Das crises diárias e das (um pouco) mais duradouras
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Tô em crise…
Fiquei um tempo pensando como fazer num texto algo parecido com o que o Angeli faz nas suas tiras “Angeli em crise”, mas além de não ter encontrado um formato interessante, achei que, em certa medida, seria um desrespeito com os outros colunistas e ainda mais com os leitores.
Talvez seja o famigerado inferno astral que, dizem, precede os aniversários. Mas, me conhecendo bem, se fosse isso, ficaria em crise os 365 dias que compõem esse período por definição.
Vou aproveitar o clima pra fazer uma espécie desabafo pertinente ao espaço. Sei que o assunto já é batido e exaustivamente debatido, mas quando se trata das intempéries da nossa vida criativa, nunca é demais.
Alguém tem alguma dica sobre o que fazer pra melhorar os briefings?
Eu tenho me divertido com o blog Piores Briefings do Mundo e não demorei muito a perceber que é como quando a gente assiste comédias de cotidiano: quanto mais a gente se identifica com o que tá rolando na tela, mais a gente se diverte.
Já ouvi de atendimentos por aí que a culpa é nossa, que a gente quer as coisas muito mastigadas, e aquele monte de bla bla bla que todos da criação já devem estar cansados de escutar…
Há muito, muito tempo, numa agência de Campinas:
Criação: – Chegou a arte aí?
Atendimento: – Chegou, sim. Tá jóia! Só o preço que tá errado!
C: – Blz… Já arrumo e te envio novamente.
A: – Pode deixar que eu arrumo aqui!
C: – Aqui onde?!
A: – No arquivo que vc me mandou!
C: – No jpeg?!?!
No mínimo, há um despreparo (ou descaso) proposital, me parece.
Tudo bem, ela queria trabalhar com atendimento desde que entrou na faculdade, ninguém é perfeito, mas como é que a pessoa passa 4 anos estudando publicidade e não sabe que não dá pra editar um jpeg no Word?!
Às vezes também parece que é de sacanagem (essa é mais fresquinha, dessa semana):
Atendimento: – Faz a arte de uma caneca!
(1… 2… 3… 4… 5… Ok… Vamos tentar arrancar algo aos poucos…)
Criação: – Pra que é a caneca?
A: – Segredo! rs…
Eu fico me perguntando se a pessoa, com a grana na mão, chega numa concessionária e diz ao vendedor “quero um carro”…
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Gui Pignata, 27 anos, é músico, quase físico e bacharel em Música Popular pela Unicamp. Estuda Publicidade e Propaganda na PUC Campinas e é designer gráfico da ONG Teatro de Tábuas. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às terças-feiras.
guipignata@gmail.com | http://www.antinomia.blogspot.com
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Este artigo tem as seguintes tags: brief, briefing, Criação, Crise, humor, piada

Gui Pignata, 27 anos, é músico, quase físico e bacharel em Música Popular pela Unicamp. Estuda Publicidade e Propaganda na PUC Campinas e é designer gráfico da ONG Teatro de Tábuas. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às terças-feiras. 







Gui,
Ri muito com o primeiro exemplo! hhahahaha
alguns, dão tanto pânico, quanto os metrossexuais legítimos ou as turbinadas sem motor de arranque.
Tem uma pior.. Certamente iria pro texto se tivesse acontecido antes…
Tenho que elaborar o materia de venda do projeto de natal sem usar Arvore de Natal, sem Papai Noel, sem enfeites, sem abusar do ‘vermelho e verde’… Sem qualquer motivo natalino…
O Rafa disse pra eu colocar mulher pelada que vende… To pensando seriamente!
Esse artigo tem direito a resposta? Concordo que existe muito profissional ruim no mercado, profissionais que não sabem como fazer um briefing direito e que escrevem absurdos como os que você deu como exemplo. Eu, como Atendimento e Planejamento, sou o primeira a defender a criação para o cliente, buscando ser fiel ao Racional Criativo e vendendo a ideia da melhor maneira. Mas já reparou que a maioria dos criativos não lêem briefings? QUe os criativos perguntam da 1a a 10a linha, tudo o que esta escrito entre a 11a e a 48a linha? E que normalmente, o que é pedido é alterado pelo fato de achar que todo conceito deve ser criativo? É uma discussão que ambos os lados possuem motivos de sobra para criticar o outro departamento. Mostrar o atendimento como o lado “burro” da propaganda é um pouco demais. Um abraço.
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