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Entendendo a propaganda política 2008 na internet

8 agosto 2008 1 comentário escrito por Claudinei

brasil_palhaco Estamos no começo do processo eleitoral deste ano, que vai eleger prefeitos e vereadores para as nossas milhares de cidades brasileiras. Não tenho dúvida de que as agências de publicidade, os assessores de marketing político e demais profissionais ligados às campanhas eleitorais ficaram muito empolgados ao verem as ações promovidas pelo candidato à presidente dos Estados Unidos, o neo-celebridade Barack Obama. O que este senhor está fazendo em termos de propaganda política é algo novo, não só pelos recursos e pelas ferramentas que ele utiliza dentro da rede mundial de computadores, mas também pelo foco e pela intensidade que ele resolveu adotar.

Então, imagino eu que os profissionais brasileiros que já sabiam que iriam trabalhar em campanhas políticas assim como aqueles que ficaram sabendo recentemente, essas pessoas devem ter entrado num processo de estudo aprofundado do case do senador e candidato estadunidense. Em proporções menores, devido ao grau político das eleições brasileiras (municipais e não estaduais e nacionais), os feitos do Mr. Obama serviriam de exemplo e inspiração para nossos criativos. Serviriam.

Como a maioria deve saber, nosso modernoso Tribunal Superior Eleitoral fez o favor de acabar com a festa antes dela começar, promulgando a resolução 22.178 que, em termos simples e básicos, proíbe campanhas políticas para as eleições 2008 na internet, acarretando em crimes quaisquer divulgações em blogs, redes sociais e afins; a única liberação é de uma página para cada candidato e que tenha a terminação .can.br (candidato brasil?). Absurdo, diriam os críticos mais acalorados. E eu fui um deles. Fui.

Digo que fui porque andei pensando muito sobre esse assunto ultimamente. Eu realmente queria entender por que esse tipo de decisão por parte do Judiciário foi tomada. E acho que encontrei a resposta.

O TSE argumentou que queria resguardar os direitos dos candidatos com menos verba, afirmando que estes não teriam condições iguais de promover campanhas na web equiparáveis aos candidatos com mais “apoio político”. E eu entendo essa razão do TSE. Esses candidatos de menor expressão precisam focar suas escassas economias no veículo de massa que atinge toda a população, que é a televisão.

Mas este argumento ainda não havia me convencido. Foi então que percebi que a resposta estava ali, na minha frente a todo tempo: ao apoiar os candidatos menores a focarem suas verbas na mídia de massa, resguardando os direitos igualitários de divulgação política, o nosso querido TSE queria, na verdade, resguardar os nossos direitos de eleitores. É isso mesmo, gente. Pense bem: as eleições municipais são o grande palco para os candidatos menos favorecidos promoverem seus shows e quem ganha somos nós, eleitores. Afinal de contas, quem não gosta de um bom show de humor?

Por essas e outras que eu entendo a resolução do Tribunal Superior Eleitoral. Se as campanhas na internet fossem liberadas, grande parte dos brasileiros seria excluído da diversão diária. Além disso, tudo ia ficar muito sério, os melhores filmes de campanha seriam uploadeados e não acabariam nas TVs, exatamente como acontece com a maioria dos vídeos virais. O TSE, muito sabiamente, está usando a estratégia inversa: as vinhetas de televisão se tornarão virais, como já acontece desde que o compartilhamento de vídeos pela internet existe, e não o caminho contrário (viral de internet à TV).

E aí sim o Obama vai ver quem é que manda na rede.

Em tempo: para saber mais sobre essa história da resolução 22.178, você pode clicar aqui e aqui.

Em tempo 2: acho que o TSE não está levando muito a sério essa resolução que ele mesmo criou, vide um dos orkut da Marta Suplicy, essa notícia do IG, essa outra notícia do blog de uma consultoria, e muitos outros exemplos espalhados por aí.

Em tempo 3: tudo indica que os Tribunais Regionais Eleitorais podem emitir liberações para a resolução do TSE, ampliando a utilização da internet nos locais que lhes cabem atuar. Ou seja, acho que a tal da resolução serve mesmo para nada.

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Claudinei Claudinei Junior, 25, é publicitário para viver e não vive para publicidade. Na agência Marca-X, trabalha com planejamento e mídia. Coagiu seus ex-professores com métodos nada convencionais e, por isso, também é professor universitário da Faculdade de Comunicação de Pres. Prudente (Facopp/UNOESTE). De quebra, escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.

jrpunketone@gmail.com | http://orgasmoscerebrais.blogspot.com


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1 comentário »

  • Patrick de Souza Aguera disse:

    Curti as idéias, o lance de vc ser publicitário, pois logo serei tbm, no momento sou estudante!!!

    mas o que mais curti é saber que vc curte um bom punk rock…

    NOFX e RANCID é muito foda!!!!, hehehe

    [Responder]

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