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Coolhunting – Sobre marteladas, submarinos e tendências

16 novembro 2009 7 comentários escrito por tarcizio

coolhunting_publicidade

Coolhunting é uma atividade que traz vários preconceitos em torno de si. Para começo de conversa, seu próprio termo é inexato. Afinal, “cool” seria algo como “legal” e novo. Mas coolhunting não é simplesmente caçar o legal. Eu diria que tampouco é “caçar tendências” como se diz por aí. Elaborando um plano de coolhunting no último mês, lembrei-me de uma quase-parábola que um amigo meu, bem mais experiente, contou-me há uns três anos. Vou tentar reproduzi-la aqui, com o máximo de fidelidade possível.

“Era uma vez (tem que começar assim, não é?) um submarino que estava no meio do oceano. Certo dia ele quebrou. O mecanismo de submersão e emersão estava quebrado. No fundo do oceano, os tripulantes estavam fadados a morrer sem ar.

Os mecânicos não conseguiam consertar. Cada um dos tripulantes – do capitão ao almoxarife – tentou buscar uma solução. Ninguém conseguiu. Até que, enfim, um assistente de cozinha disse:

– Eu sei consertar o submarino. Mas, para fazer isso, quero virar capitão.

Ninguém sequer cogitou a oferta do assistente de cozinha até o ar ficar rarefeito. Como última ação, desesperada, levaram o assistente de cozinha à sala de máquinas. Depois de uma rápida olhada, pegou um martelo e deu uma única martelada. O submarino estava consertado novamente. A tripulação emergiu e todos puderam respirar com vontade. E tinham um novo capitão.”

A historinha (mal contada por mim) era uma lição sobre o conhecimento. Não basta ter recursos, força bruta e status social se, para alcançar algum objetivo, o necessário é sabedoria. Tenho lembrado dessa historieta quando leio e escrevo sobre coolhunting. O termo, originado na década passada, se referia à observação e predição de tendências culturais. Muito utilizado em marketing, design e moda, algumas noções e práticas de coolhunting tem sido utilizadas em publicidade também.

Mas o que tem me feito lembrar aquela historieta é o fato de que a martelada tem de ser feita. E tem de dar algum resultado. Não basta a previsão do que vai acontecer. É necessária também a aplicação das observações. Então, divido a atividade de coolhunting para publicidade em três etapas gerais.

Tendências.  São observações sobre as práticas e modas (em sentido lato) de vanguarda. O que está começando a acontecer ainda. É a faceta mais difundida e simples do coolhunting, o que tem gerado os preconceitos, especialmente quando mal executada.

Análises. É procurar entender causas, estruturas e conseqüências.  É avaliar os resultados e desenrolar das tendências. Procurar diferenciar o que são manifestações pontuais do que são tendências de fato.

Oportunidades. É aqui que se encaixa “saber onde e com que intensidade dar a martelada”. E é justamente o que mais falta em geral no que chamam de coolhunting por aí. É aplicar as tendências e análises em ações e estratégias reais, que passem do nível “essa agência faz apresentações fodonas” para “essa agência dá show de verdade”.

Em resumo, se você é cliente, agência que vai contratar serviços de coolhunting ou procurar profissionais pra montar in-house, saiba que o que importa é a martelada, e não a cor do martelo.

As ideias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.

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Tarcízio Tarcízio Silva, 22, é formado em Produção Cultural. Na faculdade se apaixonou por publicidade no Observatório de Publicidade em Tecnologias Digitais, passou rapidamente por duas agências soteropolitanas e montou com três amigos uma digital, a PaperCliQ. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.

tarushijio@gmail.com | http://www.tarciziosilva.com.br/blog


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