Cada macaco no seu galho
Vou contar uma história, os personagens são fictícios mas os fatos são reais.
Uma grande empresa resolve fazer a embalagem de um produto novo e, para tanto, contrata um escritório de design. Até aqui tudo certo, esse é o caminho previsto, mas a coisa complica no momento em que esse escritório percebe que precisa de uma fotografia para a embalagem e que ninguém ali é fotógrafo.
Procuram um agenciador que poderá recomendar algum profissional adequado ao caso. Horas mais tarde o telefone toca em algum estúdio fotográfico da cidade e forma-se a corrente cliente- escritório de design-agenciador-fotógrafo.
Ao atender, o fotógrafo reconhece a voz de seu agente, que explica o briefing da embalagem que lhe fora passado pelo pessoal do design e que, por sua vez, foi enviado pelo marketing.
Entendido o briefing, a foto é produzida e enviada para o agente. Começam os problemas.
O agente dá umas opiniões, pede para refazer um detalhe dizendo que o cliente não vai aprovar do jeito que está. Na verdade ele não está aprovando baseado no que ele compreendeu do briefing e em achismo, mas não é a palavra do cliente final.
O fotógrafo, meio contrariado, faz a mudança e manda de novo, dessa vez passa pelo agente mas tromba no pessoal do design que pede mudanças. Ao passar as requisições de volta ao fotógrafo o agente pede logo mais mudanças: é para fotografar tudo de novo mesmo, então muda mais aqui e acolá.
Chateado e achando que não entende nada do próprio trabalho, o fotógrafo vai lá e faz tudo novamente. O cliente é grande e o trabalho vale a pena, ele abaixa a cabeça e faz o que foi pedido.
Com alguma sorte a foto passa pelo agente e pelo pessoal do design e finalmente chega no marketing da empresa. Lógico que volta com mais apontamentos e mudanças pois não era nada disso que eles tinham pedido.
Essa situação só ocorre por estes três motivos:
1 - com medo de perder o trabalho para um concorrente qualquer, o escritório de design não passa o contato direto do cliente final ao fotógrafo e nem ao agente, este tem o mesmo receio e toma a mesma atitude, desta forma o fotógrafo nunca fala com o cliente final e nem com o estudio de design, sendo que um telefonema resolveria todas as dúvidas;
2 - como o pessoal do marketing estava com pressa (sempre está), passou um briefing impreciso e passível de múltiplas interpretações. O pessoal do design não quer incomodar com perguntas e passa quase tudo ao agente por telefone, já retirando a parte não entendida ou ignorada por eles. O agente esquece ou perde qualquer parte de informação e o briefing que chegou ao fotógrafo não é 10% do que já era ruim quando saiu do marketing;
3 - boa parte dos profissionais envolvidos não entendem nada de fotografia, mas mesmo assim querem marcar suas posições e fazem isso opinando em coisas desnecessárias ou que estejam fora de seus conhecimentos.
Há um quarto motivo: todos acham que sabem o que o cliente final pensa mas quase nunca perguntam para ele – é o império do achismo.
Há algo de errado no mercado, essa história já aconteceu comigo, com minha esposa, que é ilustradora e com amigos fotógrafos, designers, desenhistas, cineastas, arquitetos, entre outros. Você pode mudar toda vez que cito o termo fotógrafo no texto e servirá para diversas profissões das áreas de imagem e comunicação.
Por isso deixo apenas um pensamento final: façam bons briefings e os passem diretamente a todos os envolvidos no projeto. Hoje temos tanta tecnologia, uma reunião pelo Skype com todo mundo economizaria tempo, dinheiro e paciência. Afinal, não é com comunicação que trabalhamos?
Nos vemos em quinze dias, sempre às sextas.
[]’s
Armando Vernaglia Junior
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Armando Vernaglia Jr, 34, é fotógrafo publicitário, vive em busca de novas imagens inspiradoras, interessantes e únicas. É também professor de fotografia, palestrante e consultor nas áreas de imagem e branding. Graduado em publicidade e especializado em comunicação organizacional, ambos pela Cásper Líbero. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.
contato@vernaglia.com.br | http://www.vernaglia.com.br
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Este artigo tem as seguintes tags: agencia, brief, briefing, cliente, design, designer, estudio, fotografia, fotografo

Armando Vernaglia Jr, 34, é fotógrafo publicitário, vive em busca de novas imagens inspiradoras, interessantes e únicas. É também professor de fotografia, palestrante e consultor nas áreas de imagem e branding. Graduado em publicidade e especializado em comunicação organizacional, ambos pela Cásper Líbero. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras. 







Sempre o problema do brief (da falta de)…
[Responder]
Acho que o achismo reina também por conta da falta de conhecimento e capacitação dos próprios clientes, que não sabem o que quer e esperam ser surpreendidos sempre.
[Responder]
O problema é que as pessoas não conseguem raciocinar que gastar algumas horinhas a mais num briefing significa economizar dias a mais na execução do trabalho.
Tudo por causa do medo do cliente. Ridículo.
O pior é que acontece exatamente o que vc falou: “Chateado e achando que não entende nada do próprio trabalho.” Já me peguei várias vezes com umas dúvidas do tipo: “não é possível, será que eu to errada mesmo? Será que eu realmente nasci pra isso?”
É só seguir uma porcaria de um processo de trabalho, caramba.
Também me sinto extremamente irritada com tudo isso. Começo a pensar que é por pura preguiça, medinho, falta de experiência, bom-senso, e parceria.
“O inferno são os outros.” SEMPRE!
[Responder]
Na minha opnião o problema não é SÓ o cliente. Normalmente clientes não se relacionam com especialistas disto ou aquilo, neste caso o fotógrafo. O papel de conectar as pessoas neste caso era da agencia, porém a mesma fez apenas “seu papel”.
rsrs…concordo com a citação final: “Afinal, não é com comunicação que trabalhamos?”
…
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telefone sem fio…
[Responder]
“Acho que o achismo reina também por conta da falta de conhecimento e capacitação dos próprios clientes, que não sabem o que quer e esperam ser surpreendidos sempre.”
Acho que alguém matou a charada.
[Responder]
“Acho que o achismo reina também por conta da falta de conhecimento e capacitação dos próprios clientes, que não sabem o que quer e esperam ser surpreendidos sempre.”
Acho que alguém matou a charada.
[Responder]
*Juliano S.
Concordo que muitos clientes não sabem oque querem e sempre esperam ser surpreendidos. Porém, discordo com o conformismo desta idéia.”Culpa dos clientes”. Td bem, e agora? Ok. O serviço é entregue de qualquer jeito porque o cliente não sabe o que quer, e a reputação da agencia? Onde vai parar?
Mais que clientes que não sabem oque querem, é falta de culhão de muitas agencias em discordar do cliente ou questionar até esclarecer a idéia(Lógico, tudo dentro do limite…pois em alguns casos há clientes que não sabem oque querem mas também não querem pergunta nenhuma)
[Responder]
Legal o debate pessoal, a idéia era essa.
Eu penso assim, cliente tem culpa? Tem, agência tem culpa? Tem também, e fotógrafo (pode ler também ilustrador, designer etc) também tem culpa.
Em todos os trabalhos eu tento de todas as formas só fechar o projeto depois de falar com o cliente final, e quando falo tento orientar, explicar, fechar todos os pontos de dúvida antes de começar a fotografar, esse procedimento tem me ajudado muito e melhorado muito o relacionamento com clientes.
Mas tem muitas agências que tem um medo lascado de entregar o contato do cliente, um medo besta por que eu sou fotógrafo, posso ser publicitário de formação, posso inclusive fazer campanha inteira para alguns clientes, mas acima de tudo sou ético, então se o cliente veio pela agência é dela e pronto, minha função será fotografar, assunto encerrado, mas mesmo assim o pessoal se pela de medo e o resultado, quando isso acontece, costuma ser uma caca.
Acho que mesmo tendo alguma culpa do lado do cliente, penso que ele não é obrigado a aenteder de fotografia, é minha função fazê-lo entender desde que eu consiga falar com ele.
O que me mata nesses telefones sem fio entre prestador de serviço e cliente, com N intermediários no meio, é a paura que cada um tem de perguntar pro cliente o que ele acha, cada um opina um monte de coisas e nunca vem a resposta do cliente mesmo.
Por isso que eu digo, Skype é de graça, é só usar, em dez minutos de conversa um briefing é passado, esclarecido, modificado se for o caso, com todos participando, sem perda de tempo no trânsito, enfim, é perfeito, basta usar.
[]’s
Armando
[Responder]
Concordo absolutamente com vc…só uma questão de melhorar a comunicação….
[Responder]
As pessoas se tornam impotentes, pelo simples fato de negar a informaçao precisa e necessaria… regridem seu conhecimento e conquistam a insegurança profissional.
[Responder]
será que é apenas o medo o sentimento que envolve estes profissionais? deixar de delegar funções ou informações pode levar tudo a perder em um trabalho… e muitas vezes a culpada pode ser a demasiada autoconfiança…
mas realmente concordo que, seja qual for o motivo desse descuido, afeta sim a confiança dos profissionais que estão oferecendo seu trabalho para o projeto… e tudo vai virando aquela famosa bola de neve
[Responder]
COMO BRINCAVAMOS NA FACUL O “BIFE” (BRIFIENG) NUM TE BEM FEITO, TÁ MAL PASSADO…
[Responder]
Um tanto quanto irônico, rsrs
erros de comunicação ocorrendo com profissionais da COMUNICAÇÃO!
Será que é essa vida que quero pra mim??????
rsrs…
Bom, estamos aqui… Agora depende da gente mudar algo
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ahaha….verdade, pq ESPERAR para o “cliente fazer um PUTA bife eh das atitudes mais MOLES” que tem…a parte mais difícil é SE COMUNICAR!”
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