Dois mil e Dez(abafo)
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Neurônios se esquecem de brindar um ano novo. Sentem-se cansados e velhos para isso, pobrezinhos. É aquela história: enquanto uns tão novos, outros tão despreocupados. O que importa é: estão vivos.
Quando a noite chega é hora do sol iluminar o outro lado do mundo. (Solícito). Aí a luz vem incomodar meus olhos, mas vem incentivar meus sonhos. Se sonho acordado e acordo dormindo, ou vice-versa, tantofazaordemdadesordem. Vive-se da mesma forma, mesmo morto de viver da mesma forma. Formatada-vida até que um hífen a separe.
Falando nisso, cai o hífen agora enquanto cai o hímen sempre: tão bom quanto. Dependendo de quem paga pra aprender o que cai, penso eu cá com os neurônios carecas pelo chapeuzinho desgastado. Aliás, paga-se pra aprender o que cai quando se pode pagar por aprendizado. Senão vai na marra/garra mesmo. Deu-pra-entender?
Onde? Quando? Como? Quem? Por quê? Hoje é melhor responder monossilabicamente. Mesmo que seja um superhipermegamonossílabo. É assim que devem ser respondidas as perguntas mais complexas. É assim que deve ser vivida a vida: simplesmente. Porque perguntas simples – e respostas idem, tão simples quanto a vida, deixaram de existir desde que a filosofia deixou de ser escrita com letra maiúscula. Desconheço a data da reforma orto(mentalo)gráfica que incentivou essa mania. Mas concordo, claro, para que não sejam excedidos os 140 caracteres.
Seja como for, continuamos amando e odiando Tudo. E veja que despropósito interessante: Tudo não nos ama, só nos odeia. Digo isso pois Tudo, quando questionado, defende-se, sem chances de réplica, descendo água ou tocando fogo no que encontra pela frente. Acho que Tudo está levando a sério a ideia de responder monossilabicamente, simplesmente. E nós, neo-rônios, seguimos o ritual da vida como deve ser e como sempre foi seguido. Aprendemos, conhecemos e agimos através de um procedimento básico, basicamente baseado em bases sólidas, baseadas num procedimento básico advindo, basicamente, de bases sólidas. E assim por constante. Um tipo de crença que insistimos em descrer constantemente. Afinal, as melhores respostas, geralmente, são encontradas nas coisas mais simplesmente básicas. Básica, simples e geral. Mente.
Portanto, creio forte-mente no futuro. E o futuro está próximo. E, claro, isso Tudo explica.
* A imagem que ilustra o artigo é de Fábio Fiori
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Claudinei Junior, 25, é publicitário para viver e não vive para publicidade. Na agência Marca-X, trabalha com planejamento e mídia. Coagiu seus ex-professores com métodos nada convencionais e, por isso, também é professor universitário da Faculdade de Comunicação de Pres. Prudente (Facopp/UNOESTE). De quebra, escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.
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