Então, é Natal. E o que você fez?
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Como assim, o que eu fiz? Esse tal de Natal é meio intrometido. O cara aparece uma vez por ano e todo mundo é obrigado a aceitá-lo em suas casas. Todo mundo mesmo. E não precisa ser católico pra isso. Não adianta trancar as portas, fingir que está dormindo, dizer pra passar amanhã, que só tem pão velho. Nada. Todo dia 25 de dezembro ele está lá. O pior é que o cara-de-pau avisa meses antes que vai chegar, seja pela televisão, pelo rádio ou pela internet. Isso só contando quando se está em casa, hein!
Já reparou quantas vezes o Natal fala com você num só dia nessa época do ano? Eu já.
Saio de casa, vou pro ponto d’ônibus, que fica na calçada de uma loja de doces. Estou eu ali, parado, aguardando o coletivo, eis que me deparo com a maravilhosa decoração natalina da loja: pisca-piscas, bolas coloridas e espelhadas e alguns papais-noéis subindo escadinhas (como se papai Noel precisasse subir escadas) e, logicamente, as já tradicionais promoções de findano: displays, móbiles, cartazes e todo material de ponto de venda que se possa imaginar. E olha que é só uma doceria.
Muito bem, entro no ônibus e o motorista, com touquinha de papai Noel, me felicita o Natal com aquela cara de quem, obviamente, foi obrigado pela empresa. Na verdade acho que ele estava querendo dizer “Entra logo e não faça perguntas”. No trajeto ao metrô passo por inúmeras campanhas de mídia externa, algumas delas ilegais: outdoors irregulares, faixas, busdoors em outros ônibus e tudo mais.
Nessas horas que sinto que não estou sozinho, que tenho amigos: as marcas. Todas irão passar a meia-noite comigo. E é claro que eu não as convidei. Elas devem ser como aquelas tias gordas e varizentas (com pós-conceito), que se aproveitam do atrevimento da data pra “pegar o vácuo”, roubar a sua cadeira na ceia e ainda dizer que em 2008 começam o regime. Aquelas, sim, as marcas, independem de religião. Basta colocar o preço lá embaixo e o parcelamento lá em cima que o Deus da Economia e os Três Reis do Varejo tratam de fazer as honrarias religiosas.
No metrô, quase sempre com sua capacidade lotacional ultrapassada, é que o tal do Natal me põe contra a parede e grita: “Como é? Vai me deixar entrar ou não?”. No vagão não se fala em outra coisa. Sancas e painéis metralhando nosso campo de visão com campanhas de celulares, shoppings e faculdades – que não tem nada a ver com o assunto, mas pegam carona –, além das conversas e sacolas dos passageiros.
Pode não parecer, mas não sou contra o Natal. Gosto de tradições, pois com todas se aprende grandes histórias. O problema está quando essas histórias se perdem com o passar dos anos, ficam sem sentido, esquecidas. O Natal é uma delas. As pessoas não assumem, mas poucas ainda pensam na importância religiosa e espiritual que esta data tem ou teve. Quero deixar claro, mais uma vez, que não sou religioso, mas acho que as pessoas que se dizem ser, devem honrar suas crenças. Muitos dizem que isso é culpa da Publicidade ou do capitalismo. Discordo. Acho que tanto um como o outro, simplesmente, se aproveitam dessa fragilidade espiritual das pessoas.
Experimente passar um Natal sem presentear ninguém. Melhor, presenteie, sim, mas apenas com uma saudação de Feliz Natal, um beijo e um abraço. Ou ainda, imagine que a pessoa que você mais ama não tenha te dado presente nesse Natal. Imagine que ela tenha dito “apenas” que te ama.
Eu me decepcionaria, eu quero presente. E você também.
E a culpa é da Publicidade?
Viralzinho da semana: eu poderia citar o War in Rio, mas como a Rede Globo já tratou disso, cito uma ação da Kibon, o Desafio Fruttare, que tem tudo pra ser um reality show engraçadóide com Rafinha Bastos, um dos melhores comediantes do Brasil na minha opinião. Teoricamente, o cara terá que viver e ser 100% natural durante um período. Verdade? Armação? Não sei, mas pelo menos o cara é bom.
Obs: É nóis na Segundona. Zelão +10.
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Alessandro Ribeiro, 25, publicitário por formação e redator por profissão e falta de opção. Já passou por Submarino, Ideal Interactive e agora cola na Gruda em Mim (Que o Boi Não Te lambe). Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.
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Alessandro Ribeiro, 25, publicitário por formação e redator por profissão e falta de opção. Já passou por Submarino, Ideal Interactive e agora cola na 







Ale, ótimo artigo!
O presente tornou-se realmente obrigatório…
Ah, faltou mencionar o viral do momento: 2 girls 1 cup.
O negócio mais bacana é que os virais são as reações das pessoas assistindo ao filme. Vejam.
Não vou colocar link do vídeo aqui, tem crianças neste horário.
Ale,
você só fala isso por que deve ganhar meias de presente todos os anos, nunca soube o que é um presente de Natal de verdade. E esse ano então? Um rebaixamento para a SEGUNDONA!
Tens razão de ser tão amargurado assim. Quem mandou torcer para o time que torce!
Abraços
Marquito – Último artigo em seu blog: SEGUNDA-feira
não li seu texto, tô aqui apenas pra dizer que a sua coluna vai ser depois do domingo, na SEGUNDONA
Falo tudo!!
Aceito presentes =)
Ótimo artigo.
Mas meu comentário é pra fazer defesa das propagandas de faculdades.
Elas não estão pegando carona no Natal. Estão sim é seguindo o calendário escolar, que acabou de terminar, assim elas já conversam com potenciais universitários que acabaram de terminar o colégio, e que já são obrigados a pensar em que irão fazer no futuro.
Ou pior, para aqueles que já tem certeza que não passarão na Fuvest e que vão ter que pagar pela faculdade.
Ah… Alê, você é uma das pessoas que mais amo, imagine como eu vou ficar se você não me der presente?
bjO
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