Causos por uma causa
Não sei se é porque trabalho numa agência em que os dois sócios são professores da principal faculdade de publicidade e propaganda aqui do interior oeste de São Paulo. Não sei se é porque conheço grande parte dos estudantes que estão nos últimos semestres do curso. Não sei se é porque cursei a mesma universidade que eles cursam agora e o projeto experimental de conclusão de curso do grupo que participei ainda é indicado como referência para quem está nesta fase (pelo menos é o que me disseram; se algum ex-professor, incluindo aqui os meus queridos chefes e colegas de agência, puder confirmar ou desmentir, seria uma informação muito mais confiável).
Enfim, não sei se é por um desses fatores, por outros que desconheço ou por tudo junto, mas o fato é que estes colegas de vida que logo serão também colegas de profissão diversas vezes pedem quase pelo-amor-de-deus minha ajuda com seus trabalhos universitários.
Olha, não vejo problema algum com um pedido de orientação, com uma opinião ou mesmo com alguma explicação mais aprofundada sobre como conceitos e teorias funcionam na prática. Mas tenho me deparado, na maioria das vezes, com pedidos do tipo: você pode dar uma lida no que temos até agora e nos passar o conceito da campanha? Ou, pior: olha só o briefing que o professor entregou. E aí, tem alguma idéia para a campanha que precisa ser feita?
Não, este artigo não é um desabafo e não estou pedindo aos meus colegas que parem de me pedir ajuda. Até porque, no final das contas, eu sempre ajudo. Gosto de trabalhos da faculdade porque não são “reais”, podemos ter as idéias mais malucas e depois lapidá-las bem de leve. Permitem que eu volte a não me preocupar tanto com a verba do cliente, porque ela não será realmente utilizada. E também porque os professores adoram fazer os estudantes quebrarem a cabeça, passando briefings absurdos, verbas baixíssimas, coisas que qualquer agência recusaria no mundo real. O que eu quero mostrar é uma situação aqui do “sertão” paulista.
O mercado de comunicação aqui não é evoluído como deveria. E deveria: é uma região relativamente rica, está bem próxima de dois Estados fortes – Paraná e Mato Grosso do Sul. Apenas como comparação: Londrina já foi exatamente como aqui ou até menos desenvolvida até pouco tempo atrás, e hoje se destaca em praticamente todos os aspectos, incluindo o mercado da comunicação. Eis, portanto, a relação: os estudantes aqui parecem querer manter a situação como está. E agora ouso estender essa manutenção para outros campos que influenciam a publicidade, como administração, por exemplo. Parece que todos os estudantes estão interessados simplesmente em obter o diploma.
Esta avidez por referências que temos, esta fascinação pelo diferente, pelo novo, pelo risco, todas estas qualidades que atingem os publicitários amantes da profissão não são muito vistas por estas bandas. E, por não existirem, não são incentivadas pelos clientes das agências. E, por não serem incentivadas pelos clientes, o mercado de comunicação não mostra sinais de evolução. E, por não mostrar sinais de evolução, não há renovação, não há importação de mão-de-obra.
Na contramão, vemos abrir agências novas todo mês por aqui. Na verdade, é mais do mesmo. O trabalho parece fácil, óbvio, mecânico.
Não faz muito tempo vi a chamada de uma reportagem televisiva que falaria sobre o crescimento do interior, sobre a fuga de bons profissionais das grandes capitais em busca de salários altos aliados à qualidade de vida que o interior proporciona. Não ouvi o nome da minha cidade na chamada, mas ouvi o nome de vizinhos bem próximos. Nasci, trabalho e moro em Presidente Prudente, cidade de mais de 200 mil habitantes. Nunca vou perder a esperança de ver por aqui um trabalho publicitário em seu mais alto nível.
O grande motivo deste artigo, portanto, é passar uma mensagem aos meus amigos daqui que estão a ponto de sair da universidade e aos verdadeiros publicitários, que amam desafios e aventuras: arrisquem e venham participar comigo nesta campanha pela evolução de mercados estagnados. Estou certo de estar fazendo a minha parte, tenho o privilégio de trabalhar para e com quem compartilha desta idéia e agora convoco todos para que a transformação necessária se concretize.
Aliás, aos meus amigos da Casa e a quem mais puder contribuir, pergunto: e na sua cidade/região/Estado? Como as coisas vão indo? Se for como aqui, o que vocês têm feito para mudar essa realidade?
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Claudinei Junior, 25, é publicitário para viver e não vive para publicidade. Na agência Marca-X, trabalha com planejamento e mídia. Coagiu seus ex-professores com métodos nada convencionais e, por isso, também é professor universitário da Faculdade de Comunicação de Pres. Prudente (Facopp/UNOESTE). De quebra, escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.
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Claudinei Junior, 25, é publicitário para viver e não vive para publicidade. Na agência Marca-X, trabalha com planejamento e mídia. Coagiu seus ex-professores com métodos nada convencionais e, por isso, também é professor universitário da Faculdade de Comunicação de Pres. Prudente (Facopp/UNOESTE). De quebra, escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras. 







Cara,
vc é de Prudente, é?
Que legal.
\Achei que eu fosse o único made in interior.
Bem, acredito que mercados estagnados são assim por conta dos clientes que pensam little.
Há ótimas agências em Ribeirão, a Alta vem fazendo um trabalho de excelência. Sobre Londrina, uma vez me disseram q as agências pagavam mal, mas estive especulando.. paga-se mal ao profissional sem experiência, isso sim.
Gosto da vantagem de estar em Assis (120km do prudenshopping) e atender clientes de nível nacional.
Abraços
[Responder]
E aí, Mauro. Sim, sei que em Assis existem agências com clientes nacionais, boas agências.
O que você disse é verdade sim, na maioria das vezes são os clientes que pensam pequeno com relação à comunicação. Mas é exatamente por causa disso que escrevi este artigo. A evolução não pode depender somente dos clientes. O cliente vai procurar a comunicação de resultados, e cabe à agência convencê-lo de que sair do lugar-comum vai trazer esses resultados a ele. E sei bem como isso funciona. Não quero expor o case completo da Cultura Inglesa, que é cliente da agência em que trabalho aqui em Prudente. É uma das poucas que não utilizam a comunicação feita pela Lew,Lara para toda a rede de escolas. E a unidade daqui tem todo o apoio, afinal, em 1 ano ela se tornou a escola mais lembrada e a escola com mais alunos da cidade, batendo franquias que já estavam aqui há mais de década. E isso só aconteceu com ações diferenciadas, apoiadas totalmente pelo cliente, desde o lançamento. Logo depois pudemos ver diversos clientes pedindo às suas agências que fizessem ações deste tipo. O resultado? Ações iguaizinhas, não houve preocupação em inovar, em pensar em algo específico… só pegaram a mesma idéia e colocaram “a cara” do cliente deles.
Por isso continuo insistindo na campanha e comecei o texto falando dos estudantes porque ainda acredito que são as mentes jovens que ainda têm tesão por isso.
[Responder]
Quando estava lendo esse post, jurava que você estava falando sobre Aracaju, Sergipe. O post reflete o mercado por aqui da MESMA maneira.
[Responder]
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