

daliatomicusphilippehalsma thumb Eu não gosto de bancos de imagem
Dali Atomicus -  Philippe Halsman (1948)

Talvez alguns não gostem deste texto, mas juro que minha intenção é que ele cause alguma reflexão naqueles que se utilizam de bancos de imagem em algum ponto de seus processos criativos.

Banco de imagem é uma droga. Desculpem a franqueza, mas eles são mesmo. Vou citar dois dos motivos pelos quais eu não gosto deles, assim fica claro que não é implicância da minha parte.

A primeira razão é que esse tipo de empresa desvaloriza o meu trabalho, sabem como é, sou fotógrafo, então vou defender meu peixe.

A capacidade de negociação e alcance de um fotógrafo é logicamente menor que uma empresa de stock, essas empresas conseguem clientes aos montes pois tem uma estrutura administrativa totalmente focada nas vendas, e não na produção das imagens.

Eles conseguem muitos clientes e acabam convencendo vários fotógrafos a fornecerem material por preços baixos, na promessa de vender muito e compensar o valor unitário pelo volume vendido. Com isso conseguem ter um acervo grande e de relativa qualidade, por um preço baixo, e tanto pior são os que usam sistema royalty free, que remunera fotos com dinheiro de banana, ou menos.

Cada vez mais fotógrafos aderem ao sistema pois fica difícil competir. Desta forma, tendo milhões de fotografias disponíveis com milhares de profissionais envolvidos na produção contínua, o conhecido ganho de escala nos diz que o valor unitário de uma fotografia cairá cada vez mais, e quanto maior o número de fornecedores, menor o rendimento de cada um. São leis de mercado, por isso inegavelmente um banco de imagens reduz o valor de uma foto e de toda uma classe profissional. Só por isso eu poderia não ir muito com a cara deles.

O segundo motivo vem do fato que infelizmente existem maus profissionais, isso acontece em todas as áreas e não seria diferente na publicidade. Graças a isso, alguns publicitários não são minimamente criativos a ponto de terem uma idéia própria, então vagam pelos bancos de imagem na internet em busca de alguma fotografia para estampar um anúncio, folder, cartaz ou o que for, criam com a idéia alheia sem o menor ressentimento.

Quando acham a foto desejada, podem licenciá-la e assim remunerar, mesmo que muito mal, o autor, ou decidem fazer algo bem ruim: contratar algum fotógrafo local para produzir uma cópia com mínimas mudanças.

Sinceramente, pedir para um fotógrafo copiar o trabalho de outro é solicitar que faça plágio, coisa ilegal, imoral e anti-ética.

Em resumo, quando resolvem comprar do banco, estão desvalorizando o trabalho e ampliando o alcance desse sistema, quando resolvem copiar, estão incentivando a delinqüência fotográfica.

Sinto saudades do tempo não tão distante em que diretores de arte eram profissionais e não estudantes recém formados com um cargo de nome bonito. Chamavam fotógrafos e designers para reuniões de briefing onde o conceito era discutido, esboçado em papel e depois produzido, fruto do cérebro, da criatividade, do estudo e da técnica das pessoas envolvidas, e não de um simples e disfarçado “copy and paste”.

Ilustro este artigo com a foto Dali Atomicus (feita em 1948), retrato do gênio Salvador Dali feito pelo igualmente genial Philippe Halsman. Assim presto minha homenagem a dois mestres que muito influenciam meu trabalho e minha visão do que seja criatividade.

No vemos em 15 dias, sempre às sextas.

[]’s

Armando Vernaglia Jr

As ideias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.

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Armando Eu não gosto de bancos de imagem Armando Vernaglia Jr, 34, é fotógrafo publicitário, vive em busca de novas imagens inspiradoras, interessantes e únicas. É também professor de fotografia, palestrante e consultor nas áreas de imagem e branding. Graduado em publicidade e especializado em comunicação organizacional, ambos pela Cásper Líbero. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.

contato@vernaglia.com.br | http://www.vernaglia.com.br


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27 comentários »

  • Neto Macedo disse:

    Armando, concordo plenamente com você. Acho até que bancos de imagem ajudam a piorar a qualidade do trabalho das criações das agências. Fica muito fácil arrumar uma foto e acostuma a pessoa a não pensar. Uma porcaria.

    Acho que o post nem vai ser polêmico. Provavelmente você vai ter o apoio da maioria.

  • @nelson_nando disse:

    Não sou fotógrafo e não estou muito interado de como funciona o mercado de venda de fotos (o quanto são explorados), mas ja estive na outra ponta utilizando estas fotos e a grande realidade é que as imagens são utilizadas por empresas e agências pequenas, que não tem bala para investir em fotos “particulares” ou não existe tempo hábil para fazer as fotos (famosa pastelaria).

    Vejo bancos de imagens como uma forma de fotografos iniciantes e desconhecidos começarem a ganhar visibilidade no mercado e ter sua primeira venda de fotos.

    Imagino que colocar suas fotos em bancos de imagens é como colocar seu currículo na Catho, não é o melhor lugar para procurar emprego, seu currículo vai estar entre milhares de outros “igualmente” qualificados, porem se não tem indicação e não é conhecido no mercado, é a única forma de “auto-promoção”. Por outro lado, as empresas que procuram profissionais no site, ou não tem tempo para um processo seletivo adequado, ou o motivo do cargo não merece um investimento em head-hunter ou não sabe onde procurar o profissional adequado.

    Não estou defendendo a utilização de Bancos de Imagens, mas é utópico imaginar, nos dias de hoje, um mundo de fotógrafos particulares para todas as necessidades de fotos.

    Assim como deixou sua opnião, deixo a minha! ;)
    Abs,
    Nelson

  • Galo disse:

    E o problema não é só esse. Quando fui assistente de fotógrafo soube de um puta fotógrafo brasileiro, de renome internacional, que tava topando fotografar por 30% do valor “justo”. Isso fode todo o mercado.

  • Felipe Carriço disse:

    Serei sincero com relação ao seu post, Armando.
    Todo o fluxo de um processo tem início em algum lugar e, neste caso, o mais provável é que os próprios fotógrafos nivelem por baixo seus préstimos, ao venderem a “preço de banana” sua idéia, olhar, uso de equipamento e click.
    Infelizmente esta bola de neve já foi lançada de cima do morro a muito tempo e dificilmente retrocederá. Caba então aos novos (e velhos) fotógrafos, profissionais do mercado publicitário e das empresas que contratam seus serviços se conscientizarem, cobrar e desembolsar o valor justo por estes milésimos de segundo captados após o flash, vulgarmente conhecidos como fotografia.

  • Luiza Prado disse:

    Armando e os bancos de imagens gratuitas, seguem esse mesmo sistema ou é qualquer cadastrado que faz o uploud das fotos para o banco de imagens?

    Bom,já aconteceu de contactar um fotógrafo e ele me mandar uma foto que eu tinha visto em stock e ainda alegou que “com ele era mais barato”. ¬¬’

  • Rafael Amaral disse:

    O Nelson Nando falou algo corriqueiro.

    Em pequenas agências, com clientes pequenos, com budgets pequenos, às vezes fica difícil você querer cobrar a produção de uma foto.

  • Armando Vernaglia Jr disse:

    Olá pessoal. Legal o bate papo sobre o assunto, vou tentar responder a todos.

    Sobre agências pequenas, pequenos orçamentos, é verdade, muito desse tipo de material é comprado por essas agências por falta de verba maior. Concordo, mas vejo também muito material de agência e empresa grande com foto de stock… quase tudo que vejo da área médica por exemplo, vem daí, e eles tem dinheiro de sobra para fazer algo melhor, personalizado.

    Sobre quem começou a estragar tudo, concordo que foram os fotógrafos mesmo, eu vivo tentando ensinar meus alunos a pelo menos fazerem planilha de custos e planejamento financeiro para aprenderem a cobrar, mas tá cheio de fotógrafo até com alguma técnica e conhecimento vendendo foto por dinheiro de banana, outros com comportamento ético abaixo do deplorável no trato da concorrência, tem um texto recente no meu blog sobre isso: http://blog.vernaglia.com.br/2009/02/15/etica/

    Luiza, bancos grandes estão pegando fotos de amadores, recentemente um grande banco fez parceria com o Flickr para ampliar seus acervos, estão convidando apenas amadores com boas fotos, nenhum profissional que tenha fotos no Flickr foi convidado, isso mostra que eles querem ampliar volume, ganhar escala e baixar preço, o que para os profissionais é ruim. E tem mesmo fotógrafo que tem imagem no banco e cobra menos do que o que está lá, isso é desespero aliado à falta de ética, complicado lidar com isso, mas está cheio no mercado.

    Concordo com o que vocês disseram de forma geral. Eu de forma geral tenho me defendido bem disso tudo e quem me contrata sabe que vai levar algo diferenciado, exclusivo e bem feito, já tenho nome no mercado, então fica mais fácil. O que me irrita de verdade é quando agência vem com layout estampado com foto de stock e quer que eu faça igual… isso me tira do sério, simplesmente não faço, mas em geral são horas ou dias de conversas até convencer o cliente disso…

    []’s
    Armando Vernaglia Jr

  • Kenzo Kimura disse:

    Caro Armando, sou de Fortaleza-CE, redator publicitário, e compreendo perfeitamente os seus argumentos e são todos louváveis. Compartilho da mesma opinião do brainstorm com fotógrafo, diretor de arte e etc. No entanto, eu acredito que os bancos de imagens são tão utilizados hoje mais por conta do cliente do que pela agência. Afinal, quando se fala em propaganda, tudo é pra ontem, ou seja, se a agência X quiser cobrar R$600 reais por uma foto e entregar o trabalho pronto no dia 15, tem a agência Y que cobra R$15 pra entregar no dia 10.

    Eu sei que essa logística é cruel, mas o mercado também não é? Eu gostaria muito que as agências tivessem fotógrafos fixos e trabalhassem junto da dupla de criação, quando necessário. No entando, nos dias de hoje, isso tá mais para sonho. E o banco de imagens, o nosso pesadelo.

    Grande Abraço e sucesso na vida.

  • Nishihata disse:

    É complicado contratar um bom fotografo quando o cliente oferece um orçamento de criação baixo e poucos dias de criação. Isso é o que acontece no Brasil, 2 dias de criação, 2000 reais de Budget. Só nos resta consultar banco de imagem ou contratar um ilustrador.

    Não adianta você comparar o mercado de antigamente com o mercado de hoje. Não tem sentido, antigamente o Diretor de Arte criava tudo no papel, pq não tinha computador. Ele era obrigado a saber ilustrar, saber fotografar, fora que ele podia passar pelo menos uns 10 dias fazendo somente isso. Hoje em dia, um diretor de arte precisa saber outras coisas, que os diretores de arte antigamente nem sonhavam em aprender. Os tempos mudam. Mesmo os fotografos, tomavam dias, semanas, meses por uma unica foto, hoje não, photoshop concerta muita coisa, a camera digital então, uma mão na roda. E muitos fotografos com essas facilidades tecnologicas, perderam um pouco da poesia visual.

    Tanto a profissão de fotografo como de publicitário já tiveram seus dias de gloria. Hoje são profissões comuns que estão se adaptando a novas ferramentas e perdendo certos valores que não são mais necessários nos dias de hoje.

  • Luiza Prado disse:

    É,eu percebi mesmo,e o pior que as vezes são fotos que não estão disponíveis e creio eu que pode responder por estar usando uma foto protegida por direitos autorais,já notei várias vezes isso em stock gratuito,te direcionam pra sites pagos, mas a foto não possui marca d’agua.(Eu sou obrigada a usar stock,sou um caso citado pelo Rafael acima.)

    E isso se estende além fotografia, vejo em sites de design aquelas propagandas de “pacotes de vetores, estampas, ilustrações” (por exemplo) por preço de banana…e por ai vai.

    E concordo com você!
    Isso desvaloriza qualquer trabalho.

  • Armando Vernaglia Jr disse:

    Luiza, é isso mesmo, acontece com ilustração, design, vídeo, som… quase todas as áreas criativas são afetadas por esse processo de “bananalização”… desculpem a invenção do termo =^)
    .
    Sobre quem disse que em outros tempos d.a. fazia isso por que não tinha computador, não é bem assim, mesmo depois dos computadores e softwares como PS, illustrator e outros ainda se usava cérebro, mesmo que com ferramentas digitais, e ainda hoje bons d.a. usam cérebro, essa é a ferramenta mais importante no processo.
    .
    Sobre verba baixa e prazo curto, acho que a agência deveria ter um papel em explicar certas coisas para clientes, mostrar a diferença de resultado, a diferença de uma foto exclusiva para uma foto free, de uma ilustra exclusiva para uma de stock e por aí vai.
    .
    Minha esposa é ilustradora, sofre as mesmas coisas que eu na fotografia, hoje ela praticamente só atende empresas da Europa pois lá eles trabalham com prazos e orçamentos mais convidativos, não precisa ser da forma como estamos fazendo.
    .
    Explicar como funciona isso tudo é mostrar para o cliente que é melhor gastar 4k num trabalho bem feito que vai dar resultado do que jogar 2k no lixo num trabalho que não trará nenhum retorno positivo é parte de nossa função.
    .
    []’s
    Armando

  • Juliano Santana disse:

    Armando,

    Concordo contigo e acho que a maioria das pessoas que entram para a área de publicidade iriam gostar muito também que as coisas fossem desse jeito sempre.

    Afinal, cada um tem a sua função para cumprir e ninguém gosta de ser atropelado no meio do caminho não é mesmo?

  • Patrick Aguera disse:

    Concordo e vejo toda forma de arte e criação realmente sendo desvalorizada, principalmente no interior. O caminho é convencer mesmo da necessidade de se criar peças exclusivas e alertar para o risco de usar uma imagem plagiada, pois depois de usada, o dono dela pode cobrar o que quiser.

    Abraço a todos, muito boa a discussão

  • Diniz Sena disse:

    Armando, e o que dizer de agências renomadas usarem imagens GRATUITAS de bancos de imagens para fazer anúncios de meia página em jornais de grande circulação para um GOVERNO DE ESTADO???

    Pois é. Chegou a este ponto!!!

    E o pior, assinam a peça e ainda publicam em seu blog. Olha só os links: http://www.blogdevanguarda.blogspot.com

    E aqui o link da imagem:
    http://www.sxc.hu/browse.phtml?f=search&w=1&txt=mask+carnival&p=2

    Muita semelhança né???

  • Jucimary Nunes disse:

    Concordo quando você fala na prostituição do mercado, profissionais que se “vendem” por quaisquer meros centavos…
    Mas infelizmente essa é a realidade. Eu utilizo banco de imagens free e não me envergonho de dizer. Estudei e trabalho em uma cidade do interior, bem interior (puxando o r mesmo), onde comunicação e todo o seu conceito não possuem o grande status e valor merecido.
    Aqui muitas vezes formação não é o bastante, talvez cara de pau sim, pessoas que estão no mercado há muito tempo desde a época de matusalém fazendo uma comunicação atrasada, erronia e ineficaz se achando os “bons da vez”, o melhor de tudo nunca estudaram pra isso.
    Mas voltando aos bancos de imagens, aqui os pontos vão se ligar. Trabalhei em uma empresa de comunicação visual em grandes formatos, como arte-finalista, coisa que muitos estranhavam pelo fato de uma menina realizar tal tarefa, e foi então que descobri o fabuloso mundo de imagens free. Sempre gostava de incrementar meu trabalho e deixa-lo com aquele diferencial. Sai do antigo trabalho, mas ainda me utilizo do antigo mundo, pois infelizmente além de elaborar projetos e realizar campanhas publicitárias sem verba, não posso deixar meu trabalho sem aquele “que”, infelizmente tenho que ser uma agência em um só indivíduo. Se disser preciso de uma verba de R$ 300,00 pra uma foto que transmita o real sentido da nossa campanha, vou ouvir, “faça sem foto”.
    Entendo o seu lado, pois me dói ouvir “sou publicitário” quando sei que o fulano que diz isso, nunca estudou para tal.

    Valeu….
    Abraços….

  • Armando Vernaglia Jr disse:

    Eu penso o seguinte… esse é o mercado? É… ok, mas o que fazemos para melhorá-lo?
    Eu sei que um mundo ideal, onde todos possam fazer seus trabalhos com verbas ideais e prazos igualmente perfeitos não existe, mas é por esse mundo que devemos lutar, temos que querer atingi-lo, temos que querer que seja perfeito, pois quanto mais esforço colocarmos nisso, menos distantes estaremos.
    É trabalho de formiga mesmo, cada um fazendo um pouco mas fazendo sempre, então se o cliente não entende, tem que explicar, uma, duas, duzentas vezes, até que um dia quem sabe, por sorte ou obra do acaso, ele entenda.
    É como o caso dos créditos (tá no meu blog), crédito é obrigação, tem que constar e isso é a lei que determina, no entanto tem que não coloque (a maioria)… então se queremos melhorar algo, ok, não tem verba, tem que usar banco free… tudo bem, mas ao menos o nome do fotógrafo tem que ir ali do lado da peça… é o mínimo que se pode fazer para ir melhorando algo nesse mercado tão cheio de defeitos, mas que é feito por nós mesmos, então cabe a nós mudar alguma coisa.

  • Fabio disse:

    Haaaaaaa Dali ! Excelente !

  • Armando Vernaglia Jr disse:

    Finalmente alguém notou a foto que ilustra o texto =^)
    []’s
    Armando

  • Galo disse:
  • Júnior Peterossi disse:

    Olá Armando,

    Sobre o que você escreveu, entendo o seu descontentamento. Mas queria deixar registrado que já tentei fazer “parcerias” com diversos (muitos mesmo) fotógrafos para que eu pudesse discutir o briefing e então conseguir que eles fizessem a foto pra campanha criada por mim. Como você sabe, uma agência de propaganda funciona da seguinte maneira: nós fazemos uma proposta de campanha com layouts, roteiros e tudo mais. Corremos o risco de o cliente não aceitar a idéia. Por esse e por outros motivos (culpa da sua classe) NÃO consegui com nenhum deles fazer essa parceria. Todos eles inviabilizaram a produção das fotos para que eu não tivesse que recorrer a bancos de imagens e nem usar fotos como referências (que no seu texto você diz que é plágio. Eu discordo). Por isso acredito que continuaremos cada vez mais utilizar imagens de bancos de dados. Gostaria muito que a sua proposta (de utilizarmos fotógrafos, etc.) funcionasse. Mas na prática não foi o que eu vi e nem os outros diretores de criação que conheço. Trabalho num mercado relativamente pequeno em comparação com São Paulo e Rio de Janeiro. Trabalhamos com verbas bem menores que a destes mercados. Talvez, quem sabe, algum dia a gente consiga mudar isso. Enquanto isso vamos ter que recorrer aos bancos de imagens, infelizmente ou felizmente. Depende.

    Abraços.

    JR

  • Marcos disse:

    No inicio da era humana apenas os mais fortes sobreviviam, depois os mais astutos. Hoje, só fica em pé quem dá um passo à frente dos problemas.

    Como foi dito acima, o mercado se transformou, os clientes mudaram e os orçamentos encolheram, mesmo para grandes agências que, quase, por obrigação devem apresentar soluções “criativas” com menor custo e prazo possível. Bancos de imagem achataram os fotógafos, em compensação permitiu aos diretores de arte a conclusão de uma idéia na metade do tempo.

    Trabalho na indústria, e antes, precisávamos dispor de uma tremenda logística para enviar os produtos ao estúdio, o que era caro e demorado. Solução encontrada? Eu mesmo montei uma mesa still e estamos fotografando os produtos “em casa”. Quanto economizamos com isso? Aproximadamente 20 mil/ano. Enfim, precisamos nos adaptar à realidade.

    []’s

  • Beleza Sustentável disse:

    Nos dias 10 e 11 de Março de 2010, Semana do Dia da Mulher, acontece o Evento Beleza Sustentável 2010 no HSBC Brasil em São Paulo, SP.
    Considerado o mais importante Evento de Saúde, Bem-Estar e Beleza do Brasil, o Beleza Sustentável vai reunir empresas, marcas que mais se destacam no âmbito da sustentabilidade, e conta com 15 renomanos palestrantes e principais especialistas brasileiros, nas áreas de Saúde Física, Mental, Financeira, Estética, Plástica e Beleza, Alimentação Saudável, Esportes e Fitness, Recursos Humanos, Ensino e Educação, Responsabilidade Sócio-Ambiental, Comunicação e Marketing.

    Beleza Sustentável 2010 será um evento inovador que marcará a atuação das empresas que buscam, além de uma atuação socialmente responsável, possam contribuir para o Desenvolvimento Integral da Saúde, Bem-Estar e Beleza de todos, das gerações atuais e também das futuras.

    Apoie, participe, inscreva-se : http://www.belezasustentavel.com.br
    Contato : belezasustentavel@hotmail.com

  • Hércules Testa disse:

    Armando, permita contribuir com sua reflexão.
    Primeiramente vamos lembrar que arquivo fotográfico, surgiu da necessidade de renomados fotógrafos comercializarem seus trabalhos.
    A idéia é simples: fotógrafo tem que fazer o que melhor sabe: FOTOGRAFAR.
    A parte administrativa, vendas, divulgação fica a cargo de outros profissionais.
    Idéia simples e eficiente que se tornou um importante negócio.

    Vamos imaginar a seguinte situação:
    Você parte de equipamentos e bagagens para o meio da selva amazônica fotografar determinado assunto.
    Trabalhou feito um louco no projeto, talvez tenha pego malária, mas mesmo assim procurou os melhores ângulos a melhor luz, enfim deu o máximo para trazer o melhor material.
    Onde você irá colocar o fruto de seu trabalho da sua dedicação ? Na gaveta?
    Todos sabemos que a realização para qualquer fotógrafo vem quando seu trabalho é visto pelas pessoas.
    E quando recebe por isto, ai sim a realização é maior.
    A função de vender seu trabalho, cobrar a remuneração devida, evitar a utilização indevida, firmar contratos com clientes, tudo isto fica por conta do arquivo fotográfico.
    Imagine o tempo que você deixaria de fotografar para cuidar destes assuntos.
    Arquivo fotográfico, com a filosofia inicial não é o vilão e sim mais uma oportunidade de negócios para o fotógrafo.

    O problema todo surgiu com arquivos de micro crédito, ou seja, arquivos que praticam preços a partir de U$ 1 dólar.
    Não vamos procurar culpados, direi apenas que existe uma desinformação.
    Não podemos culpar empresas que vislumbram neste mercado, uma excelente oportunidade de negócios.
    O raciocínio destes empresários é simples:
    Vamos comercializar imagens a U$ 1 dólar, vendendo milhares de imagens teremos milhares de dólares.
    Só que os fotógrafos não vendem milhares de imagens, quando muito eles possuem 10, 15 imagens dentro de um acervo de milhões.
    Vamos supor que ele venda suas 15 imagens ( a chance disto acontecer é como tirar na loteria 03 vezes, sozinho ) como ele fica com 50% da venda o que ele ganhou?
    Onde está o erro?
    Do empresário que criou esta forma de comércio que eu chamo de 1,99 ?
    Do mercado que consome? É certo que não ! porque você iria pagar 20 vezes mais caro por um produto de qualidade semelhante?

    Não precisa ser “profissional” para fazer imagens belíssimas, todas pessoas são capazes de produzir imagens fantásticas.
    Uma ou duas fotos maravilhosas que alguém produziu na vida, basta para fazer parte dos arquivos de micro-crédito.
    Este arquivo não terá então 01 milhão de fotos, passará a ter 01 milhão e 02 fotos, e assim irá chegar logo,logo, a 03 milhões, 06 milhões de imagens no acervo.
    Num arquivo tradicional, vc tinha que ter no mínimo 1.000 imagens de excelente qualidade para ser aceito, quem possuía este acervo? Os profissionais.
    Hoje as tecnologias disponíveis democratizaram o ato de fotografar, que eu acho maravilho.
    Mas nos trouxeram estes “problemas”.

    Como resolve-los? No momento não tenho esta resposta, por isto minha necessidade em participar da discussão.
    Mas não posso deixar que uma excelente idéia ( arquivo fotográfico ) criada pela necessidade de grandes fotógrafos seja vista como vilã, pois não é.
    Também não é correto dizer que somente fotógrafos em inicio de carreira participam de arquivo fotográfico, a maioria dos arquivos somente convidam fotógrafos renomados para fazerem parte de seu quadro.

    Trabalho há mais de 30 anos como fotógrafo ( fornecedor de imagens para arquivo ) e há 20 anos venho dirigindo a divisão sul de importantes arquivos fotográficos nacionais e internacionais.

    No inicio ninguém queria investir tempo e dinheiro na produção de imagens para arquivo, pois não existia a certeza de vender alguma imagem.
    Poucos vislumbraram uma oportunidade de negócio para o futuro.
    Com o passar dos anos a idéia se tornou realidade, arquivo fotográfico se tornou um bom negócio. Alguns recuperaram em muito seus investimentos.
    Através de muita luta surgiu no Brasil o respeito pelo direito autoral
    Era a idéia maravilhosa e desejada por todos, viver dignamente do fruto de seu trabalho.

    O sonhou acabou? Ainda não, diminuiu sim consideravelmente através da entrada dos arquivos de micro-créditos.
    Procurarmos “culpados”? Talvez não existam, existe o mercado, existe o fornecedor, existe empresários que vislumbram oportunidades de negócios.
    Existe sim outra realidade.
    O mundo mudou numa velocidade estonteante.
    Esta velocidade colocou numa prateleira empoeirada minhas câmeras 4X5 polegadas.
    As 6×7, 6×9, 6×4,5 se transformaram em peso de papel.
    A pouco tempo atrás você comprava uma câmera e cuidava bem dela, ela lhe retribuiria em prazer pelo resto da vida.
    Hoje todo dia tem mais pixels…

    Inúmeras reuniões acontecem em nossa empresa com a finalidade de encontrarmos soluções para momento.
    Como reagir a tudo isto, afinal de contas é o nosso negócio temos pessoas envolvidas nisto que alimentam suas famílias, seus sonhos.
    É um trabalho e trabalho é dignidade.
    Não somos um bando de bandidos que se juntaram para dar golpes.
    Somos profissionais organizados que representamos milhares de outros profissionais que produzem imagens de qualidade.
    Apesar de não sermos a pastelaria ( como alguém comentou acima ) até a pastelaria tem que ter qualidade se não, não sobrevive.
    Nós levamos as agências e editoras, nossos produtos e serviços.
    Agora mesmo enquanto você está lendo este texto, tem alguém visitando algum cliente, outro telefonando…
    Investimos muito dinheiro em tecnologia, comunicação,logística…
    Somos uma empresa, fazemos isto 24 horas por dia.
    A nossa matéria prima é imagem, nossos fornecedores são fotógrafos, cinegrafistas, músicos, designer…
    Que por sua vez se utilizam de maquiadores, cabeleireiros, equipamentos de informática…
    É uma empresa que alimenta outras empresas.
    É preocupante sim o que acontece como um todo.
    Dias atrás encontrei um site que vende quase de graça logotipos.
    Já vi nestes anos profissionais escanearem os velhos catálogos que distribuíamos e utilizarem as imagens.
    Diversas vezes vi profissionais utilizarem imagens de nossos catálogos como “referência” na produção de fotos.
    Usou de “referência” o trabalho de um diretor de criação, de um fotógrafo, de um maquiador…
    Referência???
    Peço desculpas por me estender demais, mas como diz um slogan do sindicato médico no Rio Grande do Sul:
    A VERDADE FAZ BEM A SAÚDE.

    Um forte abraço e sucesso para você!
    Hércules Testa

  • Juliane Bezerra disse:

    Gente, gente!

    Por favor, pesquisem mais sobre o assunto antes de debatê-lo assim, não apresentem “achismos” principalmente em se tratando de um tema tão antigo c anos de histórico na vida da publicidade e de editorais no Brasil.

    Respeitando assim também grandes fotógrafos que sempre participaram de Bancos de Imagem, como por exemplo, Pedro Martinelli e Walter Firmo, são dois profissionais que estão no Banco de Imagem do SambaPhoto há no mínimo 9 anos e têm muito a ensinar a todos nós, não acham?

    Leiam c muita atenção o texto acima do Hércules q explica tudo e mais um pouquinho.

    E se mesmo assim quiserem saber mais, pesquisem q vão descobrir muita coisa, desde um Banco de Imagem fundado pelo Henri Cartier-Bresson até sites de grandes fotógrafos que se organizaram para montar seu próprio Banco de Imagem e que deram muito certo.

    Existe mercado p todos, o q não existe é mercado p desinformados…

    Obrigada
    Juliane

  • Leonardo disse:

    Vinha lendo todos os posts e no fluir natural de meus pensamentos e opiniões ia formando meu comentário a respeito.

    Não deu para escrevê-lo porque o Hércules Testa, há dois posts atrás, chegou primeiro!!!

    Por outro lado, Armando Vernaglia, aprecio suas justificativas, sua indignação. Porque não é só sua, é de todos aqui (aliás, é exatamente o que movimenta toda esta discussão).

    Mas é o mesmo que querer coibir os avanços da biotecnologia, paralisar o desenvolvimento genético, por exemplo, só porque algo parece ser anti-ético de certo ponto de vista. Anti-ético continua sendo a velha e conhecida irresponsabilidade daquela 1/2 dúzia de inconsequentes, que tivemos, temos e teremos sempre em todos os ramos.

    ACEITEMOS A REALIDADE.

    É utópico imaginar que tudo se transformará retrocedendo aos processos praticados há anos atrás. Não é assim que vai ser. Nós nos adaptaremos, não o ambiente! Encontrar as soluções para os problemas mas sempre respeitando a realidade. Isso é problema nosso, não do sistema.

    A energia para nossa adaptação e perseverança é exatamente aquela que não deve ser consumida pela ânsia do regresso aos velhos tempos. Isso não existe e me causa um stress mental muito nocivo pensar que sim. Se ficar pensando nisso não consigo me concentrar e fotografar direito!

    No mais, disse Hércules.

    Grande abraço a todos!

  • Leonardo disse:

    Só outro detalhe importante que já ia me esquecendo de dizer, pessoal:

    Os tempos andam difíceis para todos. A concorrência cresce em todas as áreas. Não é só porque somos fotógrafos (amadores ou profissionais)e vendermos produtos criativos que tudo deve ser diferente pra gente.

    Penso que todo este movimento só altera uma coisa para os fotógrafos: a carga de trabalho.

    O que acontece é que se antes você tinha que sair e se dedicar para conseguir 3 fotos perfeitas (deste a técnica até a criatividade), hoje não pode voltar com menos de 30!

    Deste ponto de vista a valorização do trabalho continua a mesma. Quem pode voltar com as 30 sai na frente dos que só conseguem 3. E isto eu não vejo porque não ser justo.

    Ossos do ofício. Ossos da nossa globalização!

    (do meu ponto de vista!)

    Abração!

  • eliezer disse:

    Seria bom se todo fotografo nao colocasse mais fotos nesses bancos,eu confesso que fiz essa besteira em varios bancos,e ja estou apagando tudo, eu acho que deveria ser proibido vender o trabalho de um fotografo por centavos como é nesses bancos, da mesma forma que e proibida a venda de CDs piratas, alguem tem que fazer alguma coisa, eu vou fazer a minha parte, vou compartilhar essa ideia no facebook.

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