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Escrever é fazer sexo

29 setembro 2008 1 comentário escrito por Mauro Brasil

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La Dolce Vita – Fellini (1960)

Lembra dos comerciais de cigarro em que no final aparecia o aviso: “O Ministério da Saúde adverte: fumar causa enfisema, entre outros males”? Acho que está no lugar errado. Se era pra advertir (ou estragar o filme, depende se você é telespectador ou o publicitário que criou o comercial), deveria vir no começo, ora!

Por isso, vou logo avisando o meu querido leitor: este artigo é sobre pornografia. Sexo. Putaria mesmo. Se for contra seus princípios, passe para outro artigo (não clique fora do Casa do Galo, por favor) e tire as crianças da frente do computador.

N. do E.: Esse artigo contém temática sexual, se você acha que pode se ofender, não continue lendo.

Escrever é fazer sexo

Quando você quer comer alguém, o que você faz? Chama a atenção dela (ou dele), não é? Mas como você faz isso? Pendura uma melancia no pescoço?

Não, se você é esperto.

Você faz coisas que ela (ou ele) acha importantes – ou divertidas.

Conhecer bem o público-alvo é escrever algo relevante para ele

Você tem que ser criativo ou pelo menos procurar a melhor metáfora possível para fazer com que um socador (entenda como quiser) pareça interessante.

O título tem que ser sedutor

Não é regra. É obrigação.

Eu não clico, ou leio, nada que não me excite.

O texto tem quer sexy

As imagens mais sensuais são aquelas que revelam uma parte e ocultam outra, mexendo com a imaginação.

No começo do texto, dê um prêmio ao seu leitor. Algo que o excite a continuar lendo

Tipo os seios numa foto de mulher pelada (ou… chega! Não vou mais citar o gênero masculino: eu gosto de mulher, e pronto!).

Nada de ir direto ao ponto. É sem graça.

Que nem aqueles filmes de sacanagem só com closes ginecológicos, de modo que você não sabe onde começa a boceta e termina o pau. Parecem até que estão brigando, um querendo derrotar o outro.

Nada disso.

As melhores fitas pornô são aquelas que têm uma história; parece até que o sexo é de verdade.

Porque nada como o amor pra dar tesão.

O seu texto tem que ser assim: você tem que amar fazê-lo

Envolvendo o leitor. Exalando hormônio.

Ah, e por falar nisso, capriche em frases suculentas.

(Eu adoro essa palavra. Chego a babar só de ouvi-la.)

Pense em frases que poderiam ser títulos

Funciona.

Agora, me desculpe o fim precoce deste artigo. Isso nunca me aconteceu antes.

De qualquer maneira, é por isso mesmo que lhe desejo, caro leitor, algo do fundo do meu coração.

Foda-se.

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Mauro Brasil Mauro Brasil, 35, é Redator e Arquiteto da Informação. Já trabalhou em algumas agências de publicidade e hoje é responsável pela Gestão de Conteúdo da Intranet dos Correios/RJ. Também já ganhou alguns prêmios mas acha mesmo que o maior prêmio é saber que suas campanhas deram certo. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.

maurobra@gmail.com | http://conteudodigital.carbonmade.com/


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