Dois anos de Casa do galo – A CASA como ela é
Tenho pouco tempo de Casa para saber se rolam sujeiras embaixo do tapete ou algum tipo de corrupção por aqui, se por detrás de toda essa organização há alguma máfia envolvida. Alguns colunistas mais velhos falam da grana que ninguém vê, outros suspeitam do desvio de dinheiro, but isso é com eles.
Não tenho espora, tampouco pinto pra dar água. Não sei de nada. Só posso dizer do que passei para chegar aqui. Sim, fui leitor como você, e daqueles assíduos, às vezes puxa-saco – não digo que a receita dá certo, pelo menos força a amizade.
Bem… bati na porta da Casa fazendo perguntas ao oráculo, deparei com um texto de um cara que mudou de casa e agora fatura muita grana com o povo grudando nele – comenta-se pelos corredores que foi altíssimo o valor do passe.
A verdade é que depois de tanto ler e aprender muito com os artigos; me julguei preparada, resolvi pedir emprego. Cheguei ao escritório que ficava em um prédio colonial, em uma rua deserta do centro velho de São Paulo, da portaria se ouvia o blues. Na ante-sala, que tentava ser recepção, uma mesa com cartas viradas, fichas pra todo lado e latas de cerveja pelo chão (pensei umas trocentas vezes – estou no lugar errado ou cheguei antes da limpeza).
A única constatação, na porta a plaquinha: EDITOR CHEFE e a marca CASA DO GALO. Respeitando o “bata antes de entrar”, me anunciei no toc-toc. O próprio editor abriu, suado e descabelado. Lá dentro, um sofá gigante, livros pra todo lado. Fotografias do piso ao teto. Diverti meus olhos pelo cenário evitando não me assustar e denunciar a cara de noite mal dormida que ele estampava. Sisudo no “bom dia”, escondeu o controle do Wii na gaveta. Nem esboçou sorriso. Mas aquele blues ao fundo não deixou que o semblante sério causasse a primeira impressão. Alguém que ouve bad to the bone às 8h precisa curar uma ressaca com outra – definitivamente, ou quer assustar muito.
Sinalizou para que eu sentasse. O som muda, mais clima de inferninho impossível – Peter Gunn Theme (meu deuxdoceux, será isso um escritório?).
Sentou na outra ponta do sofá. Disse para eu me apresentar na terceira pessoa, que exatamente aquilo seria publicado como mini CV, sem possibilidade de correções. E caso o agradasse naquele instante estaria admitida (nem preciso dizer da minha aflição). Enfim sorriu (não sei se de mim), disse que iria pro ar na próxima segunda. E definiu que todo domingo, até zero hora, fossem encaminhados 5 artigos, para análise e aprovação de “um” para publicação. Que eu teria 90 dias de experiência não remunerada, sem direito a férias nem 13º. Mais durão que o Mister Jock, só Nizan Guanaes.
Foi punk, mas consegui. A gente cresce uma porrada quando se junta com gente grande. Perambulando pela Casa descobri que o mais novo é o mais cabeção, nerd oficial, morador também de outras duas casas diferentes e que monitora redes sociais por hobby. Nem sei se é certo dizer que a Casa fica em São Paulo, afinal nela mora gente da Bahia, Rio Grande do Sul e de Janeiro, Goiás, Minas. Moraram figuras que circulam pela Europa e às vezes passam pr’uma jogatina, e até uma que se mandou pro Japão.
Por aqui tem de tudo. De redator poeta, tarado por pastas a tarados de carteirinha. Baterista tocador de viola, que planeja e escreve melhor que muito redator. Webwriter avassaladora. Viciado em web e cerveja, que coleciona latas vazias e filmes tarantinescos. Redator que faz samba. Tem músico de verdade que faz arte. Redatora que não come carne. Professor que conta histórias. Atendimentos que aparecem vezenquando e como os especialistas que passam por aqui, escrevem curtinho e matam a pau. Ateus, atoas, pagãos e crentes, claro alguns descrentes, mas, todos como muita fé na publicidade. E eu, a menos publicitária de todos, embora com tamanha cara de pau que pedi pra morar na Casa do Galo.
Meu artigo ta com pinta de uma “série de denúncias”, mas acredite, a minha não será a única – a semana ta só começando.
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Iasnara Amorim, 29, Pré-publicitária e pseudo-contista. Abandonou a Veterinária por amor aos animais. Trocou Administração por Propaganda, numa passagem pelo Marketing quando foi esporada pela Publicidade. Atua na Promoção e Produção de Eventos, transformando figurinhas em metragens e cifrões. Vislumbra um futuro de Planner, por faltar insanidade criativa para a redação. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.
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Iasnara Amorim, 29, Pré-publicitária e pseudo-contista. Abandonou a Veterinária por amor aos animais. Trocou Administração por Propaganda, numa passagem pelo Marketing quando foi esporada pela Publicidade. Atua na Promoção e Produção de Eventos, transformando figurinhas em metragens e cifrões. Vislumbra um futuro de Planner, por faltar insanidade criativa para a redação. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras. 







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