Análise de um comportamento contraditório
Essa semana saiu uma notícia que gerou certa discussão aqui na agência. Matthew Robson, estagiário da Morgan Stanley, fez um relatório descrevendo os hábitos de consumo de seus amigos. Ele basicamente deu um chute na porta e falou muita coisa que deveria ser estudada com atenção. Alguns pontos principais:
- Não compram músicas, a grande maioria é pirateada.- São fiéis a séries de TV, mas conseguem ficar grandes períodos longe de televisão.- Gostam de redes sociais e de enviar SMS’s aos amigos, porém não curtem muito o Twitter.- Não ligam para a publicidade online padrão, mas gostam de virais.- Ouvem rádios apenas para música, por isso a opção de rádios online.
- Adoram assistir vídeos na internet.
Opinião pessoal: concordo com quase tudo o que ele disse, e acredito que grandes partes dos internautas com perfil próximo ao dele também vão concordar. Isso porque ele é um britânico de 15 anos e eu sou brasileiro de 22 anos. O único ponto que eu realmente discordo dele é com relação ao Twitter. Apesar de possuir conta em alguns sites de relacionamento, acesso apenas para gerenciar meus contatos, enquanto no microblog eu consigo encontrar e compartilhar diversas coisas por dia. A Stanley Morgan não reconhece a validade estatística desse relatório. Bom, para o bem deles, tomara que isso mude em breve, porque o resultado dessa pequena entrevista não mudará muito do que ela já apontou.
Enquanto discutíamos o assunto, lembrei da nova campanha do Estadão, que aborda este tema. O engraçado é que muita gente baixa música gratuitamente, mas você teria coragem de não pagar nada pelo primeiro mês de assinatura? Pensando sobre isso, cheguei a uma conclusão muito irônica. Porque não eu não pagaria nada? Poxa, tem um trabalho gigantes por trás de um exemplar de jornal, o esforço de repórteres, jornalistas, fotógrafos, ilustradores, diagramadores e mais uma lista imensa que vai até os entregadores. O esforço desse pessoal deve ser recompensado, correto? Sim. Mas eu baixo música ilegalmente. Pra onde foi o esforço de cantores, compositores, músicos, operadores de som e outra lista imensa que vai até a transportadora que leva aquele CD até a loja? Resposta: não sei.
Então o que eu queria saber é: porque, em situações semelhantes, agimos de maneira tão diferente? Eu ainda tento entender esse meu comportamento.
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André Rafanhin, 22, é redator na Pitanga Propaganda e inventor do Bundoor, mídia que promete revolucionar a publicidade brasileira. Não possui prêmios importantes, peças geniais e vergonha na cara. Escreve para a Casa do galo semanalmente às quartas-feiras.
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Este artigo tem as seguintes tags: comportamento, download, ilegal, jovens, música, Morgan, pirataria, sms, Stanley, tv, twitter, videos

André Rafanhin, 22, é redator na Pitanga Propaganda e inventor do Bundoor, mídia que promete revolucionar a publicidade brasileira. Não possui prêmios importantes, peças geniais e vergonha na cara. Escreve para a Casa do galo semanalmente às quartas-feiras. 







É uma discussão loooooooonga e passa muito pelo comportamento predatório das gravadoras no Brasil. E os artirtas pagam o pato.
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Concordo.
O baixar musicas ilegalmente é muito mais um “protesto” contra as gravadoras do que qualquer outra coisa, enquanto no caso do jornal adotamos uma posição de “ele não fez nada comigo”.
O Tico Santa Cruz que estava disponibilizando músicas dele no Twitter esses dias auehauea
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Existe um pequeno engano na sua comparação entre o trabalho do cantor e as demais categorias profissionais que você citou. As situações não são tão semelhantes. Vou tentar explicar com uma metáfora.
Imagine um trovador do século XII. Um sujeito cujo sustento dependia do dinheiro que ele conseguia se apresentando para a população de vilarejos.
Agora imagine que um viajante do futuro chegasse ao século XII e fizesse a seguinte proposta ao trovador: gravar suas canções com um artefato mágico, que permitiria que suas canções pudessem ser ouvidas em todos os lugares, sem a presença dele.
Na cabeça do trovador do século XII isso seria a pior coisa que alguém poderia propor, afinal, o paradigma daquela época era que se as músicas dele pudessem ser ouvidas sem a prensença dele, como ele ganharia a vida?
Voltemos aos dias de hoje…
O equívoco no seu argumento se deve ao fato de você ter esquecido que a profissão do músico é fazer shows e se apresentar. Vender músicas deveria servir apenas para divulgar seu trabalho.
O jornal não é uma forma do jornalista ter seu trabalho conhecido para AÍ SIM ganhar dinheiro fazendo outra coisa. A profissão do jornalista É escrever.
Os músicos precisam é voltar às suas origens e lembrar que sua forma de ganhar dinheiro é se apresentar ao vivo para as pessoas, não vender gravações de suas vozes.
Baixo músicas sem o menor peso na consciência e divulgo diversos artistas interessantes no meu blog. Assim, creio eu, eles serão conhecidos, apreciados e convidados a ganhar dinheiro se apresentando para quem curte suas músicas.
Aí está a diferença entre “piratear” livros e “piratear” músicas.
(perdoe o longo comentário)
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[...] 15 Julho 2009 Opiniões Deixar um Comentário Tags: Download, Pirataria Passei pela Casa do Galo e me deparei com uma questão interessante, proposta pelo André Rafanhin: existe relação entre [...]
Acho que vale a pena lembrar de um outro ponto.
A nossa sociedade trata a música de outra maneira hoje em dia.
Nossos avós escutavam rádios e comprava vinis.
Hoje carregamos a música pra todo lugar, a todo momento.
Imagina como funciona a cabeça de um garoto de sétima série?
Ele tem, desde sempre, um celular que toca música. Ele não vê aquilo como um feature, vê como default.
Não que seja uma banalização da música, mas a inserção dela de forma mais intensa no dia a dia, criou uma nova percepção de valor.
Não acham?
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E falando nisso:
Kevin Cogill, blogger que vazou nove faixas do aguardado Chinese Democracy, último álbum da banda Guns N’ Roses, antes do lançamento oficial do mesmo, foi finalmente condenado pelo crime cometido. A sentença o condenou a um ano de liberdade condicional, sendo os dois meses de prisão domiciliar. Além disso, Cogill terá que escrever/gravar um anúncio público de serviço para a RIAA – acho que essa é a pior pena do cara.
Em sua defesa, durante o julgamento, Cogill alegou que fez o que fez para promover a banda, não para afetá-la negativamente. A acusação havia pedido prisão para ele, mas o juiz federal Paul Abrams sentenciou as penas citadas acima, dizendo que o rapaz, na época com 27 anos, “aprendeu a lição”.
No Twitter, Cogill comemorou o resultado. Só reclamou de ter que pagar pelo bracelete, usado para monitorá-lo e evitar fugas. Mas para quem escapou sem maiores danos de um processo movido por gravadora e uma das maiores bandas do mundo, acho que, mesmo morrendo com o custo do bracelete, ele ainda saiu no lucro…
Via Meio Bit
http://www.meiobit.com/meio-bit/internet/blogger-que-vazou-musicas-do-guns-n-roses-e-condenado
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[...] · Auto-Ajuda e Desenvolvimento Humano · Ciências Biológicas e Naturais … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
Acho eu que se olharmos para os públicos de cada item já veremos uma boa diferença, concordam?
A campanha do Estadão é para um público mais esclarecido, que tem um certo poder aquisitivo e uma visão e uma consciência mais ampla dos processos de produção. Talvez uma parte pequena do público do Estadão até consuma música e filmes piratas. Mas certamente é a minoria.
É outra fase da vida. Eles não estão tentando esticar a mesada, nem querendo provar que são espertos, levando 3 piratas por 10. São executivos, empresários, gente que paga para ter exatamente o que quer e que expressa através do dinheiro seu grau de satisfação e sua afetividade com um produto, e até com pessoas.
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Vamos resumir a parada. Propaganda, do jeito que a gente pensa que é e sempre foi a propaganda, acabou. Hoje, os publicitários, tem que pensar que, restam a eles, apenas informar. E nada mais do que isso!
Já saturou! marketing de interrupção não cola mais…
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[...] Biológicas e Naturais … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...] … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
Certa vez ouvi alguém dizer no rádio: “Brasileiro não quer mais pagar por música nem por prostituta”.
Verdade.
Lembremos da ação do Radiohead no cd “In Rainbows”. Em que os caras disponibilizaram o álbum para download e o internauta pagava o quanto quisesse por ele. Conclusão: em 29 dias, 1,2 milhão de pessoas visitaram o site que dava acesso ao download, sendo que 38% desse total, cerca de 400 mil, acabaram pagando pelo disco.
Segundo uma monografia que li cujo objeto de estudo era exatamente esse, o valor arrecadado superou as expectativas.
Não acredito em retorno financeiro imediato para esses tipos de ação. Mas num investimento em construção de marca, sim.
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Interessantes esses dados.
Pensava que nos países de 1º mundo a pirataria fosse bem menor do que por aqui tanto em termos de jogos de playstation como em downloads de mp3, mas parece que para esse segundo item, as coisas não são tão diferentes.
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Acho que com relacao ao topicos tudo e valido basta cada um ser organizar
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[...] Análise de um comportamento contraditório Pequeno artigo sobre um relatório divulgado por um estagiário da Morgan Stanley falando sobre hábito de consumo dos jovens atuais. Veja aqui. [...]
[...] de consumo dos jovens atuais. Veja aqui. [...] – 5 agosto 2009 at 11:39 … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
Parabéns pelo artigo, pirataria existe no mundo inteiro, não sei pq o preconceito contra os brasileiros.
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Alguns tipos de protesto como disponilizar musicas de graça é válido, o que não é bom e para ou bolso do artista.
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