Concorrência na veia
Comecei minha carreira ganhando concorrências. Papava praticamente todas. A primeira foi para um plano de saúde, depois veio a concorrência para um plano odontológico nacional e depois para um jornal regional. Teve uma também para uma prefeitura, mas tava arranjada, sabe?
Claro que não eram concorrências superacirradas. Participavam cinco, seis agências no máximo. Ganhava-se geralmente pelo custo e blablablá da apresentação, nem dá pra esconder isso. Mas, criativamente, a gente fazia a nossa parte.
Pirávamos em um conceito consistente, realmente consistente, tipo uma frase que sintetizasse tudo o que pretendíamos comunicar e em seguida dávamos um 360º nela, potencializando esse conceito em cada espaço de mídia que o planejamento apontava.
Nosso conceito virava o grande trunfo extra-custos e extra poder de persuasão.
Apresentávamos o conceito como a diretriz de todas as ações. E dessa forma a gente sugeria um posicionamento bem embasado e, por que não, tentador a quem andava descontente com o seu naquele momento.
Era lindo observar as reações da banca de clientes quando da apresentação de conceitos certeiros.
Estes não eram escritos nem falados, eram apresentados em “peças-conceito”. Para quem não conhece o termo, era algo como o formato meia-página de jornal ou página dupla de revista, com o padrão gráfico bem formatado. Quase um anúncio, mas de melhor estilo gráfico. Títulos, imagens, grafismos e cores eram uníssonos, e fundamentados através da seqüência de peças-conceito e de campanha.
Mas, enfim, o tempo passou, perdi concorrências que eu julgava ganhas muito provavelmente por conta dos custos - cremos eu e o meu ego - e hoje, finalmente, venho revivendo as disputas nas licitações.
As públicas andam extremamente delicadas, burocraticamente falando. Os órgãos estatais que abrem concorrências querem avaliar, checar e esmiuçar desde a rentabilidade anual das agências participantes até o currículo de cada profissional que poderá prestar serviços para eles.
No caso da concorrência para duas contas publicitárias da Sabesp, cerca de 10% das agências participantes, as quais o Meio & Mensagem noticiou como uma verdadeira enxurrada de agências, “rodaram” em uma primeira avaliação desses quesitos.
Águas vão rolar até que se passem todas as demais etapas e finalmente saia um vencedor, mas eu tou de olho. E no páreo.
Uma peculiar curiosidade sobre as concorrências públicas é que todo cidadão que quiser conferir os pacotes que as agências participantes entregaram pode agendar uma hora e ir até o local, abrir os planos, as peças, os custos, comparar idéias e ter uma boa noção quanto a competitividade para a atual concorrência e também para as futuras…
Mas adianto: isso é raríssimo acontecer. Não sei se por falta de conhecimento do direito ou descaso puro e simples.
Ao que tudo indica, a grande maioria prefere aguardar o resultado enquanto vive la vidaloka em suas agências e, caso vença a concorrência, fica no “parabéns, valeu” e, caso perca, o discurso muda para “parabéns ao vencedor, valeu”.
Perfeito isso.
Alguma dúvida se eu tenho tudo para voltar aos bons tempos do início da carreira?
Abraços,
“Aquele que conhece o inimigo e a si mesmo lutará cem batalhas sem perigo de derrota; para aquele que não conhece o inimigo, mas conhece a si mesmo, as chances para a vitória ou para a derrota serão iguais; aquele que não conhece nem o inimigo e nem a si próprio, será derrotado em todas as batalhas”
(Arte da Guerra, de Sun Tzu)
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Mauro Sérgio de Morais está redator e tem alguma experiência. Também tem alguns prêmios e uma dificuldade tremenda em escrever currículos na terceira pessoa.
Escreve quinzenalmente para a Casa do galo, às sextas-feiras.
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Belo artigo, Mauro.
Engraçado: quando eu fui facilitador no Sebrae/Senac falei muito aos alunos uma coisa que aprendi desde as minhas primeiras aulas na faculdade: ‘não meça esforços para conhecer a concorrência; fuce no lixo, se for preciso, afinal de contas, foi pro lixo, é público, portanto, não é invasão às informações alheias’.
No caso das concorrências, acho que é descaso sim. As agências interessadas em papar a concorrência deveriam averiguar as outras propostas. Tudo bem que isso não iria interferir, já que as propostas não poderiam ser mais modificadas. Mas, pelo menos, a justificativa por ter perdido a concorrência estaria mais clara e ajudaria numa próxima disputa.
Jr Punketone’s last blog post..Pensamento do dia (quiçá, da vida)
A história éa mesma, só muda o endereço.
=)
Mas a fé move montanhas!
rs rs rs
Parabéns pelo blog!
Geo’s last blog post..Ponto com ponto bê érri pra nós, pobres mortais, com CPF!
Ver o que os outros criaram seria uma espécie de “vista de prova”, para entender porque tiraram zero.
Participamos de uma licitação de Embratur, e, definiticamente, a vida não foi fácil.
Torço pelo retorno dos seus velhos tempos Mauro.
Beijos.
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Métricas é sempre um assunto polêmico. Sai na frente quem conseguem medir quantas pessoas viram determinada campanha, quando viram e quem são essas pessoas.
Na web a coisa fica mais fácil. Não digo que seja simples, mas a facilidade é bem maior que, por exemplo, um outdoor ou qualquer outra mídia exterior.
Usualmente utiliza-se como base de [...]
O Fantástico Mundo Animal da Propaganda (só pra parodiar o belo artigo da semana passada do Ricardo Chermont) tem espécies mais marcantes do que o Tony, The Tiger ou cachorro da Cofap. Não, eu não estou falando de donos de agências burros, clientes topeiras ou diretores de arte pavões. Estes são mais comuns.
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Não é de hoje que o tema gera polêmica, a publicidade é ou não arte? Uns pensam que sim, outros têm certeza que não. Eu fico com os que pensam que não. Isso não quer dizer que não valorize a profissão ou o trabalho que nela desenvolvemos. Penso só que arte é outra coisa.
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