Escrever é fazer sexo
![]()
La Dolce Vita – Fellini (1960)
Lembra dos comerciais de cigarro em que no final aparecia o aviso: “O Ministério da Saúde adverte: fumar causa enfisema, entre outros males”? Acho que está no lugar errado. Se era pra advertir (ou estragar o filme, depende se você é telespectador ou o publicitário que criou o comercial), deveria vir no começo, ora!
Por isso, vou logo avisando o meu querido leitor: este artigo é sobre pornografia. Sexo. Putaria mesmo. Se for contra seus princípios, passe para outro artigo (não clique fora do Casa do Galo, por favor) e tire as crianças da frente do computador.
N. do E.: Esse artigo contém temática sexual, se você acha que pode se ofender, não continue lendo.
Escrever é fazer sexo
Quando você quer comer alguém, o que você faz? Chama a atenção dela (ou dele), não é? Mas como você faz isso? Pendura uma melancia no pescoço?
Não, se você é esperto.
Você faz coisas que ela (ou ele) acha importantes – ou divertidas.
Conhecer bem o público-alvo é escrever algo relevante para ele
Você tem que ser criativo ou pelo menos procurar a melhor metáfora possível para fazer com que um socador (entenda como quiser) pareça interessante.
O título tem que ser sedutor
Não é regra. É obrigação.
Eu não clico, ou leio, nada que não me excite.
O texto tem quer sexy
As imagens mais sensuais são aquelas que revelam uma parte e ocultam outra, mexendo com a imaginação.
No começo do texto, dê um prêmio ao seu leitor. Algo que o excite a continuar lendo
Tipo os seios numa foto de mulher pelada (ou… chega! Não vou mais citar o gênero masculino: eu gosto de mulher, e pronto!).
Nada de ir direto ao ponto. É sem graça.
Que nem aqueles filmes de sacanagem só com closes ginecológicos, de modo que você não sabe onde começa a boceta e termina o pau. Parecem até que estão brigando, um querendo derrotar o outro.
Nada disso.
As melhores fitas pornô são aquelas que têm uma história; parece até que o sexo é de verdade.
Porque nada como o amor pra dar tesão.
O seu texto tem que ser assim: você tem que amar fazê-lo
Envolvendo o leitor. Exalando hormônio.
Ah, e por falar nisso, capriche em frases suculentas.
(Eu adoro essa palavra. Chego a babar só de ouvi-la.)
Pense em frases que poderiam ser títulos
Funciona.
Agora, me desculpe o fim precoce deste artigo. Isso nunca me aconteceu antes.
De qualquer maneira, é por isso mesmo que lhe desejo, caro leitor, algo do fundo do meu coração.
Foda-se.
As ideias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.
Se você gostou deste artigo, assine o RSS feed da Casa do galo. Você também pode receber os artigos por e-mail.
Mauro Brasil, 35, é Redator e Arquiteto da Informação. Já trabalhou em algumas agências de publicidade e hoje é responsável pela Gestão de Conteúdo da Intranet dos Correios/RJ. Também já ganhou alguns prêmios mas acha mesmo que o maior prêmio é saber que suas campanhas deram certo. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.
maurobra@gmail.com | http://conteudodigital.carbonmade.com/
Últimos artigos escritos por Mauro Brasil
- Gestor de conteúdo: de doorman a DJ
- Marcas que amamos demais
- Tableless e usabilidade - A babel virtual
- Evangelistas - Eles espalham a palavra
- Convenções - Elas estão sempre lá e você não dá a menor importância. Mas experimente tirar.
- Beyond the line - Nas Olimpíadas e na vida
Mauro Brasil já escreveu 7
artigo(s) para a Casa do galo.
Leia as colunas anteriores do(a) Mauro Brasil.
Este artigo tem as seguintes tags: arte, dica, escrever, escrita, sexo

Mauro Brasil, 35, é Redator e Arquiteto da Informação. Já trabalhou em algumas agências de publicidade e hoje é responsável pela Gestão de Conteúdo da Intranet dos Correios/RJ. Também já ganhou alguns prêmios mas acha mesmo que o maior prêmio é saber que suas campanhas deram certo. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras. 









rogerio paro gatinha
[Responder]
Deixe seu comentário!