Home » artes, dia-a-dia, ideias, inovação, institucional, polêmica, vida de publicitario

Antropofagia criativa – Sempre canibais de nós mesmos

28 julho 2008 10 comentários escrito por iasnara

windowslivewriterantropofagiacriativasemprecanibaisdensme 802fantropofagia thumb Antropofagia criativa   Sempre canibais de nós mesmos

“Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente”, assim taxativo e há exatos 80 anos o Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade tomava vida. Em rápida comparação com algumas propostas do Manifesto Bossa Nova de Nizan – que pede uma Criatividade Brasileira Mundial – podemos dizer que tenham pontos comuns (ecoando ainda o IV Congresso Brasileiro de Publicidade). Da fala de Guanaes, além da já conhecida postura otimista do super profissional, ficaram provocativos aforismos – alguns de conhecimento geral, e mesmo assim pouco vivenciados pela santa trindade (cliente – agência – meio). Vale muito ver:

Nada mais antropofágico do que quando diz “abrir as fronteiras para a diversidade de olhares”, para o “olhar estrangeiro que tanto agregou no passado” e dos frutos gerados desse contato, não há como negar a influência exterior em tudo, uma vez que até nosso sangue é produto dela. Ao fazer a proposta do selo “Createad in Brazil”, e reforçar uma idéia que precisa ser mais internalizada pelos brasileiros do que engolida pelo mundo. Ou quando deixa claro que precisamos perder o “medo das barreiras imaginárias”, carimbar a cara, “sair da reação para a ação”, partir “da defesa para o ataque”, tornar públicos todos os esforços de ser referência, e principalmente fazer jus a ela, criar “profissionais mundiais de fabrica” que derrubem fronteiras, “ter a capacidade de sonhar e a disciplina de implementar”.

A busca pela identidade brasileira é tema frequente, inclusive aqui na Casa em artigo recente do André, mas, não custa (re)forçar a reflexão.

O mestre Win Wenders no documentário Identidade de nós mesmos (A Notebook on Clothes and Cities), narra o processo criativo e a construção da identidade do estilista japonês Yohji Yamamoto que lançava mão de fotografias antigas de anônimos em situações triviais e traduzia para suas coleções os cortes inicialmente concebidos ao gosto do usuário, sem influência de moda ou grifes. A partir daí o próprio diretor – que também protagoniza o filme, verbaliza em momento memorável:

“Um dia falamos sobre estilo, e de como ele podia apresentar uma dificuldade enorme na criação. Podendo se tornar uma prisão, uma sala de espelhos, onde só consegue se espelhar e se imitar. Para escapar dessa armadilha é preciso aprender aceitar seu próprio estilo. Alguém que começa. Que tem algo a dizer, que sabe se expressar com sua própria voz e que finalmente encontra em si a força e a insolência necessária para ser tornar o guardião de sua prisão e não continuar prisioneiro, encontrou seu estilo”.

O que ocorre é que talvez ainda não tenhamos encontrado o jeito certo de dizer ou de nos ver, apesar do mundo já visualizar como identidade brasileira a beleza, a versatilidade, a criatividade e a alegria de nossa gente. Não é de hoje que a identidade brasileira é tema que perturba. Nossa miscigenação justifica maiores traumas e vamos vivendo nesse sincretismo de crenças, etnias e sabores, até aprendermos que nossa identificação está nas diferenças. E é isso que faz rica nossa comunicação.

Existem as coisas conhecidas e as desconhecidas e, entre elas, as portas.

As ideias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.

Se você gostou deste artigo, assine o RSS feed da Casa do galo. Você também pode receber os artigos por e-mail.

Iasnara Iasnara Amorim, 29, Pré-publicitária e pseudo-contista. Abandonou a Veterinária por amor aos animais. Trocou Administração por Propaganda, numa passagem pelo Marketing quando foi esporada pela Publicidade. Atua na Promoção e Produção de Eventos, transformando figurinhas em metragens e cifrões. Vislumbra um futuro de Planner, por faltar insanidade criativa para a redação. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.

iasnara@gmail.com | http://www.ossentidos.blogspot.com


Últimos artigos escritos por iasnara

Blog Widget by LinkWithin

iasnara já escreveu 15 artigo(s) para a Casa do galo.
Leia as colunas anteriores do(a) iasnara.

Este artigo tem as seguintes tags: , , , , , , , ,


10 comentários »

  • André Rafanhin disse:

    “Ou quando deixa claro que precisamos perder o “medo das barreiras imaginárias”, carimbar a cara, “sair da reação para a ação”, partir “da defesa para o ataque”, tornar público todos os esforços de ser referência, e principalmente fazer jus a ela, criar “profissionais mundiais de fabrica” que derrubem fronteiras, “ter a capacidade de sonhar e a disciplina de implementar”.”

    É isso ae, ta na hora de pirar o cabeção e ter um pouco mais de OUSADIA, obviamente sem perder o bom senso para certas questões, e mostrar quem é que manda nesse negócio chamado propaganda.

    Como diria um amigão meu: “vamos fazer um negócio MD! (muito doido!)”

    [Responder]

  • Tiago Moralles disse:

    É isso aí, vamos abrir as portas.

    [Responder]

  • Paulo disse:

    Iasnara,

    nossa próxima é a autofagia.

    [Responder]

  • Cris Faisano disse:

    “Existem as coisas conhecidas e as desconhecidas e, entre elas, as portas.”

    Disse tudo, Iás.

    O Brasil tem que escancarar as suas portas. E as dos outros.

    [Responder]

  • Cacau Mariani disse:

    Justamente por essa diversidade é que o criativo deve tornar-se sempre cada vez mais inovador. O brasileiro precisa se absorver mais, se degustar mais e imitar menos para poder exteriorizar o seu melhor… E deixar de lado essa baixa auto-estima que literalmente castra essa exteriorização!
    Tupi, or not tupi that is the question!
    Iás, você realmente é uma guardiã da sua prisão…
    Admiro-te muito garota!
    Parabéns pelo artigo.

    [Responder]

  • Antônio Rafael disse:

    Parabéns Iasnara, sempre com belos artigos.
    Sucesso sempre!!!!

    [Responder]

  • Iasnara disse:

    André; adorei o “NMD”, sim com equílibrio e ousadia. :D

    Tiago; vamos nessa! ;)

    Paulo; tá anotado. nhamnham. :*

    Cris; tipo, dar a cara a tapa e meter o pé na porta? :D

    Rafael; obrigadão! :)

    [Responder]

  • Iasnara disse:

    Cacau, então, vamos comer!?

    [Responder]

  • O boom e o pós-boom da blogosfera | CASA DO GALO - O animal da publicidade. disse:

    [...] enganá-los. O importante aqui é saber extrapolar na medida certa, assunto já discorrido no artigo da nossa amiga Iasnara, aqui mesmo na Casa do [...]

  • regina disse:

    Celebrando os 80 anos do Manifesto Antropófago (1928-2008), propomos um prato mostrando a atualidade das idéias de Oswald de Andrade.
    São vinhetas inspiradas nos aforismos do Manifesto, veiculadas no youtube: http://br.youtube.com/user/manifesto80anos e nas televisões públicas e que podem ser baixadas em alta resolução no site: http://www.fafich.ufmg.br/manifestoa, e recriadas antropofagicamente. Devore e faça o seu!

    [Responder]

Deixe seu comentário!

Adicione seu comentário abaixo ou faça um trackback diretamente de seu site. Você pode também pode acompanhar os comentários deste artigo via RSS.

Esse blog utiliza o sistema Gravatar. Caso sua foto não esteja aparecendo em seu comentário, registre-se.

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.