Era uma vez…

Quero fazer uma ligação entre este artigo que vou escrever e o texto do Rafa Amaral, publicado aqui na Casa quarta-feira. Ele começou o texto dele dizendo que “grandes mudanças estão marcando o mundo da comunicação” para explicar a idéia do Transmedia Storytelling.
Achei o texto do Rafa muito bom e concordo com tudo o que ele apresentou. Mas parei pra pensar um pouco sobre o aquela primeira frase e percebi que mudanças estão acontecendo sim, mas não no que diz respeito ao storytelling. O nome é novo, mas a prática é antiga. Explico:
Quando a publicidade tornou-se publicidade mesmo, uma atividade reconhecida e legitimamente profissional, a comunicação era feita basicamente através do storytelling. Para vender algum produto, para transmitir uma idéia, o publicitário (ou propagandista, na época) tinha que criar uma história ao redor do que ele pretendia anunciar.
Veja o texto deste anúncio para Alpargatas:
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Mais pra frente vieram as limitações dos veículos, que vendiam seus espaços em tempos determinados. Isto forçou os profissionais a resumir as histórias. Era preciso criar um contexto imenso dentro de pouco tempo. Foi daí que surgiu aquela idéia de que os publicitários eram contadores de histórias mais criativos, pois conseguiam passar uma idéia inteira e complexa em pouco tempo e ainda fazer disso uma ferramenta de venda. Portanto, a ordem principal para os redatores era resumir. Escreva, escreva, escreva e depois corte, corte, corte, até chegar a algo simples, rápido e eficiente.
Juntou-se a isso o aperfeiçoamento dos editores gráficos e da produção. Com as máquinas potentes, os softwares avançados e as técnicas bem aplicadas, maravilhas e mais maravilhas iam surgindo, fazendo do texto um complemento, isto quando ele era necessário. A história, agora, era contada basicamente pelas imagens e pelos sons.
Agora volto a citar o texto do Rafa quando ele diz, acertadamente, que “contar histórias não deixa de ser (…) um dos princípios da publicidade”. Penso a mesma coisa. Continuando o texto dele, temos: “Todo o rebuliço que a web anda fazendo atualmente não se trata de revolução. É evolução”. Certo novamente, Rafa.
E por isso posso, tranquilamente, finalizar meu pensamento: estamos numa época de busca do antigo. Basta ver as diversas expressões nostálgicas que aparecem a cada instante: objetos inteiros montados de Lego, games baseados nos jogos para Atari, e por aí vai. Estamos redescobrindo o que a história nos deu e repaginando o que achamos interessante. Estamos contando histórias com a própria história. Podemos nos dar o prazer de contar histórias reais, com personagens reais, num enredo que se forma à medida que a história acontece, no tempo que é mais conveniente.
Estamos contando histórias, vivendo histórias e, com isso, fazendo história.
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Claudinei Junior, 25, é publicitário para viver e não vive para publicidade. Na agência Marca-X, trabalha com planejamento e mídia. Coagiu seus ex-professores com métodos nada convencionais e, por isso, também é professor universitário da Faculdade de Comunicação de Pres. Prudente (Facopp/UNOESTE). De quebra, escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.
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Claudinei Junior, 25, é publicitário para viver e não vive para publicidade. Na agência Marca-X, trabalha com planejamento e mídia. Coagiu seus ex-professores com métodos nada convencionais e, por isso, também é professor universitário da Faculdade de Comunicação de Pres. Prudente (Facopp/UNOESTE). De quebra, escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras. 







Continue fazendo a sua história…
Mais uma vez, PARABÉNS! Sábias palavras!!!
[Responder]
Acho que antes havia a novidade, onde hoje há saturação,
por isso tanto malabarismo, (re)invenções e termos novos.
[Responder]
Claudinei, tudo bom?
Venho acompanhando essa discussão sobre storytelling e afins na Casa do Galo desde o primeiro post. Esse assunto vem sendo muito repercutido na blogosfera, mas é tratado como 99% do que se fala na blogosfera: modismo.
Nesse sentido, parabéns pela iniciativa de discutirem o assunto mais a fundo, de uma forma mais investigativa e adicionando mais reflexão do que a média.
Sobre o seu post tenho dois comentários:
1) Storytelling realmente tem tudo a ver com a origem da publicidade. Quanto mais antigo o “case”, mais uma história ele conta. Esse processo de síntese da mensagem de fato aconteceu, e é por isso que cada vez menos a propaganda faz conexões com o consumidor. Conexões emocionais, afetivas etc. Mas mesmo a propaganda do passado não utilizava todo o potencial do storytelling. Farei uma rápida analogia: é possível criar uma campanha em cima de um universo, como o de Lost, mas no passado as propagandas estavam mais para curta-metragens com fim em si próprios. O resgate é importante, mas é preciso pensar pra frente…
2) Acho que muita gente cai na velha confusão entre História e Estória. Tudo bem que aboliram a palavra Estória da gramática oficial, mas a diferença de significado continua existindo. O que chamamos de Storytelling, ou contação de história, está mais ligado à história que começava com E do que a que começava com H. As histórias que conectam pessoas, liberam emoções e transmitem conhecimentos não necessariamente são reais…
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BRAVO!
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