Antropofagia criativa – Sempre canibais de nós mesmos
“Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente”, assim taxativo e há exatos 80 anos o Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade tomava vida. Em rápida comparação com algumas propostas do Manifesto Bossa Nova de Nizan – que pede uma Criatividade Brasileira Mundial – podemos dizer que tenham pontos comuns (ecoando ainda o IV Congresso Brasileiro de Publicidade). Da fala de Guanaes, além da já conhecida postura otimista do super profissional, ficaram provocativos aforismos – alguns de conhecimento geral, e mesmo assim pouco vivenciados pela santa trindade (cliente – agência – meio). Vale muito ver:
Nada mais antropofágico do que quando diz “abrir as fronteiras para a diversidade de olhares”, para o “olhar estrangeiro que tanto agregou no passado” e dos frutos gerados desse contato, não há como negar a influência exterior em tudo, uma vez que até nosso sangue é produto dela. Ao fazer a proposta do selo “Createad in Brazil”, e reforçar uma idéia que precisa ser mais internalizada pelos brasileiros do que engolida pelo mundo. Ou quando deixa claro que precisamos perder o “medo das barreiras imaginárias”, carimbar a cara, “sair da reação para a ação”, partir “da defesa para o ataque”, tornar públicos todos os esforços de ser referência, e principalmente fazer jus a ela, criar “profissionais mundiais de fabrica” que derrubem fronteiras, “ter a capacidade de sonhar e a disciplina de implementar”.
A busca pela identidade brasileira é tema frequente, inclusive aqui na Casa em artigo recente do André, mas, não custa (re)forçar a reflexão.
O mestre Win Wenders no documentário Identidade de nós mesmos (A Notebook on Clothes and Cities), narra o processo criativo e a construção da identidade do estilista japonês Yohji Yamamoto que lançava mão de fotografias antigas de anônimos em situações triviais e traduzia para suas coleções os cortes inicialmente concebidos ao gosto do usuário, sem influência de moda ou grifes. A partir daí o próprio diretor – que também protagoniza o filme, verbaliza em momento memorável:
“Um dia falamos sobre estilo, e de como ele podia apresentar uma dificuldade enorme na criação. Podendo se tornar uma prisão, uma sala de espelhos, onde só consegue se espelhar e se imitar. Para escapar dessa armadilha é preciso aprender aceitar seu próprio estilo. Alguém que começa. Que tem algo a dizer, que sabe se expressar com sua própria voz e que finalmente encontra em si a força e a insolência necessária para ser tornar o guardião de sua prisão e não continuar prisioneiro, encontrou seu estilo”.
O que ocorre é que talvez ainda não tenhamos encontrado o jeito certo de dizer ou de nos ver, apesar do mundo já visualizar como identidade brasileira a beleza, a versatilidade, a criatividade e a alegria de nossa gente. Não é de hoje que a identidade brasileira é tema que perturba. Nossa miscigenação justifica maiores traumas e vamos vivendo nesse sincretismo de crenças, etnias e sabores, até aprendermos que nossa identificação está nas diferenças. E é isso que faz rica nossa comunicação.
Existem as coisas conhecidas e as desconhecidas e, entre elas, as portas.
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Iasnara Amorim, 29, Pré-publicitária e pseudo-contista. Abandonou a Veterinária por amor aos animais. Trocou Administração por Propaganda, numa passagem pelo Marketing quando foi esporada pela Publicidade. Atua na Promoção e Produção de Eventos, transformando figurinhas em metragens e cifrões. Vislumbra um futuro de Planner, por faltar insanidade criativa para a redação. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.
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Iasnara Amorim, 29, Pré-publicitária e pseudo-contista. Abandonou a Veterinária por amor aos animais. Trocou Administração por Propaganda, numa passagem pelo Marketing quando foi esporada pela Publicidade. Atua na Promoção e Produção de Eventos, transformando figurinhas em metragens e cifrões. Vislumbra um futuro de Planner, por faltar insanidade criativa para a redação. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras. 







“Ou quando deixa claro que precisamos perder o “medo das barreiras imaginárias”, carimbar a cara, “sair da reação para a ação”, partir “da defesa para o ataque”, tornar público todos os esforços de ser referência, e principalmente fazer jus a ela, criar “profissionais mundiais de fabrica” que derrubem fronteiras, “ter a capacidade de sonhar e a disciplina de implementar”.”
É isso ae, ta na hora de pirar o cabeção e ter um pouco mais de OUSADIA, obviamente sem perder o bom senso para certas questões, e mostrar quem é que manda nesse negócio chamado propaganda.
Como diria um amigão meu: “vamos fazer um negócio MD! (muito doido!)”
[Responder]
É isso aí, vamos abrir as portas.
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Iasnara,
nossa próxima é a autofagia.
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“Existem as coisas conhecidas e as desconhecidas e, entre elas, as portas.”
Disse tudo, Iás.
O Brasil tem que escancarar as suas portas. E as dos outros.
[Responder]
Justamente por essa diversidade é que o criativo deve tornar-se sempre cada vez mais inovador. O brasileiro precisa se absorver mais, se degustar mais e imitar menos para poder exteriorizar o seu melhor… E deixar de lado essa baixa auto-estima que literalmente castra essa exteriorização!
Tupi, or not tupi that is the question!
Iás, você realmente é uma guardiã da sua prisão…
Admiro-te muito garota!
Parabéns pelo artigo.
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Parabéns Iasnara, sempre com belos artigos.
Sucesso sempre!!!!
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André; adorei o “NMD”, sim com equílibrio e ousadia.
Tiago; vamos nessa!
Paulo; tá anotado. nhamnham. :*
Cris; tipo, dar a cara a tapa e meter o pé na porta?
Rafael; obrigadão!
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Cacau, então, vamos comer!?
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[...] enganá-los. O importante aqui é saber extrapolar na medida certa, assunto já discorrido no artigo da nossa amiga Iasnara, aqui mesmo na Casa do [...]
Celebrando os 80 anos do Manifesto Antropófago (1928-2008), propomos um prato mostrando a atualidade das idéias de Oswald de Andrade.
São vinhetas inspiradas nos aforismos do Manifesto, veiculadas no youtube: http://br.youtube.com/user/manifesto80anos e nas televisões públicas e que podem ser baixadas em alta resolução no site: http://www.fafich.ufmg.br/manifestoa, e recriadas antropofagicamente. Devore e faça o seu!
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