Cadbury – Um bom exemplo
Quem acompanha meus textos já deve ter percebido que sou um defensor ferrenho da propaganda responsável, e não é de hoje que o tema virou moda. Ainda na faculdade, no final dos anos 90, gostava de criar campanhas com um pé na realidade mesmo quando a verba era sem limites e o cliente topava qualquer parada. Afinal de contas, só na faculdade mesmo encontramos clientes assim.
Talvez por ter começado minha carreira trabalhando mais com jornalistas do que com publicitários, aprendi muito cedo sobre a responsabilidade do comunicador e sobre o papel social dos veículos de comunicação. Neste campo, o do jornalismo, tive o prazer de conviver com mentes privilegiadas, mesmo quando o tema era surf e na redação 90% da galera fumava um cigarrinho de artista.
Recentemente, publiquei no meu blog um artigo de uma pesquisadora de Harvard que aponta que a publicidade voltada para criança é co-responsável por distúrbios de alimentação, agressividade, perda de valores, sexualidade precoce entre outros problemas.
Uma coisa é certa, tem muita gente ganhando dinheiro às custas deste tipo de propaganda e esta máquina faz de tudo para não parar.
Na contra-mão desta visão, temos campanhas como a do chiclete Cadbury, a segunda marca mais vendida nos Estados Unidos. É claro que chiclete não é o melhor produto do mundo, e que se consumido em excesso pode causar problemas dentários e úlceras, mas o pessoal da McCann Erickson fez um trabalho excelente. Matou dois coelhos com uma caixa d’água, além de “vender” o benefício do produto, ainda abordou um tema que é um apontado como um dos maiores problemas dos dias de hoje, as relações interpessoais sendo substituídas por relações eletrônicas. A idéia é tão consistente e levada tão a sério que o site tem um timer que fecha a página depois de três minutos de navegação.
Ok, é tudo artifício para vender chiclete, mas, pelo menos o suporte é uma mensagem mais positiva, que agrega valor não só a marca, mas agrega “valor” às pessoas impactadas pelas peças.
Quanto mais consciente de suas responsabilidades as empresas vão ficando, mais consciente de seu papel como comunicador deve ser o publicitário, até chegarmos a um momento que não será mais possível imaginar a propaganda de outra maneira. E pelo andar da carruagem, será mais cedo do que mais tarde.
Fonte: New York Times – Advertising
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Nauro Rezende Jr, 31, é publicitário e Diretor de Criação e Planejamento da ID Comunicação. Apaixonado pela profissão e suas ciências. Um idealista.
Escreve quinzenalmente para a Casa do galo, às quintas-feiras.
nauro@idmarketing.com.br | http://www.parapensarpropaganda.com.br
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