BV – Aqui se constrói, aqui se paga

Imagine que você queira construir uma casa. Você já tem idéia do que quer e agora precisa encontrar um bom pedreiro para começar. Você procura indicações, analisa referências, chama dois ou três profissionais para ver quais soluções ele dará e, o mais importante, o preço do serviço com tudo, tudinho detalhado sobre o que será usado para que as soluções propostas sejam colocadas em prática.
Então você passa para as comparações de idéias e preços, vai às lojas para negociar os produtos orçados pelos pedreiros, volta a conversar com estes profissionais e, depois de um processo cauteloso mas indispensável para um bom serviço e para a sua economia, você escolhe aquele que mais agradou e que parece ter mais chances de ser bem sucedido.
Agora reflita: não é exatamente isso o que acontece (ou deveria acontecer) com os serviços de uma agência? Digo isto pela discussão recente mas não tanto assim sobre a remuneração das agências de publicidade. Deve-se manter o BV? Ou acaba-se com ele e o cliente paga a agência por fee?
Se o BV, instituído por lei, é um direito da agência, é também um direito do anunciante questioná-lo. Mas essa “briga” não tem muita sustentação para chegar a um final feliz. As agências que têm sua maior remuneração advinda do BV continuarão defendendo sua existência. O cliente, por sua vez, sempre vai defender seu bolso sem que perca a qualidade da sua comunicação.
Mas quero chegar num ponto crucial: se analisarmos o mercado, as tendências, as possibilidades, a oferta, a demanda, pontos favoráveis, pontos contra, enfim, tudo o que o titio-avô Kotler ensinou desde que marketing passou a se chamar marketing, já temos a resposta, e ela é simples como o guru Bob Garfield disse e que foi muito bem citada pelo nosso amigo Rafael neste artigo: as agências tradicionais (e, conseqüentemente, o tal do BV) are fucked.
A grande vedete do momento, tanto para os anunciantes quanto para o mercado da comunicação publicitária, é o modelo Faça-e-Pague: a agência pega o briefing, planeja as soluções e dá o preço. Cliente gostou, agência cria, faz e recebe pelo o que fez. E se o cliente autorizar, a agência negocia com os fornecedores (e pode ganhar algo com isso desde que não comprometa a verba). Fácil assim. Afinal de contas, construção é construção, seja de uma casa ou de uma grande marca.
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Claudinei Junior, 25, é publicitário para viver e não vive para publicidade. Na agência Marca-X, trabalha com planejamento e mídia. Coagiu seus ex-professores com métodos nada convencionais e, por isso, também é professor universitário da Faculdade de Comunicação de Pres. Prudente (Facopp/UNOESTE). De quebra, escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.
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Claudinei Junior, 25, é publicitário para viver e não vive para publicidade. Na agência Marca-X, trabalha com planejamento e mídia. Coagiu seus ex-professores com métodos nada convencionais e, por isso, também é professor universitário da Faculdade de Comunicação de Pres. Prudente (Facopp/UNOESTE). De quebra, escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras. 







Parabéns pelo artigo Claudinei. Uma coisa é certa, ninguém questiona os honorários de um advogado ou médico, porém, na publicidade, tudo é questionado, desde uma impressão de A4 pb até a utilização da verba de uma grande campanha. Talves seja pelo fato da nossa profissão ser uma das mais prostituídas. Se o “cara” tem um o Corel e um PC ele “é” publicitário. Acho que independente de ser fee ou job, as agências têm direito da comissão sim, pois assumem responsabilidades sobre o material produzido. Por outro lado, o modelo Faça-e-Pague é justo para os dois, pois a agência dá o seu preço e cobra pelo que acha justo, o problema é que publicitário não tem honorários.
[Responder]
Parabéns pelo artigo.
Sucesso!!!
[Responder]
Muito interessante esse seu artigo, gostaria do colocar o lado de cá, cliente.
Para comentar vale destacar essa parte do artigo:
“A grande vedete do momento, tanto para os anunciantes quanto para o mercado da comunicação publicitária, é o modelo Faça-e-Pague: a agência pega o briefing, planeja as soluções e dá o preço. Cliente gostou, agência cria, faz e recebe pelo o que fez. E se o cliente autorizar, a agência negocia com os fornecedores (e pode ganhar algo com isso desde que não comprometa a verba). Fácil assim. Afinal de contas, construção é construção, seja de uma casa ou de uma grande marca.”
O maior problema é quando vc faz um contrato com FEE (alto heim) e a “agência” ainda vai cobrar BV dos fornecedores, indicados pelo próprio cliente, como seria o nome disso na sua opinião?.
[Responder]
Quando a agência recebe um fee mensal não tem direito de receber o BV/20% dos fornecedores? Todos ganham. Ganha o anunciante com a campanha, ganha a agÊncia pelo projeto, ganha a gráfica, ganha o veículo, ganham… Agora eu pergunto: – o que o veículo/fornecedor fez além de preencher os pedidos e receber o pagamento? Ele mostrou para o cliente a importância da propaganda pra sua empresa? Ele passou horas e horas planejando a campanha e as peças publicitárias? Fez o roteiro e todas as peças gráficas pra campanha? Pagou pra desenvolver os trabalhos gráficos desenvolvidos pela agência? Tem responsabilidade no resultado da ação de mkt do cliente? Devolvo a sua pergunta: “- Como seria o nome disso na sua opinião?”. A agência recebendo ou não fee tem direito ao BV e aos 20% de comissão. Muito fácil a grafica/rádio receber a peça publicitária e não pagar nada por ela. Desfrutar só do lucro da sua venda. O criador deve ganhar sim.
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É um assunto muito complicado para se definir em tão poucas linhas. Cuidado com generalizações.
A única certeza é: todos os lados querem ganhar nessa.
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