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Das crises diárias e das (um pouco) mais duradouras

26 agosto 2008 4 comentários escrito por Gui

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“The burning” – Dave Nitsche

Tô em crise…

Fiquei um tempo pensando como fazer num texto algo parecido com o que o Angeli faz nas suas tiras “Angeli em crise”, mas além de não ter encontrado um formato interessante, achei que, em certa medida, seria um desrespeito com os outros colunistas e ainda mais com os leitores.

Talvez seja o famigerado inferno astral que, dizem, precede os aniversários. Mas, me conhecendo bem, se fosse isso, ficaria em crise os 365 dias que compõem esse período por definição.

Vou aproveitar o clima pra fazer uma espécie desabafo pertinente ao espaço. Sei que o assunto já é batido e exaustivamente debatido, mas quando se trata das intempéries da nossa vida criativa, nunca é demais.

Alguém tem alguma dica sobre o que fazer pra melhorar os briefings?

Eu tenho me divertido com o blog Piores Briefings do Mundo e não demorei muito a perceber que é como quando a gente assiste comédias de cotidiano: quanto mais a gente se identifica com o que tá rolando na tela, mais a gente se diverte.

Já ouvi de atendimentos por aí que a culpa é nossa, que a gente quer as coisas muito mastigadas, e aquele monte de bla bla bla que todos da criação já devem estar cansados de escutar…

Há muito, muito tempo, numa agência de Campinas:

Criação: – Chegou a arte aí?

Atendimento: – Chegou, sim. Tá jóia! Só o preço que tá errado!

C: – Blz… Já arrumo e te envio novamente.

A: – Pode deixar que eu arrumo aqui!

C: – Aqui onde?!

A: – No arquivo que vc me mandou!

C: – No jpeg?!?!

No mínimo, há um despreparo (ou descaso) proposital, me parece.

Tudo bem, ela queria trabalhar com atendimento desde que entrou na faculdade, ninguém é perfeito, mas como é que a pessoa passa 4 anos estudando publicidade e não sabe que não dá pra editar um jpeg no Word?!

Às vezes também parece que é de sacanagem (essa é mais fresquinha, dessa semana):

Atendimento: – Faz a arte de uma caneca!

(1… 2… 3… 4… 5… Ok… Vamos tentar arrancar algo aos poucos…)

Criação: – Pra que é a caneca?

A: – Segredo! rs…

Eu fico me perguntando se a pessoa, com a grana na mão, chega numa concessionária e diz ao vendedor “quero um carro”…

As ideias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.

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Gui Gui Pignata, 27 anos, é músico, quase físico e bacharel em Música Popular pela Unicamp. Estuda Publicidade e Propaganda na PUC Campinas e é designer gráfico da ONG Teatro de Tábuas. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às terças-feiras.

guipignata@gmail.com | http://www.antinomia.blogspot.com


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4 comentários »

  • Galo disse:

    Gui,

    Ri muito com o primeiro exemplo! hhahahaha

    [Responder]

  • Iasnara disse:

    alguns, dão tanto pânico, quanto os metrossexuais legítimos ou as turbinadas sem motor de arranque.

    [Responder]

  • Gui Pignata (author) disse:

    Tem uma pior.. Certamente iria pro texto se tivesse acontecido antes…

    Tenho que elaborar o materia de venda do projeto de natal sem usar Arvore de Natal, sem Papai Noel, sem enfeites, sem abusar do ‘vermelho e verde’… Sem qualquer motivo natalino…

    O Rafa disse pra eu colocar mulher pelada que vende… To pensando seriamente!

    [Responder]

  • Ricardo disse:

    Esse artigo tem direito a resposta? Concordo que existe muito profissional ruim no mercado, profissionais que não sabem como fazer um briefing direito e que escrevem absurdos como os que você deu como exemplo. Eu, como Atendimento e Planejamento, sou o primeira a defender a criação para o cliente, buscando ser fiel ao Racional Criativo e vendendo a ideia da melhor maneira. Mas já reparou que a maioria dos criativos não lêem briefings? QUe os criativos perguntam da 1a a 10a linha, tudo o que esta escrito entre a 11a e a 48a linha? E que normalmente, o que é pedido é alterado pelo fato de achar que todo conceito deve ser criativo? É uma discussão que ambos os lados possuem motivos de sobra para criticar o outro departamento. Mostrar o atendimento como o lado “burro” da propaganda é um pouco demais. Um abraço.

    [Responder]

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