Bodes de uma redatora mal paga
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Ok, acho que este post será polêmico. Se não for, tudo bem. Pelo menos servirá de desabafo. Sácomoé, mulher, às vezes, só precisa falar. E o “só” nunca é tão “só” assim.
Nessas minhas andanças por agências, tenho percebido algumas coisas que estão me causando os primeiros sinais de bode. É a mesma sensação de ganhar uma meia de presente da sua vó, com o seu nome bordado. Ou ver seu namorado tentando te impressionar com uma cueca de elefante (se a tromba for pequena então…). Enfim, coisas brochantes.
Acompanhe minha história e não segure as lágrimas.
Um breve currículo. Saí de um veículo de comunicação com um puta nome no mercado para me aventurar em agência. Aí você me pergunta: por que imbecil? Porque gosto de escrever. Gostar não significa fazer isso com perfeição. Afinal, perfeição é a custa de muito treinamento. Passei por promoções, internet, propaganda, fiz um freela em uma editora e um outro que saí fugida. Coisas que eu percebi…
Em relação a contratação:
- apenas em uma delas fui contratada em regime CLT (porque eles trabalhavam com contratação de promotoras, então, o RH tinha que ser todo certinho);
- quando ganhava VR, era sempre um valor muito abaixo do que gastava;
- nunca recebi convênio médico ou qualquer outro “luxo” assim;
- nunca ganhei hora extra e as pessoas achavam que eu tinha a obrigação de passar muitas horas EXTRAS na agência;
- apenas em uma agência ganhei cesta de natal (pro resto foi tipo: foda-se o seu presentinho de natal, já te dou o seu salário, quer mais o que?);
- apenas na agência que fui contratada em regime CLT recebi 13º salário;
- VT sempre foi, e continuará sendo, um sonho pra mim;
- valor do salário bem questionável (beeeem questionável).
E o que eu percebi em relação ao know-how do negócio:
- já tive chefe que sabia menos que eu;
- tem gente abrindo agência sem nem saber o que é comunicação;
- o pior, tem gente ganhando dinheiro com isso;
- pessoas que não sabem escrever trabalhando com comunicação (quando eu digo escrever, é o básico, noções básicas de gramática e ortografia);
- falta paixão pelo negócio;
- falta entender o que é o negócio, para se ter paixão.
Passei por um episódio muito sinistro numa agência que fui mandada embora (por “falar demais”). Lá, não era registrada em carteira. Tive que voltar alguns dias depois para receber a fortuna da demissão. Quase precisei levar uma mala para guardar o dinheiro e sair com dois capangas da agência. Cheguei preparada para o absurdo. Fiz os cálculos (ou fizeram pra mim. É uma maravilha ter uma família de contadores. God bless my family). Levei tudo anotadinho, just in case. O que aconteceu? Bingo. A rescisão não constava um salário a mais que eu deveria ganhar (segundo a lei, quando você é mandado embora, a empresa é obrigada a pagar um salário a mais por ter te pego de calças curtas). Enfim, mostrei com toda a minha delicadeza o valor correto. A desculpa que recebi foi a seguinte: o contador errou nos cálculos. Hãhã. Deixaria de receber quase R$ 2.000,00!!!!!!! (muitos pontos de exclamação, apesar de odiá-los. Todo redator odeia pontos de exclamação). Saí arrasada. Puta falta de respeito.
Repito. Tem gente abrindo restaurante sem nem saber fritar um ovo. Quero deixar bem claro que isso se trata de uma experiência PESSOAL. Em hipótese alguma quero generalizar as agências pequenas/médias/grandes/não tão pequenas assim/não tão médias assim/não tão grandes assim.
Isso é triste. Associações, sindicatos, cadê? Fiscalização?
Está rolando uma banalização forte da profissão. Fora as trocentas indústrias de ensino que não preparam adequadamente o universitário – e isso daria um outro debate.
Tudo isso é extremamente preocupante.
Sigo com a minha trajetória. Mas, sinceramente, minha vontade de trabalhar em agência anda diminuindo cada vez mais. Mesmo sabendo que existem muitos lugares decentes que podem me trazer de volta o sentimento de realização.
Ufa. Falei.
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Verônica Porsani, 24, é redatora publicitária e acha muito estranho ser chamada de redatora. Já passou por cliente, veículo e agência. Defende a propaganda bom senso - engraçadinha, eficaz, porém ética. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.
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Este artigo tem as seguintes tags: agencia, carreira, carteira, clt, emprego, exploraçao, redator, salario, trampo

Verônica Porsani, 24, é redatora publicitária e acha muito estranho ser chamada de redatora. Já passou por cliente, veículo e agência. Defende a propaganda bom senso - engraçadinha, eficaz, porém ética. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras. 







- mal pago
- sem horário
- CLT nem pensar
- e quase trabalhei no carnaval
Não é a primeira experiência pessoal que tomo conhecimento, mas ainda assim boto fé na sua penúltima frase: [...]existem muitos lugares decentes que podem me trazer de volta o sentimento de realização.
É impressão minha ou redatores sofrem mais com esse desleixo do que os D.A?
Rafa, insistir sempre. Vc chega aonde quiser. Mas nunca deixe que diminuam o que vc é.
Aaaron, sinceramente, não sei te responder se isso pesa mais pro redator.
Alê, não sei o que eu faço com essa tromba. É mentira, na verdade ela é grande demais. Muita grande. ó minha nossa como é grande hahahahahahah
Fora que preciso ganhar menos e trabalhar menos do que ter uma fortuna sem tempo de gastá-la.
E viva os feriados!!! (com bastante exclamação)
o jeito é abrir uma agencia. Mais uma pra completar no seu quarteirao rs
[]´s
Concordo com vc em tudo, é bem complicado de se trabalhar, ainda mais eu que moro em cidade do interior e os donos de agências são os figurões antigos que se aproveitaram enquanto não existia mercado. Pior ainda, redator não é valorizado sabe por quê? Porque acham que qualquer um pode fazer um texto, qualquer um pode fazer um título, e assim por diante. Meio frustrante pra todos, inclusive eu, que acabo de sair da faculdade.
Ao menos aqui seguem a CLT, pelo visto não estou tão mal em?
abraços
Como diria o Galvão Bueno “Haaaaaaaaaaaaaja coração”
Mas é isso aí Verônica, todos nós sabemos que com muito esforço e dedicação o Galvão Bueno (nao ele óbvio, só pra entender!) há de dizer um dia algo mais ou menos assim para nós: “É Teeeeeeeeeeeetra”
Aquele abraço coletivo para finalizar
Indentificamo-nos nessa trajetória de ping-pong empregatício. Acredito ser da nossa natureza querer sempre coisas novas e diferentes. Por isso, pular de um galho a outro nos fortalece intectual e profissionalmente. Já tive empregos e empregos, trabalhos e trabalhos. São coisas totalmente diferentes. Mas acho que nossa inquietude se reflete no descontentamento em passar mais do que três primaveras num mesmo local.
Para mim, cada experiência numa agência é como um namoro. Se lá por dois anos não der sinais de ir pra frente (ou para trás) terminamos a “história” pelos mesmos motivos que findamos um relacionamento: rotina, marasmo, falta de novidade.
Mas chega uma hora em que decidimos casar. É nesse momento que percebemos que toda a paixão exacerbada em novos jobs se torna o verdadeiro amor pela profissão (e também pelo mercado, com algo esforço, é claro), pelos projetos que você já consegue aceitar por livre decisão e pelas pessoas que fazem parte de seu ambiente de trabalho.
Não me ative à discussão dos valores. Isso ocorre e ocorrerá por um BOM tempo até que haja solidariedade profissional nessa atividade tão promíscua. Chega, na vida de (quase) todo publicitário, um momento de saber que fez a escolha certa. Naturalmente. Porém, não com um pouco de sofrimento e muito trabalho.
Foi-se a época em que as pessoas ficavam décadas enfurnadas em suas agências. Não dá mais para isso com o retorno recebemos.
Tudo está numa supervelocidade e as agências adoram mostrar isso. Só aparência. As agências não acompanham a realidade, apesar de se rotularem como criadores dela. O mundo lá dentro é outro.
O mercado está pipocando de estúdios, mini-mini-agências, freelancers, você, eu e provavelmente quem está lendo.
A propaganda mundial está cada vez pior e começo a achar que alguns grandes criadores estão saindo destas bolhas.
Sorte daqueles que encontraram seu lugar. Sorte daqueles que veem futuro próspero sem desanimar com esse mundo propagandeiro.
Confesso que, as vezes, entro em conflito comigo mesmo. E nessas horas as soluções aparecem.
Um abraço. E não desanime.
Os caminhos são vários. Cada um escolhe o seu.
Eu não sou publicitária,quase fui,e parti pra criação,posso colocar aqui também meus bodes criativos?rs
Ve a merda, que uma aspirante de designer com “trampo fixo” passa (irônico?utopico,não ganho muito com isso)…
1°: Te tratam como retardado,isso é fato, se não é retardado é viciado… se você teve uma boa idéia, “Supimpa!” a menininha maluca deu uns “tapas na pantera”, conversou com o “doende verde”…
2°:Se você começa a olhar pra baixo,pra parede e não assimila + nada dito no recinto (Quanta merda!) “É, são alienados,nunca prestão atenção em nada”
3°:Coloca agora as horas extras,bem extras..e seu chefe ainda joga um verde pra “bem que a gente podia terminar isso num sábado né” minha tática é cortar ele e dizer “PQP o pc travou denovo cara,o que acontece com ele?” (é infalível,tem também o da doença contagiosa causada por estress)Levando em conta que todo atraso é por falta de planejamento…¬¬’
Fora quando;
(Existe uma campanha e um cliente complicado,tudo é pra ser feito em menos de uma semana,inclusive fazer a cabeça do bendito cliente que de fato É complicado)te obrigam a fazer + que duas opções de campanha (só pra agradar né,afinal “vocês não fazem quase nada,é mamão com açucar”),ou seja,umas cinco opções de CAMPANHA (isso inclui toda a parafernalha)e nisso vai acumulando papeizinhos amarelos no seu computador te lembrando do que está pendente e depois,tcharam, não ficam com nenhuma,afinal deicidiram fazer o que vc tinha sugerido no começo e que falaram “Mas isso não vai dar certo”…(nunca vão dar o braço a torcer…tem isso tb)
E você ainda tem que aguentar reuniões de planejamento de campanha, onde o briefing diz que a campanha é pra classes A e B e seu chefe,um “pseudo-publicitário”,fala pra colocar um “Caminhão de Prêmios” na jogada.É, além de mal paga e cansada, estou me sentindo o “Gugu da classe alta/média”…
(Esqueci de colocar ai no meio o que cuida do marketing (bom,era pra ser..) que joga frases super boladas no estilo de Mega Sena,loja de 1,99…)Também tem a parte de vendas que diz pra você “Dá uma opnião ae…”e o atendimento que grita da sala “atende o telefone pra mim?”…
Fora outras milhares de coisas…
E eu também não ganhei cesta de Natal.
Eu espero que nem todas sejam assim e também espero não ser + dependente de agências…rs
Depois disso,acho que posso ser despedida.rsrsrss
Will, obrigadão pelo incentivo
Boas vibrações para vc tb.
Luiza, HAHAHAHAHAHAHA- só isso que tenho a dizer sobre o seu comentário.
Tá certo colega! Temos que nos rebelar e colocar a boca no trombone (mesmo sabendo q nao vai adiantar muito) nem que seja para desabafar!
Abraço!
Aqui a denominação é “VESTIR A CAMISA DA AGÊNCIA”.
Mas pelo menos eu ganhei um peru de natal.
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