As duas escadas da carreira publicitária
A carreira publicitária é apaixonante. E tem tantas vertentes, tantas opções e caminhos, que no início quase todo mundo fica confuso com tantas possibilidades. Principalmente por não se saber exatamente o que cada coisa faz. Mas a faculdade se encarrega de mostrar isso direitinho.
Na maioria das profissões, o estudante consegue um estágio lá pela metade da faculdade, normalmente ganhando muito pouco. Depois ele vai crescendo, se especializando, tomando consciência do que realmente quer e galgando seu lugar ao sol. Seu salário vai aumentando e sua carga horária diminuindo. Na publicidade, as coisas acontecem de outra forma.
O sujeito entra na faculdade. Quanto antes arrumar um estágio, melhor. Ele não sabe o que o espera. Então consegue um estágio em uma agência pequena, composta por cinco pessoas, pertinho da sua casa. Ganha uma bolsa-auxílio que dá pra pagar suas festinhas e está feliz da vida. Depois de um tempo, ele consegue um outro estágio, desta vez em uma agência média. Parece um sonho! Vários jobs legais, autonomia para fazer coisas importantes, a bolsa-auxílio continua razoável e agora tem até benefícios!
Só que, geralmente, o aspirante a publicitário deseja trabalhar nas maiores agências. Com um salário de cinco dígitos, prestígio, prêmios, coquetéis. Mas, pra sair daquela agência média que ele está e ir para uma agência grande e reconhecida, vai precisar de muita coragem. Simplesmente porque ele está subindo uma escada, mas a agência grande está no alto da escada ao lado. E pra chegar até lá precisa descer a sua e subir tudo de novo.
Pois é. Ele já chegou até a agência média, já conseguiu a famosa “experiência”. Agora vai precisar de muita, muita persistência e determinação para descer e começar novamente a subir. Diferente do primeiro estágio, este agora paga zero. Bolsa-auxílio? Benefícios? Zero. E não espere escrever títulos geniais. Vai ter que escrever muito folheto, texto legal e varejo. Sem dinheiro, vai ter que pagar pra estagiar. Normal.
Desanimador? Nem tanto. Em algum tempo (e se ele for bom, pouco tempo), vão reparar nele. Vão ver que o sujeito “dá pra coisa”. Vai ganhar mais credibilidade, alguns jobs mais interessantes, Fulano de Tal vai pra outra agência que pague melhor e olha só! É efetivado. Agora seu salário é digno, seus benefícios valem a pena e ele trabalha 14 horas por dia. Na escada das grandes agências os degraus são bem maiores. Faz-se mais esforço, mas chega-se ao topo mais rápido. Pra quem quer encarar o desafio, é bom ter um ótimo condicionamento físico e (muita) persistência.
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Halina Medina, 24, é estagiária de uma multinacional, adora o que faz, mas sonha ser redatora. Apaixonada por publicidade, cães, cinema, ler, escrever, ler e escrever. Gosta de ter a cabeça nas nuvens e os pés no chão. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras.
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