
É com muito prazer e entusiasmo que começo escrevendo aqui na Casa do Galo. Espero poder estimular discussões saudáveis que contribuam para o desenvolvimento pessoal e profissional de todos.
Quando eu era mais músico, meus amigos, as pessoas mais próximas, perguntavam a minha opinião sobre qualquer ínfimo acontecimento musical, daqueles criados pela indústria fonográfica – quase nunca efetivamente musicais – como se o bacharelado em música tivesse muito a ver com o funk carioca. Isso acontece com todo músico, sobretudo com aqueles que se entregam a essa aventura acadêmica.
Concluímos certa vez, em uma discussão na aula de semiótica da música, que se trata de um certo encantamento que a atividade causa nas pessoas, até inexplicável. Podem estar numa mesma roda um músico, um médico e um advogado, que esses dois últimos não são tão sabatinados como o primeiro. E eu, se desafino, ninguém morre nem vai preso injustamente.
Realmente não esperava a mesma postura das pessoas diante do “Gui publicitário”. Mas aconteceu!
Basta qualquer propaganda mais bacana, criativa, polêmica, que logo vem alguém com comentários e questionamentos, querendo entender como foi feito ou por quê, o que se passou na cabeça do criativo e outras conjecturas.
Raras vezes essas conversas são proveitosas e inteligentes, do ponto de vista do profissional da área, como a que tive com um amigo no dia do primeiro jogo da final do Paulistão 2008 (só citei a ocasião pra lembrar dos 108 anos sem títulos da Ponte Preta… Eu teria vergonha! rs…)
Brahmeiro assumido desde que o conheço, há uns 9 anos, Ricardo Fernandes, jornalista, ao ver as placas ao redor do gramado manifestou-se descontente com a campanha “Sou Brahmeiro”. Disse ele não ter achado muito criativa. “Fraca”, se não me engano.
E a discussão se desenrolou e passou pelo que me parece ser o drama eterno e incessante dos criativos, o dilema entre a criatividade e a utilidade. Como equilibrar as duas coisas? Como usar bem das duas coisas sem privilegiar uma ou outra? Ou, privilegiando, como fazer que não seja em detrimento da outra?
A campanha da Brahma vem cheia de méritos e eles podem não estar exatamente na linha criativa.
Um pecado que muitas vezes cometemos como criativos é esquecer que a solução de eficácia e funcionalidade da campanha pode não estar na arte final das pecas.
“Sou Brahmeiro” lança mão de um conceito antropológico chamado por Hilário Franco de Espírito Clânico.
Franco destrincha o tema no livro “A Dança dos Deuses - Futebol, Sociedade, Cultura”, no qual fala do espírito clânico no futebol.
Torcer para um time é muito mais do que querer que ele vença e festejar a vitoria, ou sofrer e chorar (mais uma vez, a Ponte Preta…). Torcer para um time é fazer parte de uma coletividade, de um clã. É estar em sintonia com milhares ou milhões de pessoas e, assim, não estar sozinho.
Quem torce e esta acostumado a ir a estádios de futebol sabe que é freqüente estranhos se abraçarem para comemorar o gol do time do coração.
Torcer para um time tem propósito conjunto semelhante, segundo a antropologia, aos que motivam as guerras (quando elas têm propósitos mais nobres que puro imperialismo ou o preço do barril do petróleo) e insere o torcedor num grupo de “parceiros de ideais”, de “iguais”.
É esse o apelo da campanha da Brahma. Tomar Brahma é uma coisa, mas ser Brahmeiro te insere na coletividade! O Brahmeiro faz parte de um propósito maior! E bastante nobre, pelo conteúdo da campanha: Ser Brahmeiro é ser da paz e politicamente correto, sempre.
O titulo foi só um detalhe. Ricardo que o diga! Escuto ele dizer isso desde os áureos tempos de Instituto de Física Gleb Watagin, da Unicamp.
Grande sacada, mesmo que com um bom gosto criativo questionável por alguns. Não vou entrar nesse mérito.
A idéia deu certo com outra ação (que eu chamaria de desprezível, resguardado pela minha formação) pra quem gosta de trio elétrico e carnaval.
Eu prefiro beber cerveja.
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Gui Pignata, 27 anos, é músico, quase físico e bacharel em Música Popular pela Unicamp. Estuda Publicidade e Propaganda na PUC Campinas e é designer gráfico da ONG Teatro de Tábuas. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às terças-feiras. guipignata@gmail.com | http://www.antinomia.blogspot.com
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8 comentários
Gui, seja bem vindo. É um prazer tê-lo como colunista!
Ótimo artigo. Como você mesmo disse, a idéia de coletividade ganha força realmente – seja para o bem ou para o mal.
Também acho essa campanha eficaz!
abraço!
Ótima e verdadeira análise da campanha.
“A idéia deu certo com outra ação (que eu chamaria de desprezível, resguardado pela minha formação) pra quem gosta de trio elétrico e carnaval.
Eu prefiro beber cerveja”.
Concordo, faço minhas as palavras. E sou brahmeiro!
Sou Skol desde criancinha.
Sigam-me os bons!
Seja bem-vindo, cara!
Abs.
Olá Amigo Guilherme,
Concordo plenamente, criatividade tem que estar aliada a funcionalidade, e principalmente tem que ser direcionada.
Com certeza o indiscutivel “espirito clânico” brasileiro foi uma presa fácil nos estádios brasileiros.
Eu por exemplo já estou trocando a camisa de meu glorioso Guarani Futebol Clube pela camisa de minha mais gloriosa ainda cerveja SKOL ,que essa sim só me traz alegria (nem sempre hehe)
Valeu Gui muito bom.
Olá amigo Guilherme,
Concordo plenamente, criatividade tem que estar aliada a funcionalidade e estar bem direcionada.
Com certeza o famoso “espirito clânico” brasileiro foi uma presa fácil nos estádios de futebol.
Eu por exemplo já ando trocando a camisa de meu glorioso Guarani Futebol Clube pela camisa da não menos gloriosa SKOL, essa sim me traz só alegrias (nem sempre hehe)
Valeu gui. parabéns!
Valeu, moçada!
Como disse no post, espero contribuir com alguma coisa e aprender muito tb…
Obrigado pelas boas vindas!
abracos!
Boa estréia, bom post e boa análise.
Só não sei se boa cerveja proque não bebo.
Abraços.
Fala Gui…parabéns pela estréia no site.
E quem diria que as aulas do chato do André servirião pra algo hein? auhaua
muito boa a coluna
abraço
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