Classe AB, AS, 25+
Sabe, fico intrigada toda vez que me deparo com o trabalho do pessoal de pesquisa e planejamento porque, toda vez que eles têm de apontar o público alvo de um produto, a resposta quase sempre é classe AB, AS, 25+, e no fim o poder de decisão de compra é sempre superior a 50% de responsabilidade das mulheres.
Apesar de a pesquisa apontar um target dos sonhos, não podemos esquecer que quem realmente impulsiona o giro do mercado de consumo é a classe C (e suas variações). Parece, então, que esse perfil dos sonhos anda contaminando muita criação por aí, resultando em uma espécie de elitização das campanhas. Diferente de serem mais criativas ou mais elaboradas, elas passaram a transmitir uma aura de status social elevado para vender um produto popular, e isso me assusta porque tenho a impressão de que estamos perdendo o foco de para quem estamos comunicando.
Vejam as Casas Bahia, por exemplo, eles não precisam de conceito criativo nenhum para criar uma campanha, sua fórmula de sucesso consiste em um bom interlocutor e preço/crédito competitivos. Por essas e outras que temos de nos desapegar da utopia da propaganda e sermos práticos para lembrar que nossa função é informar, comunicar. Afinal, somos uma indústria como qualquer outra que busca lucro e movimenta milhões por ano.
Toda essa super-valorização do target (principalmente quando o cliente pede um anúncio suuuuper sofisticado) mostra que não o conhecemos realmente. Para comprovar, é só dar uma olhada na nossa querida José Paulino. Veja se você encontra algum ‘pobre’ caminhando pela Zepa, muito pelo contrário, aposto que se você fizer uma pesquisa na região vai descobrir que o target é AB, AS, 25+.
O jeito é a gente parar de tratar o target como filho, e deixar de proteger, elogiar e esconder os pontos fracos, para assim assumir que, acima de tudo, ele é qualquer um que esteja disposto a consumir. Ou você achou que propaganda era só para ‘fazer bonito’?
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Bruna Rocha, 24, é atendimento da LongPlay360°. Tem um passado meio obscuro na área comercial, onde aprendeu as maravilhas do excel. Seu sonho reprimido é ser redatora, mas nunca tentou fazer um portfólio. Escreve para a Casa do Galo às quintas-feiras.
brunarocha84@gmail.com | http://www.longplay360.com.br
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Bruna Rocha, 24, é atendimento da LongPlay360°. Tem um passado meio obscuro na área comercial, onde aprendeu as maravilhas do excel. Seu sonho reprimido é ser redatora, mas nunca tentou fazer um portfólio. Escreve para a Casa do Galo às quintas-feiras. 







Creio que as vezes exista uma falta de target bem definido. Aí a dispersão é gigantesca…
[Responder]
E aí, galera!
Muitas vezes, acho que aspectos demográficos puros falam muito e no final não querem dizer nada. Basta listarmos de cabeça umas 20 pessoas AB AS 25+ e vermos como elas são diferentes em gosto para filmes, profissões, hobbies, postura sobre saúde e meio ambiente, nível de consumismo, etc. Acho que o verdadeiro segredo está na combinação do perfil demográfico com os perfis geográfico, psicográfico e comportamental: isso sim diz quem é o target!
E não podemos esquecer dos valores aspiracionais (pessoas de classe C – o grosso do consumidor – deseja se tornar classe B ou até A, e ele se interessa por coisas que para ele lhe darão mais status – os conhecidos “bens emblemáticos”).
Falou!
[Responder]
Concordo que a combinação dos perfis demográfico, geográfico, psicigráfico e comportamental sejam o melhor indicador de um target, no entanto, vejo que a definição “AB, AS, 25+” virou uma espécia de muleta para qualquer definição.
Apesar dos valores aspiracionais que a classe C possui, qual a sua chance de impactar este público com um anúncio do tipo Mont Blanc? Estamos em um país no qual, em plena recessão no mercado musical, milhões de cópia são vendidas do CD e DVD do show da Ivete Sangalo no Maracanã.
Ivete é só para pobres? Não mesmo, é pra falada Classe AB, AS, 25+, que não vai querer se vangloriar em uma entrevista que comprou um CD como esse.
Pois então, estamos errando em nossa análise com relação a qual tipo de comunicação oferecer para a classe mais alta, que é muito mais exigente e perceptível à comunicação.
[Responder]
O exemplo das Casas Bahia é bem representativo porque eles têm que anunciar pra todo mundo ver mesmo. Anunciam até onde não tem lojas porque é mais barato.
Mas se você prestar atenção, nos canais mais elitizados ou nos horários que o povão não vê, eles anunciam TVs LCD e notebooks. Tudo dentro do target e tudo seguindo o planejamento. Muita gente reclama do “varejão”, mas há muito o que aprender com eles!
Matheus
30”
[Responder]
Meu professor de MKT discutiu isto em sala outro dia. O trabalho da unidade seria um relançamento. E, todos queriam produtos da classe alta.
Muito bom texto!
Gutos – Último artigo em seu blog: Solidário, Mesmo?
[Responder]
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