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Amigão que dá um dinheirão

28 Novembro 2007 10 comentáriosescrito por Marquito

Cão Feliz

Esse amigão ai da foto foi um dos responsáveis por movimentar um mercado de mais ou menos R$ 3 bilhões no ano que passou. Se bem que eu acho que ele preferia tudo isso em ossos. Ou bolo de chocolate - o negão (meu cachorro) adora. E quem ai não adora um desses?

Os cães desenvolveram uma relação de proximidade com o homem há mais de 12 mil anos, quando eles ainda eram lobos selvagens que se aproveitavam dos restos de alimentos em troca da segurança dos assentamentos humanos. Essa troca evoluiu para algo que o homem não tem com nenhuma outra espécie (talvez os gatos): amor. É de longe, o animal doméstico mais presente nos lares de todo o mundo. Em alguns países ele ainda é comida - na China e em outros países asiáticos, infelizmente, são tratados de maneira cruel, sendo enforcados, pelados e esfolados vivos. Muitos são usados em experimentos científicos. Em outros, como os Estados Unidos, adiam a chegada de filhos, para que os casais curtam seus pets. Pesquisas apontam que 42% dos donos de cães americanos dormem na mesma cama que o animal.

São dados interessantes, que só reforçam a importãncia desses amigões para a sociedade. E é claro que a publicidade não fica de fora. Não tenho informações sobre o quanto o mercado movimentou, mas há de se concluir que não foi pouco, olhando para a soma que os pet shops apresentaram. Empresas como Purina procuram se aproximar cada vez mais desse sentimento de proximidade entre cão e homem. No ano passado ajudei a desenvolver alguns publieditoriais para a Pedigree, que tinham como figura central a campanha “Cachorro é tudo de bom”. Na época enviei o vídeo de divulgação para algumas meninas. A reação sempre era a mesma (aiiiiiii, Uiiiiiiii, Ouhhhhh) - era um vídeo muito apelativo, com milhares de filhotes.

O interessante é que a figura em questão, foco do publieditorial, não faz a mínima idéia de que a ração é melhor para ele. O negócio é comer e cuidar de sua matilha (no caso, você e toda a família). A publicidade é para os donos que muitas vezes humanizam demais o pulguento. Eu, particularmente acho um exagero acupuntura e banho de sais para cães, mas se fosse o dono da clinica veterinária estária é dando risada. Por que as pessoas gastam mesmo com isso. Mas é muito intrigante observar essa relação.

Com um crescimento de 20% ano ano aqui no Brasil, é um mercado quente a se explorar. Quase todo mundo tem um cachorro ou animal de estimação. Aqui perto de minha casa tem uma Cobasi, o maior pet shop de São Paulo. Parece um grande supermercado que está sempre lotado no dia da compra do mês. É incrível. Além de vender rações e artigos diversos, eles trabalham com ONGS para adoção de animais. E foi em uma dessas que eu e a Graziele, minha namorada, adotamos o Napoleão. É o vira-latas mais simpático e hiper-ativo que eu já conheci. E carinhoso demais. Por enquanto ele vive com só com ela.

Acho que as linhas de comunicação das campanhas atuais são interessantes, um pouco apelativas, mas resolvem bem a questão. O importante é tratar os cães bem, com o cuidado de não humanizá-los demais, como muitos fazem hoje.

Nota do colunista:

As principais informações de mercado deste texto foram retiradas da revista Galileu de dez/2007, da Editora Globo.

Deixo também um abraço para a Mafalda, cachorrinha do Galo, que me deu uma bela crise alérgica esse final de semana, de tanto pêlo que soltou na minha cara.

As idéias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.

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Marcos Marquito, 23, é publicitário formado pelo Mackenzie e adora a criação e está de volta a redação publicitária. Escreve para a Casa do galo às quartas-feiras.

marcos.cangiano@gmail.com | http://www.divagacoeseideias.blogspot.com


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10 comentários »

  • Galo disse:

    Belo artigo, Marquito.

    Tenho apenas duas observações:

    1 - Você esqueceu dos furões. Nos EUA, parece que já há mais furões nos lares americanos que gatos

    2 - Uma citação sua:
    “Em alguns países ele ainda é comida - na China e em outros países asiáticos, infelizmente, são tratados de maneira cruel, sendo enforcados, pelados e esfolados vivos.”

    Não há diferença se o animal enforcado e esfolado é um cachorro ou o boi que se come todos os dias.
    O boi pode e o cachorro não? O fato de um ser “fofo” para a maioria não quer dizer nada. Hipocrisia da nossa sociedade. Todos sofrem muito.

  • Galo disse:

    Aliás, belíssima foto! É sua?

  • Claucio disse:

    Que furo, Marquito. Esqueceu dos furões!

    42% dos donos de cães americanos dormem na mesma cama que o animal.

    Claucio - Último artigo em seu blog: Molequis-se

  • Claucio disse:

    42% dos donos de cães americanos dormem na mesma cama que o animal.

    E os donos cabem na casinha?

    Claucio - Último artigo em seu blog: Molequis-se

  • Alessandro Ribeiro disse:

    Um anúncio que sempre tira esses suspiros da mulherada e dos afeminados é aquele de Havaianas, que mostra um cachorrinho dormindo em cima de uma das sandálias.

    Mal minha, nem pesquisei essa imagem.

    Alessandro Ribeiro - Último artigo em seu blog: Campanha Casa do Galo

  • Marquito (author) disse:

    É uma questão interessante essa. Por termos uma relação de proximidade e afeto maior com os animais de estimação, não desenvolvemos o mesmo sentimento em relação aos animais que nos servem como alimento, caso de bovinos, suínos, aves, peixes, dentre outros. É claro que todos sofrem.

    No livro “A Itália de Jamie” do chef de cozinha inglês Jamie Oliver, antes do capítulo de “carnes”, ele traz um texto questionando a maneira como consumimos carne e qual a procedencia dela, alertando sobre a crueldade com esses animais. Alerta para um consumo mais responsável. É um pouco difícil entender e descobrir a procedencia da carne que compramos em açougues e mercados em geral. Agora, virar vegetariano, no meu caso, está fora de questão.

    Marquito - Último artigo em seu blog: Vale o registro

  • Marquito (author) disse:

    Não sabia essa do furão, esses Furões!

    2 - A foto não é minha. É do Google. hehe.

    Marquito - Último artigo em seu blog: Vale o registro

  • Galo disse:

    Ah tá, achei que fosse o seu cachorro.

  • Galo disse:

    Eu tb suspiro com esse das havaianas, e não sou afeminado, Ale machão homenzarrão. :P

  • Grazi disse:

    Adorei! Tava até mesmo comentando com minha mãe que se eles querem apelar em alguma campanha, é só usar crianças ou filhotinhos… é batata!

    E Sr. Galo, o Napoleão Batolomeu ficou com ciúmes e exige um link, assim como a Mafalda ganhou. Pode por aí: http://www.flickr.com/photos/grazi-moshi/2071130035/

    BJUs

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