Chapéu, sapato ou freela usado, quem tem?
Três horas da manhã e só você e Deus no MSN. Sua família te acha um masturbador de mão cheia e a mulher com que você faz sexo virtual quer discutir a relação, pois está cansada de não mais receber aquela atenção de antes.
Tá fazendo freela, né, seu safado?
Eu freelo
Tu freelas
Ele freela
Nós freelamos
Vós Freelais
Eles freelam
Mais uma incorporação do inglês, que se transformou em verbo no meio publicitário e em outros meios que o cercam. Diretores de arte, designers, redatores, programadores, arquitetos de informação e, até mesmo, atendimentos fazem os famosos freelances (termo da época da minha mãe). Afinal, é sempre bom tirar uma graninha extra.
Quantas vezes já não passamos pelas seguintes situações?
Na agência: - O cliente falou que o sobrinho dele de 12 anos faz um layout melhor que esse.
Em casa: - Meninão, quanto você cobra pra fazer um folheto aqui pro tio?
Fazer freela (ou frila) é complicado. Quando a situação financeira aperta, fazemos de tudo pra arrumar um: mandamos e-mails para os amigos, assinamos nicks de messengers com “To pegando freela”, fingimos que já estamos fazendo outros freelas para as pessoas pensarem “Caramba! O cara tá sempre fazendo freela. Ele deve ser bom”. Tudo. E quando, finalmente, conseguimos: não temos tempo. Aí é tomar um café e abraçar o capeta, digo, a madrugada. Aliás, adoraria saber quem criou a frase “A noite é uma criança”, que me conforta todas as madrugadas quando percebo que falta muita coisa ainda pra terminar o começo do santo freela de cada dia.
Ao mesmo tempo, gostaria de conhecer o autor da frase “Amigos, amigos. Negócios à parte.” para enchê-lo de porrada. Fazer freela pra amigo é uma das maiores roubadas que alguém pode se meter. Preço camarada, desconto camarada, formas de pagamento camaradas e muitas outras camaradagens que eles pedem com aquelas carinhas de cachorro (chantagista) sem dono. Quando você vai ver, meu camarada, trabalhou demais e faturou de menos. Nada contra os meus amigos, afinal, amigos, amigos. Artigos na Casa do Galo à parte.
Mas é claro que freela não é só esse 13° fora de época que nós, pobres publicitários pobres, pegamos e recebemos. Tem os bons. Uma vez, ainda na minha época de Submarino, eu entrevistei um cara pra ser redator e, durante a entrevista, ele disse que tirava mais de 3.000 reais trabalhando de freela para uma agência. Pedi pra ser estagiário dele na hora.
Enfim, a verdade é que esses trampos salvam a vida no fim do mês e alguns a gente até consegue jogar no portifólio. Se você tiver bons ou maus causos desses nossos trabalhos informais, compartilhe nos comentários. Deve haver alguma história engraçada, como da vez que eu tive que explicar para um amigo, não muito ligado à internet, que não existem “os caras do Youtube” e que os vídeos são postados pelos próprios usuários, que eu chamei de “pessoas comuns, como eu e você”.
Viralzinho da semana: na verdade, não foi bem um viral, mas um auê. O debate do Estadão sobre responsabilidade e conteúdo digital. Foi tema dos principais blogs do Brasil. Tudo desencadeado pela tal campanha do macaco, criada pela Talent. Clique aqui para ver o vídeo do debate.
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Alessandro Ribeiro, 25, publicitário por formação e redator por profissão e falta de opção. Já passou por Submarino, Ideal Interactive e agora cola na Gruda em Mim (Que o Boi Não Te lambe). Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.
aleribeiro13@gmail.com | http://www.obolacheiro.blogspot.com
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Ótimo artigo, Ale.
Conheço gente que pegou frila de TCC e depois se arrependeu…
Na verdade é quebra-galho, ou bico. Mas freela é mais bonitinho. (Na verdade nem é, mas parece, porque vem dos EUA.)
Já ouvi na rua: “Tô fazendo uns freela de mecânico.”
Acha que é termo exclusivo do mundo criação?
boa Alê, ahuahuahuauha, os caras do youtube… que historia foi essa?
faz um tempinho que não pego freela, o ultimo foi nas ferias? eh… em vez de descansar vamos eh mais atrás de trampo.
E ps.: eu sempre caio com a porra da palavra “atendimento” no sistema de anti-spam, e sempre aparece metade da palavra. Q FASE!
bjO!
Sacrificamos o almoço, varamos a madrugada, perdemos o futebol de domingo… Dias regados a esfihas do Habibs, McChickens ou qualquer coisa que você possa ingerir na frente do computador.
E tudo isso p’ra quê? P’ra ir na porra do Tim Festival que tá DUZENTAS PILAS (cem, com a carteirinha de estudante).
É, se o show do Arctic Monkeys for uma bosta, o freela terá sido em vão.
O último que eu fiz eu tive que até pagar imposto! Imposto sobre R$70!
O link do You Tube tá bixado.
Quem foi “o cara do you tube” que publicou esse link?
Ao povo do freela: “O trabalho enobrece o homem”.
Tá não, Bruna.
Ih, a quantidade de freelas que eu fiz… já perdi a conta. Q recebi, ainda dá pra contar nas palmas das mãos.
Uma vez um digníssimo fdp não quis o tema q o bobo aqui criou.
Passados uns dois meses, passou por mim o carro da sua empresa, toda envelopada com o conceito, cara da campanha, slogan e por aí vai. Acho que até a fonte era a mesma.
Então, Sama, só pra esclarecer: o cara queria que chamasse “os caras do Youtube” pra fazer um vídeo. Disse até que viu os “caras” filmando (sim, filmando) perto do trabalho dele hehe.
Grande abraço a todos!
Tb acho que é bico!
Freela é biscate! rsrsrs
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Publicitário por profissão. Atendimento e Planejamento por escolha. É assim que me defino. E as pessoas me perguntam: Porque essa escolha?
Então, eu digo: ser Atendimento, Criação, Planejamento, Mídia, Produção, RTVC ou qualquer um desses cargos, é ser publicitário. E ser publicitário é ser publicitário.
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