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Carros, disfunção erétil e a nova propaganda

23 abril 2009 23 comentários escrito por lucascouto

propaganda televisao1 thumb Carros, disfunção erétil e a nova propaganda

Enquanto escrevo esse texto estou assistindo o Bom Dia Brasil, telejornal de nível nacional da Rede Globo. De cara, é engraçado perceber que a linha de venda dos espaços publicitários é óbvia. Propagandas de carros caros e de institutos para disfunção erétil alertam: o público aqui é de homens de meia-idade, classe média-alta.

Porém esse tema, a obviedade de certos públicos-alvo, não é a pauta de hoje (vou guardar pra um artigo futuro). A reflexão que surgiu nessa manhã foi outra.

Qual a função da propaganda? Os pragmáticos diriam que é ampliar as vendas dos anunciantes. Os críticos diriam que é oferecer produtos desnecessários. Eu gostaria de ir além, discutindo uma função antiga, talvez a primeira delas.

Originalmente a propaganda pode ser confundida com o ato de vender. Afinal, qualquer um que tentou c onvencer outra pessoa, defendendo um ponto de vista diferente, já foi um vendedor. Logo, já fez propaganda.

Porém, antigamente era feio fazer propaganda. Afinal, se o produto era bom, deveria “chamar” o freguês, sem demais artifícios. A solução para estimular as vendas sem parecer desesperado foi desenvolver “reclames” informativos, que apenas passavam uma informação despretensiosa. Você podia ler no almanaque mais recente: “Já chegou o disco voador na Quitanda do José”. Ok, talvez não exatamente esse produto, mas você deve ter entendido a ideia.

A partir disso a propaganda evoluiu até o máximo do conceitual, em ações que mal declaram o nome do anunciante, mas que ainda assim fazem sucesso.

Como diria Nizan Guanaes, “seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito”. Assim evoluiu a propaganda, para os extremos. Hoje dois paradigmas contrários são os mais eficazes. De um lado a propaganda puramente conceitual, que mal cita a marca; de outro a propaganda informativa, direto das origens publicitárias.

Esse último caso é o das propagandas do Bom Dia Brasil. Ninguém vai assistir à propaganda da Tucson e levantar pra ir até uma concessionária. Ninguém vai anotar o número da clínica de desempenho sexual apenas por um impulso consumista (bem, pelo menos eu acho que não, mas tem tanta gente estranha por aí…).

Essas propagandas são informativas. Se você já queria comprar um carro, ou se já teve problemas em dar conta da patroa na noite anterior, ela apenas informa: “Oi, estamos aqui viu? Precisando de alguma coisa, é só falar”.

E talvez esse seja um dos últimos pilares de eficácia da propaganda televisiva, informar que determinado produto existe. Um contraste com propagandas que ainda vemos, onde não se chega em lugar algum.

Vamos pegar como exemplo a última peça da Coca-Cola Zero, onde um urso dá um showzinho cantando as vantagens do produto. Qual é o objetivo deles? Apresentar a Coca Zero? Vender uma imagem de marca? Parece-me apenas sobra de verba, e falta de criatividade/ousadia.

Talvez esteja aí o grande desafio da propaganda. Responder à grande questão da existência: Por que estamos aqui?

Construir uma imagem é uma resposta. Informar o consumidor é outra. Mas sem deixar claro nossas intenções (ainda que apenas para nós mesmos), vai ser impossível criar um novo patamar para a propaganda, em tempos de internet, marketing de guerrilha, e novas tecnologias.

As ideias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.

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Lucas Carros, disfunção erétil e a nova propaganda Lucas Couto, 26, Co-fundador e sócio da It’s Digital, uma consultoria e produtora digital e uma das cabeças por trás do Que Tal Isso?, blog relacionado a criatividade e inovação. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quintas-feiras (no calendário de Júpiter).

lucas@itsdigital.com.br | http://www.itsdigital.com.br/


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23 comentários »

  • O Cara do PSV. Confira o brief 28 disse:

    Muito bom

  • monica disse:

    ai… não foi o nizan guanaes que disse isso, foi Jesus Cristo em apocalipse 3:15-16. Pra variar, esse tosco desse nizan chupa e ainda recebe crédito. saco!

  • monica disse:

    3:15 – Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!
    3:16 – Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca;

  • Galo disse:

    Eles não são a mesma pessoa?

  • Lucas Couto disse:

    Mônica, eu sei que essa é uma passagem bíblica. O próprio texto do Nizan cita isso. Apenas foi uma liberdade retórica, bem apontada pelo Jock…

    Mas valeu o comentário, é bom deixar claro pra quem não acessar o texto original…

    Bjs, e volte sempre!

  • Petterson Farias disse:

    Não chego a pensar que propagandas conceituais não chegam em lugar nenhum. Assim como cabe, para certos anunciantes, somente informar, para mostrar ao público que ela existe, cabe a outros o extremo contrário, porém acredito que ambas, quando bem utilizadas e direcionadas podem ser eficazes.

    Uma informação posso ouvir hoje e amanhã já não lembrar, mas se estiver interessado, hoje mesmo posso correr para loja e comprar o produto. Já propagandas que tocam, vendem um conceito, vendem a marca ficam na mente e muitas vezes são gravadas no coração. Algo inalcançavel por um anúncio meramente informativo.

    O tal urso dançarino e cantor do refrigerante realmente não agradou, mas não podemos esquecer das belíssimas e criativas campanhas que a Coca-Cola já criou. “Você é essa Coca-Cola toda” é um ótimo e atual exemplo.

    Não vamos querer que uma marca como a Coca faça propaganda do tipo: “Oi. Estamos aqui.”.

    Abraço a todos.

  • Frederico Oliva disse:

    A citação “seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito” não é de Nizan. Está em Apocalipse (3:16): “Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca”.

  • Lucas Couto disse:

    Fala Petterson!

    Você tá corretíssimo, não acredito que toda propaganda deva ser informativa, cada estilo tem seu nicho. E até rolam uns exemplo de propagandas no meio termo que funcionam bem, como as do iPhone (There’s an app for that). Ela é informativa, mas também fortalece a marca.

    O que penso é que há muitas empresas por aí, gastando os tubos em propaganda sem fazer nem uma coisa nem outra.

    É só pensar na diferença entre as propagandas de cerveja europeias e as brasileiras.

    É claro que são públicos diferentes, mas ignorar que dá pra fazer coisa melhor pros tupiniquins é ficar na mesmice…

    Abs, e volte sempre!

    Ah, [JABÁ ON] aproveite e passe tb lá no Que Tal Isso?, hehehe [JABÁ OFF]

  • Petterson Farias disse:

    Agora sim, concordei com você em número, gênero e grau Lucas.

    Já entrei uma vez no Que Tal Isso? [Jabá Off 2]

    dou um pulinho por la outra vez…

    Abraços

  • 15 anos disse:

    Acredito que o da coca cola é fazer a musiquinha virar modinha, cantada pelo povão …

  • Fique por dentro Animal » Blog Archive » Carros, disfunção erétil e a nova propaganda | CASA DO GALO - O … disse:

    [...] · Auto-Ajuda e Desenvolvimento Humano · Ciências Biológicas e Naturais … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]

  • Renan Corrêa disse:

    Muito bom cara!

  • Lucas Couto disse:

    Fala 15 Anos (!?)

    Até pode ser que o objetivo da Coca é tentar fazer a música virar modinha. Mas ainda assim mandariam mal…

    Na minha humilde opinião, além do urso cantar rápido pra cacete (tive q assistir umas 4 vezes até entender tudo, hehehe), fala tanto do produto que dificilmente colaria…

    Já ficou pra trás o tempo de Pipoca na Panela, ou MackColor…

    Eles deviam investir em algo mais sutil, estilo Mercado Livre. A música não fala o nome da marca, mas é impossível ouvir e não lembrar…

    http://www.youtube.com/watch?v=sG7XUlA2Lhc

    Abs, e volte sempre!

  • Suzana Magalhães disse:

    Lucas, o teu post e o comentário que você fez depois do que o Petterson falou, deu uma luz pro meu TCC!

    Cara, Valeu. Te amo(hahaha).

    Abs.
    :)

  • Fabio disse:

    Excelente!

  • Maria Luisa disse:

    Esta é uma dúvida que aflinge muitos publicitários, o que estamos fazendo? Para onde vamos?
    Posso te indicar um blog de um publicitário que leio, e também tenta questionar a publicidade.
    http://www.mercadobinario.blogspot.com

    Bjos

  • Manuela Matias disse:

    Também não entendi qual foi a da Coca-Cola.. Mesmo a possibilidade de fazer a música pegar não me parece possível. Além de ser muito rápida, a dicção do urso é péssima, também demorei muito pra entender o que ele dizia.
    Bem, os dois tipos de propaganda apresentados são, sim, efetivos. Entretanto ainda acredito: Emocione e marque. Propagandas meramente informativas não conseguirão tal efeito..
    E, ah! Vou fingir que não vi várias pessoas discutindo a origem da frase, pra não ser desagradável. Ai, ai..
    :P
    Manu.

  • Lucas Couto disse:

    Oi Suzana,

    Obrigado pela declaração de amor, rs… Aceito pagamento pela ajuda no TCC com uma rodada de chopp.

    Depois me enviar o resultado final? Fiquei curioso…

    Bjs!

  • Lucas Couto disse:

    Renan e Fábio,

    Valeu pelos elogios… Finalmente escuto isso de outras pessoas q não minha mãe, hehehe…

    Abração!

  • Lucas Couto disse:

    Oi Maria,

    O Mercado Binário é bom msm, já conhecia ele pelo próprio Raphael, o pai da criança, que aparece de vez em quando aqui na Casa…

    Valeu pela visita, e volte sempre…
    Bjs!

  • Lucas Couto disse:

    Oi Manu,

    Realmente a história da autoria da frase foi polêmica mesmo (mais que o próprio artigo, hehehe).

    Vou falar pro Galo disseminar essa técnica entre os outros escritores da Casa. Citar uma fonte erroneamente (ainda que de propósito), dá um baita ibope pros artigos =)

    Bjos, e volte sempre!

  • Suzana Magalhães disse:

    Hehehe, tá certoo Lucas!
    Envio, daqui há alguns meses, a rodada de chopp e o tcc via sedex :)

    Beijo.

  • Diego disse:

    A propaganda seria associada a venda?

    Publicidade = vendas

    Propaganda = disseminação de idéias.

    Esses conceitos podem ter configurações específicas apartir de cada situação.

    Mas propaganda conceitual é fundamental para uma marca. Pois só através
    dela a mesagem poderá ser objeto de conteúdo cultural.

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