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Desenha-me um resultado

7 dezembro 2009 1 comentário escrito por tarcizio

carneiro caixa principe thumb Desenha me um resultado

“Três e dois são cinco. Cinco e sete, doze. Doze e três, quinze. Bom dia. Quinze e sete, vinte e dois. Vinte e dois e seis, vinte e oito. Não há tempo para acender de novo. Vinte e seis e cindo, trinta e um. Uf! São pois quinhentos e um milhões, seiscentos e vinte e dois mil, setecentos e trinta e um”.
– O ‘homem de negócios’ do livro O Pequeno Príncipe, que conta, conta, conta e não sabe o porquê de estar contando

Uma das grandes discussões sobre a qual todos profissionais e analistas wannabe travam sobre mídias sociais são suas métricas. Ou a falta delas, em alguns casos. Mas isso é apenas um ledo engano. Métricas para mídias sociais estão tão avançadas quanto métricas para mídia online, como links patrocinados.

Um dos problemas é o “oba oba” que alguns jornalistas e, pasmem, alguns publicitários fazem em torno de dados que dão uma boa manchete, ao invés de utilizar seu tempo para produzir conteúdo e pesquisar sobre novos modos de desenvolver e apresentar métricas. Nas últimas semanas pipocaram dados sobre os jogos sociais no Facebook. Algumas matérias chegam ao ponto de dizer que os jogos sociais lá já superaram os aplicativos sociais mais famosos por aqui, como BuddyPoke. Triste (ou mesmo canalha) erro de quem se pauta apenas por veículos estrangeiros e não analisa dados. O mercado de aplicativos sociais no Orkut vai bem, algumas empresas e desenvolvedores estão se beneficiando disso. E os clientes que são atendidos por publicitários mais preocupados com números brilhantes e ocos estão a ver navios.

Outro buzz foi a publicação da tradução de um artigo de um site estrangeiro, o MediaPost, de “100 Ways to Measure Social Media”. O post que rodou dezenas de blogs brasileiros com o título “100 maneiras de medir o impacto em mídias sociais” ou “100 métricas para mídias sociais” se deslumbra e tenta deslumbrar pelo número, mas com pouca qualidade de fato. De que adianta listar cem indicadores de diferentes níveis, plataformas, objetivos diferentes, sem uma organização ou reflexão sobre? Enquanto isso, o documento “Social Media Ad Metrics”, da Interactive Advertising Bureau, que é um excelente guia com descrições organizadas e sólidas de cada métrica proposta, não conseguiu quase nenhuma atenção brasileira. E o porquê disso, infelizmente, é simples. Preguiça e vontade de deslumbrar com facilidade, mas sem valor.

Retomando a referência a O Pequeno Príncipe, saiba mostrar seu carneiro. A história de desenhar a caixa, ao invés do carneiro, é linda para falar sobre imaginação. Mas não sobre resultados. E uma caixinha bonitinha, por mais que seja bonitinha, é apenas uma caixa. Ao invés de oba oba, faça um trabalho bom. Não desenhe a caixa. Desenhe o resultado.

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Tarcízio Tarcízio Silva, 22, é formado em Produção Cultural. Na faculdade se apaixonou por publicidade no Observatório de Publicidade em Tecnologias Digitais, passou rapidamente por duas agências soteropolitanas e montou com três amigos uma digital, a PaperCliQ. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.

tarushijio@gmail.com | http://www.tarciziosilva.com.br/blog


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